Um reencontro (sem pressa) com Hope Sandoval
Texto: NUNO GALOPIM
Os anos passam, mas Hope Sandoval não parece ter pressa nem em assinar novos passos nem com aparente vontade de, com eles, procurar escapar do trilho que há muito vem a percorrer, quer com os Mazzy Star (que em 2013 se juntaram para gravar um álbum novo após 17 anos de silêncio) quer no percurso que desde a viragem do milénio tem vindo a assinar sob a designação Hope Sandoval & the Warm Inventions, em discos nos quais tem como principal parceiro criativo Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine, pelo qual acaba de editar um álbum que é assim o sucessor de Bavarian Fruit Bread (2001) e Through the Devil Softly (2009).
Os primeiros novos minutos são de puro deslumbramento, revelando Into The Trees um cruzamento entre o canto íntimo, melancólico e frágil de Hope Sandoval e as possibilidades cénicas que os My Bloody Valentine tão bem têm sabido explorar, se bem que em modo “guitarras (e percussão e teclas) tocam baixinho”… Pena que, depois, pelos temas que fazem o restante alinhamento de Until the Hunter não se repitam semelhantes ousadias, regressando Hope Sandoval a terreno baladeiro acústico, de bela cenografia subtil, que lhe é um porto seguro. Este é espaço no qual Hope Sandoval não sabe fazer mal, é verdade. Mas depois daquela abertura envolvente, o disco fazia supor algo mais que não acontece. Fica água na boca para mais… Talvez mais tarde… E pelo caminho vale a pena ouvir o belo dueto com Kurt Vile em Let Me Get There.
Hope Sandoval & the Warm Inventions
“Until the Hunter”
Tendril Tales
★★★


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