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Dez concertos que vimos no cinema

Ver um concerto no grande ecrã? E porque não? Apesar de uma história próxima entre a música e o cinema (que recua mesmo aos tempos do mudo), só nos anos 60, sob o fulgor da cultura pop/rock, a ideia de fazer filmes essencialmente focados no palco, durante concertos, ganhou atenções. Um dos primeiros exemplos data de 1964 com T.A.M.I. Show, de Steve Binder, um retrato de atuações no Santa Monica Civic Auditorium a 28 e 29 de outubro de 1964. Ali vemos nomes como os Beach Boys, Marvin Gaye, The Supremes, Smokey Robinson ou James Brown, em duas horas de filme rodado pela equipa do Steve Allan Show (onde se evidencia uma curiosa presença próxima do mundo da televisão). Quatro anos depois, Monterey Pop, de D.A. Pennebarek, captava momentos icónicos do festival com as presenças de nomes como Simon & Garfunkel, The Animals, Otis Redding, The Animals, Jefferson Airplane ou Ravi Shankar. O formato cresceu nos anos 70, teve ainda expressões nos anos 80, perdeu algum terreno para a televisão nos 80 e recuperou visibilidade no novo milénio. Aqui fica uma lista de dez títulos que nos podem ajudar a fazer uma (breve) história do filme-concerto (em alguns casos havendo títulos que abrem o ecrã além do espaço do palco para uma contextualização dos concertos, artistas e épocas). – Nuno Galopim

1970 – Gimmie Shelter, de Albert e David Maysles
Os Rolling Stones tinham já sido filmados em ensaios por Godard (em Simpathy For The Devil) e num estúdio de televisão para o Rock and Roll Circus. Aqui surge um retrato da histórica digressão do grupo em 1969 (a primeira com Mick Taylor e que terminou com o célebre e trágico Altamont Free Concert perante 300 mil pessoas). Num olhar sobre a contra-cultura da época os irmãos Maysles olham o palco, com espaços ocasionais para o mundo ao seu redor.

1970 – Woodstock: The Movie, de Michael Waldeigh
O festival dos festivais… Acontecimento maior que durante três dias, no verão de 1969, juntou 400 mil pessoas em Bethel (no estado de Nova Iorque) para ver figuras como Jimi Hendrix, Joe Cocker, Janis Joplin ou Crosby Stills and Nash, teve importante retrato neste filme no qual, entre a equipa de montadores, estava um ainda jovem Martin Scorsese e Thelma Schoemacher (que se tornaria uma das suas mais recorrentes colaboradoras).

1972 – The Concert For Bangladesh, de Saul Swimmer
Um dos primeiros grandes eventos de beneficência com recolha de fundos através da música juntou uma série de músicos em dois concertos realizados a 1 de abril de 1972 no Madison Square Garden, em Nova Iorque, sob organização assinada por Ravi Shankar e George Harrison. Produzido pela Apple Films (ligada aos então já ex-Beatles) o filme inclui momentos dos dois concertos, com atuações, entre outros, de Bob Dylan, George Harrison, Ringo Starr e Billy Preston.

1973 – Ziggy Stardust, The Motion Picture, de D.A. Pennebaker
O derradeiro concerto da digressão que, herdando a memória recente de The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, levara também a palco as canções do sucessor Aladdin Sane foi filmado, mitificando mais ainda o momento em que, em palco, ao som de Rock and Roll Suicide, Bowie anunciou que colocava um ponto final na vida daquela personagem (se bem que muitos tomaram o anuncio como uma despedida do próprio músico). Velvet Goldmine, de Todd Haynes, cita memórias deste filme-concerto.

1978 – The Last Waltz, de Martin Scorsese
Os The Band pensaram em assinalar o afastamento dos palcos com um concerto. Chamaram-lhe ‘The Last Waltz’ e convidaram Bob Dylan, Joni Mitchell, Emmylou Harris e Neil Young, entre outros, a juntar-se à banda no Winterland Ballroom em San Francisco. Martin Scorsese, que mais tarde rodaria outro filme-concerto com os Rolling Stones (em Shine a Light) foi chamado para realizar o filme deste momento. Uma das opções (novas) usadas por Scorsese é a presença de planos filmados do fundo do palco.

1984 – Stop Making Sense, de Jonathan Demme
Muitas vezes apontado como o maior filme concerto alguma vez feito, Stop Making Sense resulta de três dias de filmagens no Pantages Theatre em Hollywood, durante a digressão que se seguiu ao lançamento de Speaking in Tongues. Com o registo áudio captado digitalmente (uma estreia em palco), o filme revela não apenas um ponto de vista do realizador, mas também uma banda ciente do papel da mise-en-scéne (onde não faltam citações cinéfilas, nomeadamente a Kubrick).

1987 – Sign of The Times, de Prince
Foi com o filme (algo) autobiográfico Purple Rain que Prince (com o claro apoio da respetiva banda sonora) ganhou uma dimensão global em 1984. Um segundo filme, Under a Cherry Moon, seguiu-se em 1986. E à terceira vez optou por um registo de filme-concerto em detrimento de uma nova narrativa de ficção. Apesar de originalmente rodado em Roterdão, o filme acabou por usar sobretudo imagens filmadas nos estúdios Paisley Park, em Minneapolis. O alinhamento foca sobretudo o álbum (homónimo) de 1987, mas abre breves momentos a outros discos, nomeadamente 1999 ou o Black Album.

2007 – U2 3D, de Catherine Owens e Mark Pellington
O 3D chega ao espaço do filme-concerto e toma como uns dos seus primeiros “protagonistas” os U2 que, por essa altura, estavam na estrada com Vertigo Tour, que se seguiu ao lançamento de How To Dismantle an Atomic Bomb. Segunda experiência da banda no cinema – em 1988 tinham apresentado Rattle & Hum – o filme resulta de filmagens durante um concerto em Buenos Aires (Argentina) e junta ao alinhamento de canções uma sucessão de momentos de intervenção política e social.

2012 – Shut Up and Play The Hits, de Dylan Southern e Will Lovelace
A despedida dos palcos dos LCD Soundsystem fez-se, tal como com os The Band (ver acima) com um grande concerto. Realizado no Madison Square Garden, a 18 de julho de 2012, com elementos dos Arcade Fire, Soulwax ou ainda Juan McLean entre os convidados. O filme, apesar de ter o concerto como medula dos acontecimentos, alarga o seu foco de atenção a um intervalo de 48 horas antes do momento e a manhã que se seguiu à atuação. É talvez mais que um mero filme-concerto, mas a qualidade das filmagens de palco justificam aqui a sua presença.

2014 – Duran Duran Unstaged, de David Lynch
Não era a primeira vez que David Lynch realizava um filme concerto (e aí basta recordar o “esquecido” Industrial Symphony Nº 1, de 1990). Os Duran Duran não eram também estreantes no cinema. Mas numa noite pensada para transmissão via Internet, o concerto que juntou a música da banda a imagens inesperadas lançadas em sobreposição ao que era captado no palco gerou um filme-concerto competente na música e com uma muito evidente marca de autor nas imagens.

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2 Comments on Dez concertos que vimos no cinema

  1. Por que razão alguns artigos estão assinados e outros não?

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  2. Há quem entenda não assinar notícias. Sobretudo se não são exclusivas. Todos os textos que veiculam opinião são assinados.

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