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O regresso e a segunda morte do vinil

Dois ensaios muito interessantes sobre os velhos e novos consumidores de música num suporte do século passado. E a ameaça industrial que paira sobre esse renascimento

N.G.

Daysen Bowen ganhou o primeiro disco em vinil no dia de aniversário, em Abril do ano passado – Different Class, dos Pulp. Começou por ouvir a versão digital, que o pai lhe colocara no iPod, mas ela gosta mais de vinil, porque – diz – “a música soa mais a música, como se viesse diretamente dos músicos e não de outro local qualquer”. Costuma ir comprar discos de vinil com a mãe e tem já vários dos Smiths e do Morrisey.

Mas a Daysen poderá vir a ter algumas dificuldades para comprar vinil, se a tendência de crescimento deste sector se mantiver. E por um motivo simples e irónico: não há capacidade industrial instalada para atender à procura.

As últimas máquinas para fabricar discos de vinil datam dos anos 80 do século passado, as que ainda se encontram operacionais estão agora a ser utilizadas a tempo inteiro e, esse é o problema, a o fabrico de máquinas dessas só se justificaria economicamente com um regresso do vinil em massa. Ora, apesar do crescimento de vendas espantoso dos últimos anos, na Europa e nos EUA, não é previsível que a situação se mantenha. A tendência parece estar definitivamente na desmaterialização e no streaming.

Nos últimos meses, o regresso do vinil tem merecido grande atenção dos media.

Na última edição de 2014, a Intelligent Life (do grupo Economist e com uma excelente edição gratuita em iPad) publicou um ensaio fotográfico sobre os atuais consumidores de vinil. É muito interessante perceber como se relacionam as várias gerações com este suporte, especialmente o que dizem sobre as diferença face ao digital. Há um não-sei-quê, mais ou menos intangível, que nos atrai aos 33 rotações.

No Guardian, que recentemente reformulou a sua área de Cultura, na qual publica excelentes reportagens e ensaios, saiu, já em Janeiro, um longo texto que é uma viagem aos bastidores da indústria do vinil, mas que também inclui reportagem sobre esses clubes onde muita gente se junta hoje em dia para… ouvir vinil.

O futuro do suporte parece, pois, assegurado por esta legião de velhos e novos adoradores. E a ameaça do esgotamento industrial implícito no texto do Guardian há-de ter solução. – João Morgado Fernandes

Ler aqui:

Artigo na Intelligent Life

Artigo no Guardian

 

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