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O “génio” de Max Perkins chega este ano ao grande ecrã

Baseado na biografia escrita por A. Scott Berg, Genius retrata a relação turbulenta entre Perkins, editor literário, e o escritor americano Thomas Wolfe. No elenco surgem Jude Law, Colin Firth e Nicole Kidman.

Em 1928, Maxwell Perkins já era um editor reputado. Publicara dois livros de F. Scott Fitzgerald, Este Lado do Paraíso e O Grande Gatsby e um de Ernest Hemingway, O Sol Também se Levanta. Trabalhava na Charles Scribner’s Sons, editora fundada em 1846. No outono desse ano, Madeleine Boyd, agente literária, visita-o no seu escritório. Traz alguns manuscritos, entre eles o de Thomas Wolfe.

Esse encontro com a agente literária está descrito em Max Perkins: Editor of Genius (1997), biografia de A. Scott Berg sobre o editor. “A primeira vez que ouvi falar de Thomas Wolfe tive um mau pressentimento (…) Madeleine falou-me de vários manuscritos que não me interessaram muito, mas estava frequentemente a interromper a conversa para falar sobre uma romance incrível escrito por um rapaz americano. Perguntei-lhe várias vezes: ‘Porque não o traz cá?’, mas Madeleine parecia querer fugir à questão. Finalmente disse: ‘Eu trago, mas tem de me prometer que vai ler todas as palavras do manuscrito’. Prometi-lhe que o faria, mas ela disse-me ainda outras coisas que me fizeram perceber que Wolfe era um espírito turbulento, e que muita turbulência vinha aí”.

Perkins tinha razão. Ele e Wolfe haveriam de desentender-se muitas vezes, sobretudo por causa da edição dos livros do escritor americano. Perkins era um editor muito interventivo (consta que o persuadiu a eliminar cerca de 90 mil palavras no texto de Look Homeward, Angel, que viria a ser publicado em 1929) e Wolfe não lidava bem com isso, apesar de respeitar a vontade do editor. A juntar a esse desconforto havia a ideia generalizada de que os livros de Wolfe pareciam ter sido escritos por Perkins e não por ele.

Em 1936, Wolfe terminava oficialmente a colaboração com Perkins. Fazia-o por carta, referindo as diferenças de opinião e crenças que existiam entre ambos, e as divergências que, apesar de tudo, havia discutido milhares de vezes de uma forma “tão aberta, franca e apaixonada”. Da desavença salvou-se porém a amizade. Noutra carta, que não chegou a enviar a Perkins, Wolfe escreveu: “Até te conhecer, eu nunca tinha tido um amigo na vida”.

A relação entre ambos é daquelas em que tropeçamos sempre que procuramos saber mais sobre relações tumultuosas e celebérrimas entre editores e escritores, e é sobre ela que incide Genius, filme de Michael Grandage, encenador e produtor britânico, com estreia marcada para este ano.

O filme, com argumento de John Logan (007 Skyfall, Gladiador, O Aviador), é baseado na já referida biografia escrita por A. Scott Berg (Max Perkins: Editor of Genius, 1997), e contará com as participações de Jude Law (Thomas Wolfe), Colin Firth (Max Perkins), Dominic West (Ernest Hemingway), Guy Pearce (F. Scott Fitzgerald), Nicole Kidman (Aline Bernstein, amante de Wolfe) e Laura Linney (Louise Perkins, esposa de Perkins). – Helena Bento

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  1. Apesar de não ser um escritor, Maxwell Perkins ocupa um lugar destacado na história da literatura americana. Perkins trabalhou com vários autores celebres, entre eles F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Thomas Wolfe, Ezra Pound e outros. Através de sua defesa desses escritores modernistas, ele desempenhou um papel importante no sucesso desse movimento. Suas relações com estes autores são dignas de nota. Ele foi, em tempos diferentes, o editor, amigo e conselheiro e fazia a ligação entre eles.
    Maxwell Perkins, tinha a habilidade de inspirar um autor para produzir o melhor livro. Scott Berg1 biografo de Perkins, escreveu: Grande amigo e conselheiro de seus autores ele ajudou-os em todos os sentidos. Ele ajudava a estruturar seus livros, se ajuda fosse necessária; pensava em títulos, criando tópicos; atuou como psicanalista, conselheiro apaixonado, conselheiro matrimonial, gerente de carreira. Poucos editores antes dele tinham feito tanto trabalho com manuscritos, mas ele sempre foi fiel a seu credo: “O livro pertence ao autor.”

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