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100 canções para revisitar 50 anos de discos de David Bowie

A mais recente edição da revista ‘Mojo’ dedica 31 páginas a David Bowie. O foco central deste destaque é uma lista de cem canções que assim recordam uma história ímpar na música pop.

Texto: NUNO GALOPIM

Este mês tanto as revistas Uncut como Mojo fazem de David Bowie a figura de capa. Além de ter assinalado em finais 2014 os 50 anos de carreira discográfica – em 1964 estreou-se com o (então quase invisível) single Liza Jane – com uma nova antologia em formato de triplo CD, Bowie é habitualmente notícia (ou tema de evocação) em janeiro, por ocasião da passagem de mais um aniversário do seu nascimento – que se assinala no dia 8. Fez em 2015 68 anos.

A Uncut procurou em memórias com 40 anos o foco central da sua abordagem, recordando o álbum Young Americans (1975), essencialmente gravado em Filadélfia, refletindo um interesse do músico sobre os espaços do rhythm’n’blues (que teria continuação direta mais tarde em álbuns como Let’s Dance e Black Tie, White Noise).

A Mojo resolveu fazer algo mais elaborado. Não que fazer um Top 100 seja uma coisa visionária. Mas não só promove um balanço comentado sobre uma obra ao cabo de 50 anos de discos. Como, nas 31 páginas que dedica a David Bowie nesta edição (fevereiro de 2015), juntam um artigo extenso sobre o álbum The Man Who Sold The World (de 1970) que este ano faz 45 anos, juntando ainda textos destacados sobre algumas das 100 canções selecionadas, um top dos instrumentais, um das versões e ainda um dos álbuns (em função das canções votadas na lista maior das cem canções) e comentários, na primeira pessoa, sobre alguns importantes colaboradores do músico, como Ken Scott (que produziu Hunky Dory e The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars), Reeves Gabrels (que partilhou com ele a aventura Tin Machine), Mike Garson (pianista em vários discos), Rick Wakeman (que tocou o mellotron de Space Oddity), Tony Visconti (o produtor que mais vezes colaborou com ele), Robert Fripp (o guitarrista em Heroes) ou George Greenwood (amigo dos tempos de escola e parceiro em primeiras experiências musicais). Isto sem esquecer o CD, que assim acompanha o destaque recordando temas de nomes que influenciaram Bowie. Com o título DavidHeroesBowie – alusão clara, até pelo grafismo, aos clássicos ‘best of’  ChangesOneBowie e sequela ChangesTwoBowie – o disco inclui, entre outros, temas como The Girl Can’t Help It de Little Richard, I Pity The Fool de Bobby Bland, La Mort de Jacques Brel ou Wild Is The Wind, na versão de Nina Simone. Alguns dos temas, está visto, mereceram versões pelo próprio Bowie.

O lote de convidados e a variedade de listas é mais que suficiente para que qualquer admirador de David Bowie (ou listomaníaco) preste atenção a estas – páginas.

As listas? Bom, essas são como todas as listas, o resultado de uma escolha que reflete quem as faz e o tempo em que as faz. Qualquer outra equipa votante faria uma outra lista… Esta é pouco inesperada. Ou seja, tem a produção de Bowie dos anos 70 em natural destaque (o que não será surpresa nem injustiça). Secundariza é em demasia o resto da obra. O primeiro tema não 70s chega no nº 10. E no top 20 há apenas dois temas exteriores aos setentas, sendo ambos de 1980. Temos de descer ao nº 23 para encontrar um tema dos anos 60 (Space Oddity). Where Are We Now?, canção que em 2013 anunciou o regresso após dez anos de silêncio, surge num merecido nº 31. Confesso que a colocaria mais acima… E a primeira referência aos anos 90 – com Something in The Air – aparece apenas no nº 67 (com temas de Heathen e Reality, de 2001 e 2003, mais bem colocados)…

São escolhas. Sabendo nós que, mais dia, menos dia, outros farão outras listas, certamente diferentes (e ainda bem que assim é, que cânones podem ser ditaduras de gosto que não interessam).

A lista é encabeçada (e justamente) por Life on Mars?, de 1971. No top 10 há mais um tema do mesmo Hunky Dory, três de Ziggy Stardust, dois de Low, um de Heroes, um de Young Americans e um de Scary Monsters. O resto da lista? Não vamos fazer spoiler… Estas coisas das revistas são para ser lidas, com os dedos a passar pelo papel.

Fosse eu a votar, metia lá A Foggy Day in London Town, que Bowie gravou com Angelo Badalamenti para o álbum Red Hot + Gershwin, em finais dos anos 90… Mas essa seria a minha lista (que em comum deixaria o mesmo Life on Mars no comando).

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