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Uma agência para dar visibilidade ao cinema que por aqui se faz

Chama-se Portugal Filme e foi apresentada esta semana. É uma agência pensada para comunicar e divulgar o cinema português, visando sobretudo a sua internacionalização.

'A Toca do Lobo', de Catarina Mourão

A “independência e o uso pleno da sua máxima liberdade” são características maiores que Ana Isabel Strindberg e Margarida Moz apontam ao cinema que hoje se faz em Portugal. “Tem sido o mote desde o Cinema Novo e a contaminação tem continuado até hoje”, acrescentam. Estes são, por isso, valores que podem agora comunicar de uma outra forma, numa nova plataforma lançada esta semana e que via divulgar a produção cinematográfica portuguesa em festivais e mostras internacionais, junto de distribuidoras e exibidoras internacionais, cinematecas, institutos culturais e imprensa especializada. Chama-se Portugal Filme e, apesar de nascer da IndieLisboa – Associação Cultural, as suas responsáveis deixam claro que “representará filmes pela sua qualidade e capacidade de comunicação internacional independentemente de serem programados no Indielisboa”.

Ana Isabel Strindberg e Margarida Moz notam que a equipa da Portugal Film tem, ao longo dos anos, nas suas várias funções de diretores e programadores do IndieLisboa e Doclisboa, “desenvolvido e mantido a nível internacional uma grande quantidade de contactos com os principais agentes de cinema, diretores de festivais, programadores, distribuidores, produtores e críticos”. Esta é, como defendem, “uma relação muito privilegiada” que agora querem “colocar ao serviço dos realizadores portugueses”.

A Portugal Film “pretende agenciar realizadores e produtoras independentes”, revela à MdE as suas duas responsáveis. Habitualmente, como explicam, “são os realizadores e as pequenas produtoras que mais necessitam dos serviços de uma agência de promoção e vendas”. A sua ação não se confina a produções cem por cento financiadas entre nós, abrindo espaço à presença de coproduções. “Já temos no catálogo alguns títulos que são coproduções”, acrescentam.

Os filmes a eventualmente representar pela agência terão de enfrentar, primeiro, uma etapa de seleção. “São escolhidos de forma muito criteriosa e ponderada, avaliando o seu potencial cinematográfico e a sua carreira individual nos festivais internacionais, e nalguns outros casos o seu potencial audiovisual ligado a um mercado mais específico”, deixam claro as responsáveis pela agência, sublinhando ainda que apostam também na descoberta de novos cineastas que lhes “apresentem obras desafiadoras”.

A ação promocional da agência será sobretudo internacional mas “estará sempre atenta à valorização interna dos filmes e dos seus autores”. Neste momento, confirmam as duas responsáveis à MdE, a Portugal Film “já tem presença marcada em mercados dos principais festivais”. Vão, em concreto, estar presentes “num stand partilhado com a Agência da Curta Metragem de Vila do Conde, em Clermont-Ferrand, um dos maiores mercados europeus de curta metragem”. E seguem depois para Berlim onde estarão “presentes no stand do ICA” e contam ainda “estar naturalmente” em Cannes.

A edição em DVD, que “é tida muitas vezes como a última fase do circuito de vida de um filme” é uma etapa na qual pretendem “colaborar também, sempre que possível e viável, nessa fase”. As duas responsáveis vinca, contudo que querem concentrar-se “antes do mais na maior visibilidade internacional possível dos filmes” que promovem. Querem, acima de tudo, que a Portugal Film “contamine ainda mais o público internacional ajudando a descobrir e a reconhecer a qualidade e a grande variedade do nosso cinema”.

O catálogo da Portugal Film teve como primeiro título A Caça-Revoluções, de Margarida Rêgo, que passou em 2014 em Cannes. A este filme juntam-se agora A Toca do Lobo, de Catarina Mourão (que integra a programação deste ano do Festival de Roterdão), assim como Despedida, de Tiago Rosa-Rosso, O Indispensável Treino da Vagueza, de Filipa Reis e João Miller Guerra, e Outubro Acabou, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes. – N.G.

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