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A campanha ‘funk’ de Mark Ronson

Texto: NUNO GALOPIM

Quatro anos depois do monumento pop que nos deu em ‘Record Collector’, Mark Ronson volta a lançar um álbum em nome próprio.

Pormenor da capa do álbum

Será Uptown Funk o Get Lucky de 2015?… É cedo para dizer. E, na verdade, o single deu sinais de vida ainda em 2014 e poderá estar “gasto” quando chegar o tempo quente e a estação que habitualmente escolhe os “êxitos” globais do ano… O impacte tremendo de uma canção de alma pop e sangue funk, contando com o protagonismo vocal de Bruno Mars (para quem o verdadeiro frontman deste disco já trabalhou como produtor), foi contudo o melhor cartão de visita para Uptown Special, álbum novo de Mark Ronson talhado a rigor com a construção de um possível blockbuster na mira…

Mark Ronson está já longe de ser um talento em busca de reconhecimento e afirmação. Tem já uma considerável discografia, sobretudo como produtor, contando-se entre aqueles com quem trabalhou já nomes como os de Amy Winehouse, Duran Duran, Macy Gray, Lily Allen, Robbie Williams, Adele, Rufus Wainwright ou Paul McCartney. Quem por isso vê este disco como uma “tentativa” para lhe dar um lugar na linha da frente dos produtores do nosso tempo não terá talvez reparado que, na verdade, esse é lugar que já conquistou há algum tempo…

Na verdade o que Uptown Special tenta é dar (finalmente) a Mark Ronson, como artista em nome próprio, o sucesso em nome próprio que alguns dos discos que já produziu ajudaram a dar aos respetivos autores. Depois do (magnífico, mas comercialmente pouco ágil) Record Collector, de há uns quatro anos, Uptown Special desvia da pop para o funk a busca de uma alma para, dela, fazer nascer canções de viço e luminosidade pop. Convoca uma multidão “galáctica” de estrelas, do escritor Michael Chabon (que assina quase todas as letras) a nomes como os de Stevie Wonder, Mystical ou Carlos Alomar e apresenta um álbum que procura projetar no nosso tempo memórias da cultura urban dos setentas e oitentas. Há aqui canções irresistíveis. Entre elas o alienígena Leaving Los Feliz (que na verdade parece mais “sobra” de Record Collector que peça desta nova coleção). Mas há por vezes mais piscadelas de olho a modelos de referência (de Prince a Chaka Khan) que uma projeção de uma voz pessoal (que, curiosamente, parecia mais evidente no álbum anterior).

No fim, Uptown Funk poderá até ser o Get Lucky do ano. Uptown Special pode ser um êxito global para Mark Ronson. Mas não será um disco para nele afirmar uma voz pessoal. Apenas um bom (e tecnicamente muito competente) seguidor de um gosto.

Mark Ronson
“Uptown Special”
Columbia / Sony Music
3 / 5

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