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As boas raparigas vão para Iowa

Texto: MÁRIO RUI VIEIRA

A quarta temporada de ‘Girls’, a série que, nos últimos anos, mais alto empunhou a bandeira feminista, está de volta. Lena Dunham e companhia prometem continuar a quebrar barreiras e estereótipos.

Já lá vão quase três anos desde que Lena Dunham se tornou uma das vozes femininas mais poderosas da televisão norte-americana. Em abril de 2012, estreava Girls, uma história pouco convencional criada, escrita, protagonizada e muitas vezes realizada por si. Com o apadrinhamento de Judd Apatow (Virgem aos 40 Anos, Freaks and Geeks), a série, largamente baseada na vida de Dunham, revelou-se uma espécie de Sexo e a Cidade menos glamoroso mas igualmente divertido, apresentando realidades femininas bastante diferentes daquelas vividas por Carrie Bradshaw e as amigas (entre 1998 e 2004) no cenário da sempre cosmopolita cidade de Nova Iorque.

As peripécias de Hannah (Dunham), uma aspirante a escritora de 20 e poucos anos, e das suas três imprevisíveis amigas – a sedutora Marnie (Allison Williams), a obsessivo-compulsiva Shoshanna (Zozia Mamet) e a estouvada Jessa (Jemima Kirke) – foram muitas nas três primeiras temporadas de Girls, mas voltamos à vida das quatro raparigas num momento que promete ser fraturante. Hannah decidiu, apoiada pelos pais, partir para a Universidade de Iowa para um curso de escrita. Esta mudança agita as águas não só porque não se sabe se colocará em causa a sua sempre conturbada relação com Adam (Adam Driver) mas também porque ela, apesar de todas as suas loucuras, continua a ser a cola que une as quatro Girls.

O primeiro episódio da quarta temporada, exibido esta semana na televisão portuguesa (TVSéries, quinta-feira, às 22h00), não dá grandes respostas, mas revela o suficiente para provar que Dunham continua agarrada, com unhas e dentes, à sua visão cínica e sempre polémica da vida nos grandes centros urbanos nesta segunda década do novo milénio. O que sobressai também de este retomar da história é uma agitação que se tornava urgente, tendo em conta o rumo descendente que a série começava a tomar na temporada anterior e que parecia indiciar um certo esgotamento de ideias. Girls não é o tipo de produto que se possa dar ao luxo de estagnar. Basta ver os números: a quinta temporada de Uma Família Muito Moderna (exibida na gigante ABC) conquistou uma média de 11.79 milhões de espectadores nos Estados Unidos; Girls (do canal por cabo HBO) conseguiu, com alguma dificuldade, manter a fasquia nos 800 mil por episódio ao longo da terceira temporada.

A importância desta comédia dramática não pode, no entanto, ser avaliada pelos valores de audiências que regista, deverá ser julgada, sim, pela forma ambiciosamente simples como Lena Dunham nos coloca perante quatro mulheres fortes mas tremendamente diferentes entre si, envolvendo-as em situações desafiantes e caricatas, sempre de forma tão crua que se torna impossível resistir. Do alto dos seus 28 anos, a norte-americana consegue, pelo caminho, e sem qualquer tipo de pudor, quebrar estereótipos ao atirar cada uma das personagens por si idealizadas (a sua mais do que as outras, verdade) para cenas de sexo, chocantes para os mais pudicos, que relembram que as mulheres, tal como os homens, existem em todas as formas, alturas, larguras e feitios e que a perfeição apregoada por Hollywood e pela indústria da moda começa a ficar démodé.

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