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‘Birdman’ e ‘Grand Budapest Hotel’ lideram nomeações

Os filmes mais recentes de Iñárritu e Wes Anderson somam um total de nove nomeações cada. Veja aqui a lista dos nomeados e leia os nossos comentários.

Os filmes Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância), do mexicano Alejandro González Iñárritu e Grand Budapest Hotel, do norte-americano Wes Anderson, estão contemplados com nove nomeações para os Óscares. Em número total de nomeações seguem-se O Jogo da Imitação, de Morten Tyldum – biopic sobre a figura de Alan Turing que hoje se estreia em Portugal – com oito. Com seis surgem ainda Sniper Americano, o novo filme de Clint Eastwood e Boyhood – Momentos de uma Vida, de Richard Linkater.

Meryl Styreep tem este ano a sua 19ª nomeação para um Óscar pelo papel no filme Caminhos da Floresta, batendo assim um recorde que era já seu.

A maior diferença face à premiação nos Globos de Ouro, revelada em janeiro, é a ausência nestas nomeações da atriz Amy Adams, que foi a vencedora na categoria de Melhor Atriz /  Comédia ou Musical pelo seu papel em Big Eyes, o novo filme de Tim Burton.

O compositor Alexandre Desplat tem uma nomeação dupla na categoria de Melhor Banda Sonora, onde surge tanto pelo trabalho em O Jogo da Imitação e Grand Budapest Hotel.

Recorde aqui a lista completa das nomeações:

 

Melhor Filme
Sniper Americano
Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância)
Boyhood – Momentos de uma Vida
Grand Budapest Hotel
O Jogo da Imitação
Selma
A Teoria de Tudo
Whiplash – Nos Limites

Melhor Realizador
Alejandro González Iñarritu, por Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância)
Richard Linklater, por Boyhood – Momentos de uma Vida
Bennett Miller, por Foxcatcher
Wes Anderson, por Grand Budapest Hotel
Morten Tyldum, por O Jogo da Imitação

Melhor Ator
Steve Carell, em Foxcatcher
Bradley Cooper, em Sniper Americano
Benedict Cumberbatch, em O Jogo da Imitação
Michael Keaton em Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância)
Eddie Redmayne, em A Teoria de Tudo

Melhor Atriz
Marion Cotillard, em Dois Dias Uma Noite
Felicity Jones, em A Teoria de Tudo
Julianne Moore, em O Meu Nome é Alice
Rosamund Pike, em Em Parte Incerta
Reese Witherspoon, em Wild

Melhor Ator Secundário
Robert Duvall, em The Judge
Ethan Hawke, em Boyhood – Momentos de Uma Vida
Edward Norton, em Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)
Mark Ruffalo, em Foxcatcher
J.K. Simmons, em Whiplash – Nos Limites

Melhor Atriz Secundária
Patricia Arquette, em Boyhood – Momentos de uma Vida
Laura Dern, em Wild
Keira Knightley, em O Jogo da Imitação
Emma Stone, em Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância)
Mery Streep, Os Caminhos da Floresta

Melhor Argumento Adaptado
Sniper Americano
O Jogo da Imitação
Inherent Vice
A Teoria de Tudo
Whiplash – Nos Limites

Melhor Argumento Original
Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância)
Boyhood – Momentos de Uma Vida
Foxcatcher
Grand Budapest Hotel
Nightcrawler: Repórter Na Noite

Melhor Filme em Língua Estrangeira
Ida (Polónia)
Leviathan (Rússia)
Tangerines (Estónia)
Timbuktu (Mauritânia)
Wild Tales (Argentina)

Melhor Direção de Fotografia
Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância)
The Grand Budapest Hotel
Ida
Mr. Turner
Invencível

Melhor Guarda Roupa
The Grand Budapest Hotel
Inherent Vice
Caminhos da Floresta
Maléfica
Mr. Turner

Melhor Montagem
Sniper Americano
Boyhood – Momentos de uma Vida
Grand Budapest Hotel
O Jogo da Imitação
Whiplash – Nos Limites

Melhor Caracterização
Foxcatcher
Grand Budapest Hotel
Os Guardiões da Galáxia

Melhor Banda Sonora
Grand Budapest Hotel, de Alexandre Desplat
O Jogo da Imitação, de Alexandre Desplat
Interstellar, de Hans Zimmer
Mr. Turner, de Gary Yershon
A Teoria de Tudo, de Johán Johansson

Melhor Canção
Everything is Awesome, em O Filme Lego
Glory, em Selma
Grateful, em Beyond The Lights
I’m Not Gonna Miss You, em Glenn Campbell… I’ll Be Me
Lost Stars, em Begin Again

Direção Artística
Grand Budapest Hotel
O Jogo da Imitação
Interstellar
Caminhos da Floresta
Mr. Turner

Montagem de Som
Sniper Americano
Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)
O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos
Interstellar
Invencível

Mistura de Som
Sniper Americano
Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância)
Interstellar
Invencível
Whiplash – Nos Limites

Efeitos Visuais
Capitão América: O Soldado do Inverno
Planeta dos Macacos: A revolta
Os Guardiões da Galáxia
Interstellar
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Melhor Documentário (longa metragem)
Citizenfour
Finding Vivian Maier
Last Days in Vietnam
The Salt of The Earth
Virunga

Melhor Documentário (curta metragem)
Crises Hotline: Veterans Press 1
Joanna
Our Curse
The Riper
White Earth

Longa Metragem de Animação
Big Hero 6
The Boxtrolls
Como Treinares o teu Dragão 2
Song of The Sea
The Tale of the Princess Kaguya

Curta Metragem de Animação
The Bigger Picture
The Dam Keeper
Feast
Me and My Moulton
A Single Life

Curta Metragem em Imagem Real
Aya
Boogaloo and Graham
Butterlamp
Parvaneh
The Phone Call

 

Os nossos comentários:

Nuno Carvalho: Em primeiras impressões sobre as nomeações para os Óscares 2015, salta à vista, ou melhor, choca a ausência de Clint Eastwood na categoria de Melhor Realizador com Sniper Americano (que supera Estado de Guerra, de Kathryn Bigelow). Mas, em compensação, temos a nomeação merecidíssima de Marion Cotillard para Melhor Atriz, por Dois Dias, Uma Noite, dos irmãos Dardenne. Por outro lado, confirma-se que Meryl Streep tem nomeação cativa. Quanto às nove nomeações de Grand Budapest Hotel, não nos iludamos – o mais certo é acabar só com a estatueta para Melhor Direção Artística…

 

Diogo Seno: Não foi nenhuma surpresa, mas com agrado se verificou que a academia ainda encontra espaço para realizadores como Wes Anderson e as suas idiossincrasias. Mas se o filme foi nomeado nas categorias principais, porque falta Ralph Fiennes na categoria de melhor actor, ele que é o centro do filme, e fez a transição de papéis mais sérios para universo de Anderson com tanta graça?

Além do mais, a ausência de Foxcatcher na categoria de melhor filme, significa que Bennett Miller é um dos cinco melhores realizadores segundo a academia, mas o seu filme não tem as qualidades de um “melhor filme”?

A abertura da categoria de Melhor filme a 10 nomeados continua a causar alguma perplexidade: além de separar a qualidade dos filmes dos seus feitores (só podem nomear-se 5 nas outras categorias), dá espaço a mal-entendidos como este. Não havia mais dois filmes, entre os tantos que estavam supostamente na corrida, capazes de completar a lista de melhor filme? 

 

Rui Alves de Sousa: As nomeações aos Óscares nada revelam de novo, em relação às intenções e critérios da Academia, e reforçam, aliás, todos os estereótipos que a ela temos associado nos últimos anos. Muitos dos filmes favoritos noutras cerimónias de prémios conquistaram aqui o seu lugar, e cumpre-se o espaço dedicado a “outros” filmes na categoria principal, com a inclusão de Selma e Whiplash – Nos Limites – que embora, como tão bem sabemos, irão sair da gala de mãos a abanar, a Academia sabe que lhe “fica bem” colocar esses nomeados junto dos verdadeiros vencedores para a Academia (algo semelhante com a animação de Isao Takahata na categoria respetiva).

Como sempre, há ótimos títulos que ficaram de fora (como Nightcrawler – Repórter da Noite, reduzido apenas à categoria de Melhor Argumento Original, e a exclusão de O Filme Lego da Animação) e algumas distinções que, à primeira vista, nos parecem ridículas (como Meryl Streep a receber, como manda a tradição, mais uma nomeação para um papel que nem merecia qualquer tipo de mérito). Há ainda destaque para algumas surpresas que, no fundo, não assim tão surpreendentes (Marion Cotillard só está nomeada, devido ao filme dos irmãos Dardenne, porque é uma atriz muito bem enraizada no establishment da indústria norte americana), e para algumas incoerências (Bennett Miller nomeado para Melhor Realizador… e Foxcatcher não se encontra na categoria mais importante?).

Mas o que parece mesmo importante salientar neste conjunto de nomeações é a persistência da Academia em homenagear os filmes formatados… para a Academia, ou que vão, pelo menos, a favor dos gostos dos académicos que a compõem. Biopics fofinhos e emocionais como O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo cumprem, ao que parece, essa função, e em Boyhood confunde-se a inovação cinematográfica de Richard Linklater com os escassos valores criativos de todos os outros elementos do filme (que não são menos importantes, como é óbvio).

Contudo, é até de louvar o facto de estarem presentes filmes como Birdman e Grand Budapest Hotel, grandes produções de Hollywood que, apesar de possuírem um tom e uma originalidade muito particulares, são muito mais indie do que os tais objectos “made for the Oscars”. Cumprem o papel de “nomeados que mostram a originalidade que Hollywood ainda tem, mas que não vão levar nada para casa”. E apesar de serem filmes que receberam tanto aplausos como assobios da crítica, não deixam de ser dois títulos incontornáveis do ano passado, e dos poucos filmes que se sobressaem por terem uma imagem própria e que não pode ser associada com mais nenhuma outra estreia da temporada.

2014 foi um bom ano de cinema, e como é já habitual, os Óscares não incluem nem de perto, nem de longe, o melhor dessa colheita. Ai daquele que ainda considere estes prémios como um indicador infalível de qualidade cinematográfica. Só esperamos mesmo é que a cerimónia deste ano não seja um desastre de tão grandes proporções, como foi a anterior…

2 Comments on ‘Birdman’ e ‘Grand Budapest Hotel’ lideram nomeações

  1. O Whiplash não vai sair de mãos a abanar. JK Simmons é seguro, pelo menos. E Birdman também não, como é dito no texto. Michael Keaton é quase certo e ainda deve levar mais uns 2 ou 3 (talvez 4). O mesmo para o Grand Budapest Hotel (não muitos, é certo). Esses “filmes formatados” é que devem ir “de mãos a abanar”… talvez só o argumento adaptado do The Imitation Game e, possivelmente, a banda sonora do The Theory of Everything. Nem tudo está mal. Acho que os nomeados este ano são mais indie e menos “blockbuster” como têm sido em alguns anos… a Academia podia ceder à tentação de nomear o “Interstellar” para captar as audiências que escasseiam e não o fez. Nem “Gone Girl”, que é um dos grandes sucessos comerciais deste tipo de filmes, conseguiu nomeações substanciais (à parte da Rosamund Pike).

    É, no entanto, uma falácia colocar o Boyhood no mesmo saco dos dois anteriores. Não é um típico Oscar bait, porque até estreou em Sundance, passou por Berlim e teve o seu lançamento comercial no Verão (nada típico para um filme feito para “agradar” à Academia) Não foi, de todo, um daqueles projetos feitos a pensar em Óscares (ou o Linklater há 12 anos atrás pensava “deixa-me lá começar isto para ser nomeado em 2015, porque até lá os meus ‘Before’s não vão ter hipótese”?)

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  2. ruialvesdesousa // Janeiro 15, 2015 às 9:34 pm // Responder

    Viva João!
    De mãos a abanar irão quase de certeza sair de quase tudo… mas é totalmente certo que não ganharão o Melhor Filme.
    Infelizmente, parece-me que o prémio principal cairá entre um dos candidatos mais óbvios. Contudo, se fosse entregue ao senhor Wes, eu ficaria extremamente contente.
    Coloquei o “Boyhood” no mesmo saco porque é um acidental “Oscar bait”. Toda a gente desculpa o facto de ter gostado do filme por ter sido filmado durante 12 anos. Mas a história é do mais banal e Hollywoodesco que há. Portanto, facilmente agradável para os Académicos da Academia.

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