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Em busca do sucesso perdido

Texto: NUNO GALOPIM

Depois do incompreendido ‘Dazzle Ships’ em 1984 os OMD recuperaram em ‘Junk Culture’ uma relação menos experimental com a canção pop.

Pormenor da capa de "Junk Culture"

Entre a obra-prima que gerou vendas globais e entusiasmo generalizado que partiu de Architecture & Morality (1981) e o mais experimental (e magnífico), mas comercialmente desastroso, Dazzle Ships (1983) os Orchestral Maouevers In The Dark (OMD para simplificar as coisas) experimentaram um daqueles valentes trambolhões que por vezes deixam marcas. Um ano depois do monumento conceptual que haviam criado nesse disco de 1983 – que um dia será devidamente reconhecido como um dos mais interessantes dessa geração pop electrónica em solo britânico – os OMD apresentam em Junk Culture um disco claramente pensado para reencontrar o perfil pop de grande tiragem pelo qual a sua obra se estava a desenhar em inícios da década. E com melhores resultados que em quaisquer dos discos que chegaram depois – onde muitas vezes pouco “sumo” havia além dos singles, aqui encontramos um álbum que, mesmo sem as composições mais inspiradas do disco de 1981 e longe de propor os desafios do de 1983, conseguia ao menos gerar uma coleção de canções capaz de cativar sem vender a alma ao diabo.

Junk Culture é um fruto do seu tempo. Assimiladas as referências (muito evidentes nos dois primeiros singles e álbuns) e encontrada uma linguagem – que vivia do encontro da voz muito característica de Andy McLuskey com uma pop electrónica frequentemente luminosa – os OMD apresentam neste álbum sinais de integração de novas ferramentas (nomeadamente um sampler Farlight), traduzindo a nitidez da produção, mais ambiciosa e coassinada por Brian Trench e o próprio grupo, marcas claras dos sabores daquele tempo. Apesar daquela comichão incómoda, ao estilo acridoce, que resulta da soma – pouco consequente, diga-se – de metais a temas como Locomotion e All Wrapped Up (este talhado sob forçado clima caribenho), o álbum revela uma boa coleção de canções. Num mesmo 1984 em que contemporâneos como os Soft Cell fechavam a loja, os Human League tropeçavam em Hysteria, os Heaven 17 deixavam fugir o viço em How Men Are e Gary Numan começava a perder o Norte em Berserker. Junk Culture manteve os OMD num outro patamar embora, por essa altura, melhor pop feita com electrónicas caminhasse entre discos de nomes como os Depeche Mode, Art of Noise, Bronski Beat, Propaganda, Yello ou Blancmange, por exemplo.

Uma edição especial de Junk Culture entra agora em cena como uma das primeiras grandes reedições de 2015. Em formato de CD duplo o disco junta como extra, no CD2, os lados B dos quatro singles extraídos do álbum – Tezla Girls, Talking Loud and Clear, Never Turn Away e Locomotion, as versões máxi então lançadas nos doze polegadas e três maquetes até aqui inéditas.

OMD
“Junk Culture – Deluxe Edition”
2 CD, Universal
3 / 5

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