Filmes de escola de Lars von Trier abrem hoje o Córtex 2015
Dois filmes de Lars von Trier nunca exibidos entre nós fazem este ano a abertura do Córtex – Festival de Curtas-Metragens de Sintra, que decorre entre os dias 12 e 15 de fevereiro entre os espaços do Centro Cultural Olga Cadaval e o Museu das Artes de Sintra (MU.SA). Realizados ainda enquanto aluno, Nocturne e Befrielsesbilleder / Image of a Relief dão o tom para uma noite de abertura que, depois dos filmes, propõe uma conversa em volta da obra do realizador com Peter Schepelern, seu antigo professor e um dos teóricos que mais atenção têm dedicado ao seu trabalho.
Figura controversa, Lars von Trier “tem dividido e muito opiniões”, reconhece em declarações à MdE Michel Simeão, um dos diretores do Córtex. “Hoje em dia o olhar sobre a sua obra mais recente não tem sido tão generoso como já foi noutros tempos”, alerta. Ainda assim, e “talvez exatamente por isso”, a equipa de programação do festival sentiu a “necessidade de relembrar que a obra de Lars von Trier vai muito para além das mais recentes críticas” que, diz, “não devemos deixar que o rotulem”. Lars von Trier foi um realizador que “reuniu muito consenso quanto à sua genialidade durante muitos anos” e esta homenagem é, na opinião da equipa do Córtex, “mais do que merecida”. A proposta do festival traz, de facto, algo de novo entre nós: a ideia é a de “mostrar a génese dos primeiros impulsos criativos de uma mente povoada com um imaginário único que brinda o espectador com uma paleta emocional avassaladora”.
A programação não esgota em Von Trier um foco de atenção pelo espaço do cinema dinamarquês (em que se fez referência). E abre um espaço à Danish Film School, onde se formou. “A nova secção Hemisfério vai permitir fazer essa ponte onde estarão programadas este ano curtas-metragens realizadas na mesma escola frequentada pelo realizador”, revela Michel Simeão. Este espaço abrirá, daqui em diante, “portas a uma instituição internacional dedicada ao cinema”.
Além desta nova secção, uma outra aposta na programação traz algo de novo nesta quinta edição do Córtex: o cinema para os mais pequenos, e este “é sem sombra de dúvida um dos mais importantes objectivos concretizados” desta edição. A Associação Reflexo, que produz o festival, “dedica grande parte do seu trabalho há já 15 anos à produção de teatro para a infância por todo o país”, explica Michel Simeão, pelo que “faz todo o sentido” dar este passo. Até agora o Córtex nunca tinha “tido a disponibilidade financeira para o poder fazer”, mas era algo que fariam “assim que houvesse espaço para esse investimento, e assim foi”. A Câmara Municipal de Sintra, diz Michel Simeão, “recebeu muito bem a ideia e o Mini Córtex e o espaço de cinema em competição dedicado aos mais novos passou a ser uma realidade”. Para concretizar esta ideia procuraram “mestria de quem faz e faz muito bem este tipo de programação” e por isso mesmo surgiu ali uma parceria com o Festival Monstra para definir a programação desta nova secção.
O festival mantém a sua Competição Internacional, que este ano é composta por 12 curtas e a Competição Nacional, na qual serão exibidas 16 curtas produzidas entre 2013 e 2014. Margarida Vila Nova, Filipe Vargas, Inês Medeiros, Pedro Filipe Marques e Manuel Mozos serão os júris desta edição do festival.
A programação estende-se também ao MU.SA, Museu das Artes de Sintra, onde decorrerá uma Masterclass do realizador João Canijo e da atriz Anabela Moreira, um workshop de cinema de animação para crianças, e dois concertos. Um com o músico dinamarquês Mikkel Solnado e um outro com a violinista Lilia Donkova e o acordeonista Gonçalo Pescada, a acompanhar a projeção de imagens do realizador dinamarquês Carl Dreyer.
Ao contrário do calendário habitual, em 2015 o Córtex chega no início do ano. O conjunto de “mudanças no que diz respeito à dinâmica da programação, com novas secções, eventos paralelos e pela primeira vez em coprodução com a Câmara Municipal de Sintra” levaram-nos a adiar a edição de 2014 para o início deste ano. Por isso, “fez sentido para a direção do festival estabelecer um marco que refletisse esta mudança também no calendário”. – N.G.

Acho que vai ser muito bom!
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