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A alegria nunca é breve

Texto: JORGE REIS-SÁ

“Alegria Breve”, de Vergílio Ferreira, completa em 2015 cinquenta anos sobre a sua primeira edição.

Quando se lê Vergílio Ferreira, a alegria tem o tamanho do tempo do livro. Neste caso são algumas horas, se quisermos ser excessivos. Dias, se quisermos ser parcimoniosos. Alegria Breve, cuja primeira edição completa este 2015 cinquenta anos, é um livro que nunca terminarei. Decidi isso hoje, quando estou a meio.

Já comecei o primeiro capítulo tantas vezes, que percebi que já me dei muito em ter continuado até onde estou. Agora pararei, regressarei à Águeda sendo enterrada nas traseiras da casa, à descrição da neve e da cova que ficou curta demais e as pernas flectidas para sempre. Jaime, esse homem novo como é sempre novo o Homem em Vergílio Ferreira; mas esse homem velho como é sempre velho cada homem em Vergílio Ferreira. O livro foi editado em 1965, tinha o autor 39 anos. Mas, como em todos os seus livros, o Jaime era um velho no espírito recordando um passado distante e tão próximo.

O livro é bom demais para que se termine. Já li quase todos os livros do Vergílio Ferreira. Daqui a pouco fico sem livros dele para ler e ainda conto viver mais umas dezenas de anos. A alegria só é breve se não se parar a tempo. É altura de não terminar o livro. E permitir que a Alegria Breve persista para sempre. “Para Sempre”, não é?

Vergílio Ferreira
Alegria Breve
Quetzal, 272 pp.
978-989-722-205-4
5/5

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