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Nino Rota: entre o cinema e a sala de concerto

Texto: NUNO GALOPIM

Entre referências à música para os filmes ‘La Strada’, de Fellini, e ‘O Leopardo’, de Visconti, e uma obra para piano e orquestra, um disco pela Orquestra da Cidade de Granada faz um breve retrato do compositor.

"La Strada"

Foi através do cinema que o nome de Nino Rota (1911-1979) se fez referência familiar, sobretudo através de colaborações marcantes com nomes como os de Frederico Fellini, Franco Zefirelli, Francis Ford Coppola e Luchino Visconti. E quantas vezes algumas das marcas características do cinema destes nomes não foram senão expressões das suas ligações. Como, tal como o pianista Benedetto Lupo referia em 2005 no booklet da edição original deste disco, a ideia de uma “marcha felliniana”… Não seria antes uma marca de Nino Rota?

Nascido em Milão em 1911, começou a estudar com Giacomo Orefice e Idelbrando Pizzetti, este último um dos elementos do chamado gruppo dell’ottanta, um conjunto de compositores que acabaram relacionados pelo facto de terem nascido na década de 80 do século XIX. Estes primeiros contactos criaram um interesse por uma música de alma romântica e com marcas claramente italianas, que tomou como ponto de partida para a construção da sua identidade. No início dos anos 30 viajou, apoiado por uma bolsa de estudos, até aos EUA. Estudou em Filadélfia, e nos fins de semana visitava o apartamento de Arturo Toscanini, em Nova Iorque, onde então conheceu compositores como Aaron Copland, Samuel Barber ou Vaughan Williams, este último acabando por representar outra das suas grandes referências formativas, o seu paisagismo muitas vezes reflectido não apenas na música para cinema, mas também na obra sinfónica…

Foi junto de Fellini que Nino Rota definiu a sua mais profunda relação com um outro autor. E o realizador era mesmo o primeiro a reconhecer que tudo mudava nos seus filmes quando o compositor entrava em cena. E fê-lo muitas vezes, definindo mesmo momentos icónicos na história da relação entre música e cinema em títulos como La Strada, (1954), La Dolce Vita (1960), 8 1/2 (1962), Satyricon (1969) ou Amarcord (1973).

O nome de Nino Rota não esgota contudo no cinema toda a dimensão do seu trabalho. A sua obra para a sala de concerto não é de todos menos interessante. E nos últimos tempos tem-nos sido revelada (ou recordada) sobretudo através de uma série de edições asseguradas pela Chandos.

Esta reedição de um disco de 2005, registado pela Orquestra da Cidade de Granada, dirigida por Josep Pons e contando com Benedetto Lupo ao piano tem em conta esses dois mundos entre os quais nasceu a obra de Nino Rota. Do cinema chega uma suite orquestral criada em 1966 a partir da banda sonora de La Strada (1954) de Fellini e as danças compostas para O Leopardo de Visconti (1963). O alinhamento junta ainda Concerto Soirée, para piano e orquestra, de 1962. Em conjunto evocam-se heranças do romantismo, pensadas segundo um plano narrativo que o cinema devolveu à música, numa altura em que muitas demandas de novos compositores e escolas seguiam outros caminhos.

‘La Strada / Il Gattopardo / Concerto Soirée’, de Nino Rota, pela Orquestra Ciudad de Granada, dirigida por Josep Pons, foi originalmente lançado em 2005 pela Harmonia Mundi numa edição com um booklet de 84 páginas. Uma redição, pela mesma editora, chegou aos escaparates em finais de 2014.

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