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O movimento ‘new romantic’ em 10 canções

Texto: NUNO GALOPIM

Em jeito de homenagem a Steve Strange, aqui fica um panorama do movimento que ajudou a desenhar e que juntou nomes como os Visage, Spandau Ballett ou Duran Duran. Inclui playlist.

Visage

O desaparecimento de Steve Strange (1959-2015) serve aqui de pretexto para recordarmos não apenas os Visage mas todo um movimento que o teve como um dos principais ícones e visionários. Surgiram na noite londrina em finais dos anos 70, sobretudo associados a um coletivo que tinha como DJ Rusty Egan (que havia militado nos Rich Kids), que cruzava discos de nomes como os Kraftwerk, The Normal, Ultravox ou David Bowie… Chamam-lhes muitas vezes as Bowie Nights, porque essa era a voz principal na ementa de sons e alma fulcral como fonte de inspiração. De resto, era nos ecos de liberdade do glam rock, na sua exuberância visual que desafiava não apenas as mais delirantes visões de glamour para guarda roupa e maquilhagem, como os códigos de identidade de género, que se moldava depois a materialização humana dos que podiam passar da porta e entrar nessas festas. Quem ia com indumentária de todos os dias não passava. E quem estava à porta, a dar o sim e os muitos nãos não era senão… Steve Strange.

Da música dos outros a uma banda sonora própria foi um salto. E se os Visage deram o primeiro passo em 1979 editando o single Tar, em pouco tempo a vibração que dessas noites começava a passar para a imprensa – sobretudo através da revista The Face e do jornal Melody Maker – gerou não apenas entusiasmo entre músicos como apetites entre editores. De ‘Blitz kids’ os que alinhavam por estas coordenadas passaram a ver-se rotulados como new romantics (por cá chamávamos-lhes neo-românticos ou mesmo futuristas). E as bandas iam surgindo, seguindo estas sugestões de sons e imagens a preceito… Ao mesmo tempo outras, que já por cá andavam, reinventavam-se segundo novos comprimentos de onda (Ultravox). E outras mais vestiam a pele do entusiasmo (mesmo tendo depois refutado quaisquer ligações ao movimento (Japan, Adam & The Ants)…
Foi uma euforia relativamente curta, sobretudo expressiva entre 1980 e 1982. Com revivalismos mais tarde via romo e electroclash… A crítica da época, salvo raras exceções, sovava a coisa a palmadas sonoras. Curiosamente, anos mais tarde, bandas “alternativas”, dos Smashing Pumpkins às Hole entre tantas mais, começaram a apontar alguns destes nomes entre as suas referencias. E a virulência de outrora transformou-se em patine vintage. Merecida, digo eu.

Visage “Fade To Grey” (1980)
É talvez a canção-paradigma do movimento. Single extraído do álbum de estreia dos Visage, vinca a presença das electrónicas num tema pensado para a pista de dança mas que não esquece o tom assombrado que a cenografia dos arranjos não esconde.

Spandau Ballet “To Cut a Long Story Short” (1980)
O álbum de estreia dos Spandau Ballet é uma das pérolas de referência do movimento. E tem em singles como este e o sucessor The Freeze dois exemplos de uma pop vitaminada por uma secção rítmica angulosa, que revela a relação com a pista de dança desta música.

Duran Duran “Planet Earth” (1981)
O single de estreia dos Duran Duran é outra das referencias-chave do movimento, sublinhando a ligação à dança com uma ainda mais evidente presença de marcas do disco sound. O teledisco evoca os passos de dança da época e a letra refere mesmo a expressão “new romantic”.

Classix Nouveaux “Guilty” (1981)
Depois de dois singles quase invisíveis, os Classix Nouveaux lançam o primeiro álbum Night People (1981) em tempo de mediatização maior do movimento. Não foram particularmente bem sucedidos no Reino Unido, mas entre nós rivalizaram a par e passo com os Duran Duran.

Ultravox “New Europeans” (1980)
Depois da saída de John Foxx, os Ultravox ganharam novo fôlego (e direção) com a entrada em cena de Midge Ure, que então era uma das forças criativas nos Visage. Essa herança próxima espelhou-se em Vienna, o primeiro álbum da nova formação, onde surgiu esta canção.

Japan “Quiet Life” (1980)
Os Japan nunca devem ter gostado muito de se ver associados – pelos media – ao movimento. Mas a verdade é que quando mudam – radicalmente – de som e imagem em 1980, revelam-se espantosamente em sintonia com os nomes de proa da família new romantic.

A Flock of Seagulls “I Ran” (1982)
Como em qualquer movimento há os que lançam ideias, os que ganham visibilidade e depois os que aproveitam o comboio em andamento. Os A Flock of Seagulls acabam por entrar em cena já nessa terceira etapa. Forçada ou não, a sua presença entre os demais grupos nunca chocou ninguém.

Landscape “Einstein A Go-Go” (1981)
Depois de um arranque de discografia mais perto do jazz, os Landscape apresentam-se em 1981 ao lado da sonoridade do movimento com um segundo álbum que foi precedido por este single. O grupo integrava Richard James Burgess, o produtor dos primeiros discos dos Spandau Ballet.

Dramatis “Oh 20 25” (1981)
Eram elementos da banda que acompanhava Gary Numan, e quando este anunciou uma retirada dos palcos em 1981 (após dois anos de intensas digressões) formaram uma banda e gravaram o álbum For Future Reference onde o próprio Gary Numan acabou por colaborar (*)

Adam and The Ants “Stand and Deliver” (1981)
Adam Ant foi um dos peões do movimento punk londrino e o álbum de estreia da sua banda representa uma peça marcante do pós-punk local. A adoção de uma imagem que cruzava memórias de hussardos, príncipes e piratas acabou por associá-lo aos neo-românticos. Mais que a música, de facto…

 

Podem escutar aqui estas dez canções.

(*) a verão na Playlist não corresponde à do álbum dos Dramatis, mas a uma gravação apadrinhada por Gary Numan, algo próxima da original.

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