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Por onde têm andado os The Orb?

Texto: NUNO GALOPIM

Nome marcante do ‘ambient house’, o projeto que tem Alex Patterson como timoneiro prepara novo álbum e apresenta aqui um olhar antológico sobre o que fez ao longo da última década.

Talvez mais ainda que nos espaços pop/rock, as “bandas” de música electrónica raramente têm uma carreira longa capaz de manter vibrante e inventiva a sua obra num patamar em que as ideias, em tempos, delas terá feito referência maior. Falo de “bandas” (leia-se grupo de músicos) e não projetos individuais, onde a capacidade de repensar caminhos e mesmo ferramentas técnicas dependem de uma cabeça que decide e não de uma democracia entre dois ou mais votantes. Há naturalmente exceções, como notamos em casos particulares como o serão os Portishead (bissextos na sua produção e talvez por isso capazes de pensar diferente de disco para disco) ou uns Daft Punk (goste-se ou não da inflexão mais “mainstream” do último disco, a verdade é que sustenta uma ideia de carreira ativa e capaz de cativar atenções).

Como os 808 State, Future Sound of London, Fluke ou Orbital os The Orb são um fruto direto de um momento na história da música de dança em que, fruto da mediatização e reconhecimento crítico (e popular) nascido em finais dos oitentas, um novo mundo de possibilidades e atenções se abriu a estes horizontes da produção musical, facto que a liberalização do acesso a algumas tecnologias também ajudou. Os The Orb, que chegaram a ganhar espaço de grande notoriedade nos cartazes dos grandes festivais de verão – algo até então dado como feudo para o rock e satélites mais próximos ou universos com gostos partilhados -, foram sobretudo um nome central na afirmação de um terreno de expressão de uma música electrónica feita de arquitetura capaz de respeitar princípios escutados na música de dança mas mais dada ao chill out numa sala ao lado da pista de dança que no foco maior das atenções daqueles momentos em que alma e músculos se unem em movimento. Ambient house dizia-se então, cabendo ao álbum The Orb’s Adventures Beyond The Ultraworld – de facto uma obra marcante – um papel de paradigma entre os seus contemporâneos.

A carreira dos Orb já começara algum tempo antes, desde cedo tomando na figura do ex-Killing Joke Alex Patterson o seu timoneiro. Antes do álbum de 1991 nomes como os de Youth e Jimmy Cauty (dos KLF) ajudaram a definir caminhos. Depois do álbum a carreira dos Orb continuou, passando por várias formações e colaboradores, caminhando a dada altura para fora do espaço da Island Records que lançara esse álbum histórico e os seus mais diretos sucessores, editando discos em selos em nada secundários como a Kompakt Records ou Cookling Vinyl.

Agora, numa altura em que se prepara a edição de um 15º álbum, a antologia History of The Future Part 2 continua o contar da história que um primeiro volume editado pela Island em 2013 nos recordara. Entre a produção dos últimos dez anos surge aqui uma carta de memórias que revelam como se alargaram os caminhos e frentes de exploração da música de Alex Patterson. De ecos diretos da ambiente house que tem os Orb por referência ou do tecno minimal pós-milénio, passando por pontuais experiências nos formatos da canção (Love Is The Answer é uma delícia pop), a antologia não deixa dúvidas que não há por aqui argumentos que possam levantar comparações às memórias do que for a obra do grupo, sobretudo entre 1990 e 1993. Mesmo assim há vários instantes merecedores de alguma atenção – como em Ripples, onde ensaiam um diálogo entre heranças do acid house e a cultura ambiente, com o dub por perto, em Chuck’s Peaks onde revisitam caminhos deep house em toada suave, valendo a pena referir ainda o encontro acid minimal de Eurofen ou Baghdad Batteries, que sublinha um saber cenográfico que já conhecíamos de vários momentos anteriores e se manifesta aqui em várias frentes e ocasiões. Nota-se então como, mesmo sem o mediatismo ou a capacidade para morar na linha da frente da invenção de outrora, Alex Patterson e os colaboradores com quem foi trabalhando ao longo dos anos continuam a viajar pelo universo que ajudou a definir. Talvez não tenha andado pelas galáxias mais iluminadas… Não é caso para preocupação. Há mais tripulações por aí.

“History Of The Future – Part 2”
The Orb
3 CD + DVD, Malicious Damage
3 / 5

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