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Roma na banda desenhada não é só Alix e Astérix

Texto: EURICO DE BARROS

O novo número temático da revista ‘dBD’, dedicado à representação de Roma na Banda Desenhada, é um item indispensável de consulta e de colecção, pela qualidade, variedade e quantidade dos artigos, das entrevistas e da iconografia, mas também por contar com a colaboração de historiadores e arqueólogos.

As Águias de Roma

Quando se fala em banda desenhada (BD) e em Roma, o que vem natural e imediatamente à cabeça são as aventuras de Alix e as de Astérix. A revista francesa especializada francesa dBD decidiu fazer um número especial temático intitulado Rome dans la Bande Dessinée, para mostrar que a representação da Cidade Eterna na BD não se limita àquelas duas séries históricas. Além de recordar outras séries mais recentes, como Murena, da autoria do falecido Philippe Delaby e de Jean Dufaux, ou As Águias de Roma, de Enrico Marini, e de se debruçar detalhadamente sobre Roma, a nova saga em vários volumes assinada por um grupo de autores, esta revista de colecção vai mais longe e não se limita a falar de páginas impressas, a dialogar com artistas e argumentistas e a fazer pré-publicações exclusivas, como é o caso dos esboços da seis primeiras pranchas da próxima aventura de Alix, Par-delà le Styx. Assim, encontramos também em Rome dans la Bande Dessinée artigos de historiadores e de arqueólogos, que abordam temas como a representação de Roma antiga na cultura popular, nomeadamente na pintura e nas artes gráficas, a sexualidade dos romanos ou o grande incêndio que consumiu a cidade no ano 64 (este ilustrado com desenhos do tomo 8 da série Murena), entre outros.

Após o indispensável cartoon de abertura assinado por Vuillemin, e na longa peça que inaugura esta revista, Henri Filippin leva-nos num exaustivo passeio por todas as histórias e séries de BD que têm Roma como cenário, qualquer que seja a época em que se passem, da era clássica aos nossos dias, dando o mote, em qualidade de conteúdo e de iconografia, para os restantes artigos que enchem as 114 páginas de Rome dans la Bande Dessinée, que também incluem entrevistas com nomes como Marc Jailloux, o actual desenhador de Alix e cujo estilo está mais próximo do de Jacques Martin; Enrico Marini, o responsável pela já citada As Águias de Roma, ou Didier Convard, que evoca o falecido Gilles Chaillet, desenhador da série histórica Vasco, e colaborador de Jacques Martin em Lefranc, As Viagens de Alix e As Viagens de Orion, e autor do monumental La Rome des Césars. Chaillet consagrou-lhe 30 anos da sua vida e este álbum, onde encontramos a Roma do século IV da nossa era desenhada bairro por bairro, rua por rua, edifício por edifício, tornou-se rapidamente numa obra de referência nas universidades e nos museus. Por apenas 10,80 euros, Rome dans la Bande Dessinée é um dos melhores, mais recompensadores e mais duradouros investimentos que podemos fazer este ano em termos de publicações de e sobre banda desenhada.

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