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Texto: MÁRIO RUI VIEIRA

‘House of Cards’, a série que transportou o comum dos mortais para os bastidores da Casa Branca, regressa hoje para uma terceira temporada.

É legitimado por (e com a responsabilidade acrescida de) finalmente ter vencido o Globo de Ouro para Melhor Ator em Série Dramática que Kevin Spacey volta a vestir a pele de Frank Underwood, o político que todos adoramos odiar – ou será o contrário? E fá-lo, na terceira temporada de House of Cards – hoje, às 21h30, no Canal TVSéries –, como novo Presidente dos Estados Unidos da América. Barack Obama, o verdadeiro, já veio a público defender que Veep, comédia protagonizada por Julia Louis-Dreyfus, retrata de forma mais fiel aquilo que se passa em Washington do que House of Cards, mas custa-nos acreditar que as ações alimentadas pela ambição desmedida do casal Underwood – Spacey aqui maravilhosamente bem acompanhado por Robin Wright, também já galardoada com um Globo de Ouro pelo seu papel – não sejam um bom espelho dos meandros da política norte-americana.

Depois de duas séries recheadas de peripécias e volte-faces, muitas traições, conspirações e até assassinatos, é com grande expectativa – e algum receio – que aguardamos os novos desenvolvimentos da trama: agora que Underwood conseguiu finalmente aquilo por que tanto lutou, será que os argumentistas vão conseguir mantê-lo no seu melhor e continuar a polvilhar os novos episódios com os condimentos que nos mantiveram colados ao ecrã nas temporadas anteriores?

Sabemos que a relação dos Estados Unidos com a Rússia vai ganhar grande destaque – estão até confirmadas as participações de Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina, da banda punk russa Pussy Riot – e, obviamente, isso trará toda uma nova dimensão à série. Tão interessante quanto (se não mais interessante que) a forma como Frank se vai comportar ao comando da nação, será ver como Claire (Wright) abordará as suas novas tarefas enquanto primeira-dama. A defesa de causas humanitárias não é algo a que a consigamos associar facilmente.

O trailer que apresenta o que está para vir termina com Claire a exclamar, tão transtornada quanto a sua gigantesca contenção lhe permite, “somos assassinos, Francis” e o marido a responder-lhe, previsivelmente, “somos sobreviventes”. Não poderia haver melhor forma de sumarizar a enorme interdependência do casal: apoiam-se nos piores momentos, mas fica sempre no ar que, a qualquer momento, caso Frank falhe ou caia em desgraça, a agora primeira-dama não terá grandes problemas em saltar do barco.

House of Cards pode ter como palco a política, mas é incrível o modo como explora as forças e fraquezas do ser humano, colocando as personagens em situações que, por muito exageradas que por vezes sejam, as fazem reagir de formas que deixam o espectador a questionar-se sobre os seus próprios valores.

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