Entre ecos da tradição
Texto: RUI ALVES DE SOUSA
Baseado numa popular história tradicional do Japão, o novo filme de Isao Takahata (um dos nomes mais sonantes dos Estúdios Ghibli, responsável pela angustiante tragédia animada O Túmulo dos Pirilampos) vai mais além do que a mera “adaptação literária”. Utilizando uma técnica de animação bastante curiosa, semelhante à utilizada em A Família Yamada, mas possuindo também contornos de um autêntico storyboard, O Conto da Princesa Kaguya é uma singular recriação dos mitos fantásticos da cultura de um país e da beleza das suas histórias, dos seus segredos e da magia incondicionalmente ligada ao estilo dos estúdios de animação mais conhecidos do Japão.
Nomeada ao Oscar para Melhor Filme de Animação (prémio que, tal como em 2013 sucedeu com As Asas do Vento, foi entregue a uma produção da Disney), esta história de fantasia sobre uma personagem insólita que se vê confrontada com as alegrias e as amarguras da vida na Terra, e das idiossincrasias dos seus habitantes, pode não ter grande sentido, lógica ou credibilidade nos seus elementos narrativos (no desfecho do filme poderão surgir várias perguntas ao espectador sobre qual a justificação para a união de todos os elementos dispersos da história ).
No entanto, Isao Takahata delicia o nosso olhar com uma série de cativantes imagens, cores, sons e emoções, que se sobrepõem em relação ao nível mais formal e linear que poderia ter sido utilizado para filmar as desventuras das personagens. É essa a característica mais importante de O Conto da Princesa Kaguya, porque faz com que esta seja uma peça lindíssima de cinema e incontornável na história recente da animação japonesa contemporânea.

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A ver, obrigatoriamente 🙂
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