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Máquina de Escrever ao Vivo: as escolhas

A primeira edição da “Máquina de Escrever ao Vivo” decorreu na tarde de 24 de abril na Fnac Chiado, com os livros na berlinda. Aqui ficam os títulos que geraram conversa, apresentados por quem os escolheu.

Helena Bento

  • “O Crocodilo que Voa – Entrevistas a Luiz Pacheco”, organização e introdução de João Pedro George
    Publicado pela primeira vez em 2007 pela Tinta-da-China, e agora reeditado pela mesma editora, O Crocodilo que Voa (título de um desenho de Cruzeiro Seixas, pintor e figura importante do surrealismo português) reúne entrevistas a Luiz Pacheco (1925-2008) publicadas originalmente em jornais e revistas entre 1992 e 2008, e selecionadas pelo próprio e por João Pedro George, autor de uma biografia sobre o escritor.
  • “50 Year Argument”, de Martin Scorsese
    Lançado em 2014, o documentário de Martin Scorsese sobre a New York Review of Books, que estreou na HBO depois de ter sido exibido em festivais de cinema, recorre a imagens de arquivo e a testemunhos de alguns colaboradores (Darryl Pinckney, Daniel Mendelsohn, Joan Didion). Scorsese filma ainda no escritório da revista, onde é constante a presença de Robert Silvers (editor da revista desde a sua fundação, em 1963), e o seu empenho na conceção e preparação de cada número.
  • “Il Giovane Favoloso”, de Mario Martone
    O filme de Mario Martone sobre Giacomo Leopardi, poeta, ensaísta, filólogo e tradutor, e representante do romantismo italiano, foi nomeado para o Leão de Ouro na 71.ª do Festival de Veneza. Em Portugal foi exibido numa sessão única, na Festa do Cinema Italiano (que se realizou em Lisboa e tem início este sábado nas Caldas da Rainha). Mario Martone filmou em três sítios diferentes, Recanati, Florença e Nápoles, lugares que deixaram uma marca indelével em Giacomo Leopardi (soberbamente interpretado pelo ator italiano, Elio Germano).
  • “Actual Air”, de David Berman
    No início dos anos 90, quando frequentava o mestrado em Poesia, David Berman (líder dos americanos Silver Jews) enviou os seus poemas para a American Poetry Review, que os rejeitou um a um. Berman não desistiu, continuou a escrever e a publicar mais tarde (noutras revistas). Rob Bingham, editor da revista City Books, e grande admirador do seu trabalho incentivou-o a publicar um livro, dizendo que, se preciso fosse, fundaria uma editora de propósito para isso. Assim o fez, e em 1999 a Open City Books publicou Actual Air, que reúne, entre outros, o célebre e magnífico “Self-Portrait at 28”.

João Lopes

  • “O Mundo de Ontem”, de Stefan Zweig
    Um livro marcado por muitas componentes trágicas: Zweig concluiu-o na véspera do seu suicídio (1942), relembrando as heranças dramáticas do primeiro conflito mundial e constatando a crueldade de que se estava a revestir o segundo — em pano de fundo, encontramos uma angustiada reflexão sobre a identidade europeia.
  • “Rolan Barthes por Roland Barthes”, de Roland Barthes
    Dois anos depois do impacto de O Prazer do Texto (1973), Barthes investia o gosto da análise na sua própria pessoa — ou no modo como estamos condenados a imaginar-nos enquanto pessoa para os outros. É um livro autobiográfico que desafia as convenções da própria autobiografia, demonstrando que a natureza nunca é… natural.
  • “Hammnett”, de Wim Wenders
    Estava-se em 1982 e, graças a um convite de Francis Ford Coppola, na qualidade de produtor, o alemão Wenders filmava na Califórnia um retrato insólito do escritor Dashiell Hammett. Rezam as crónicas que a dupla se entendeu muito mal, mas os resultados ficaram como uma bela homenagem à tradição do filme noir.
  • “Rolling Stone”
    Fundada em 1967, esta publicação quinzenal dedicada à música continua a ser um modelo exemplar de uma visão abrangente da paisagem cultural: da actualidade do pop rock às convulsões da vida política, aqui se cumpre um projecto que, além do mais, nunca cedeu ao simplismo de alguns modelos da Net.

João Morgado Fernandes

  • “Meridiano de Sangue”, de Cormac McCarthy
    Um livro de cowboys. A história de um miúdo, um juiz e um gangue de colecionadores de escalpes no Oeste do século XIX. Harold Bloom considera-o um dos grandes romances americanos do século XX, mas confessa que teve de parar de ler várias vezes, tal é a violência da história. Tradução muito boa de Paulo Faria.
  • “Cinza”, de Rosa Oliveira
    O primeiro livro de uma poetisa que traça retratos impressionistas, de pessoas, tempos e espaços, recorrendo a múltiplas referências culturais e históricas. Poema lido (botânica caseira), que lembra o verão em que vimos Magnolia, com a banda sonora de Aimee Mann. Da excelente coleção de poesia, coordenada por Pedro Mexia, na Tinta da China.
  • “New Yorker”
    Uma revista que não tem nada do que esperamos hoje numa revista: cor, fotografia, exuberância gráfica… Mas que tem os melhores artigos sobre artes, ideias, sociedade e política da atualidade. Disponível parcialmente na Net.
  • “Writers Retreat”, de Lloyd Cole
    You can get a beat from a broken heart / you could write the book while falling apart. As melhores canções são sobre o amor que não está.

Nuno Galopim:

  • “Submissão”, de Michel Houellebecq
    Publicado já no início deste ano o mais recente romance do escritor francês Michel Houellebecq imagina um cenário político nas presidenciais francesas de 2022 q ue leva ao Eliseu um muçulmano. Um exercício “e se” projetado num futuro próximo serve sobretudo para lançar debates sobre que futuro imaginamos para a Europa.
  • “Lisboa no Ano 2000”, de Melo de Matos
    Foi em 1906 que o engenheiro civil Melo de Matos publico em várias edições da revista Ilustração Portugueza uma série de artigos onde imaginava o que seria a cidade no fim do século. Este livro reúne os vários textos e serve-nos o retrato de uma metrópole com atividade mercantil centrada na relação com o rio e unida à outra margem por um túnel escavado a cem metros de profundidade.
  • “As Horas”, de Stephen Daldry
    O filme nasceu de uma adaptação do romance homónimo do escritor Michael Cunningham que lhe deu um Pulitzer em finais dos anos 90. O livro é como uma variação jazzística com o clássico Mrs Dalloway de Virginia Woolf como ponto de partida para, numa história em três épocas distintas, tomar como personagens a escritora, uma leitora sua e uma materialização da personagem protagonista na América dos anos 90.
  • “Chateau de Versailles”
    Pode um palácio ser tema para uma publicação periódica para o grande público? Versalhes, símbolo maior do ancien regime francês lançou há já mais de quatro anos uma revista trimestral através da qual não só explora os espaços do palácio como as figuras que o habitavam, as funções e rotinas que então ali se viviam e abre ainda olhares sobre nomes e factos daquele tempo.

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