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Ben E. King (1938-2015)

Texto: NUNO GALOPIM

Morreu aos 76 anos a voz que imortalizou “Stand By Me”, canção que teve duas vidas. A primeira quando foi gravada, em 1961. A segunda quando deu título a um filme em 1986.

Podia ter sido um “one hit wonder”. Apesar de ter somado alguns êxitos de dimensão menos avassaladora face ao que o que inscreveu a sua voz na história ao som de Stand by Me, Ben E. King na verdade era já uma figura com nome e reconhecimento antes desse instante que, para muitos, o imortalizou. Em finais dos anos 50 e inícios dos 60 foi uma das vozes mais destacadas entre os Drifters, inscrevendo entre a sua discografia canções – de grande impacte – como Save The Last Dance For Me, There Goes My Baby ou The Magic Moment. E assim, ao lado de outros seus contemporâneos, ajudou a trilhar o caminho que faria emergir a música soul. Morreu ontem aos 76 anos.

Nascido em Henderson, na Carolina do Norte, em 1938, Benjamin Earl Nelson (assim era o seu nome) mudou-se para Nova Iorque aos nove anos quando a família se instalou numa nova casa no Harlem. Começou cedo a cantar e ganhou um lugar nos Five Crowns em pleno tempo de entusiasmo pelo doo wop. E quando o manager dos Drifters despediu todo o grupo, para o seu lugar levando os elementos dos Five Crowns, o jovem Ben via-se catapultado para um patamar de inesperada visibilidade maior. Deu conta do recado e sob a sua voz o grupo assinalou êxitos consideráveis. No entanto, julgando merecer pagamento mais avultado, o cantor entrou em conflito com o manager do grupo. Manteve-se ativo em estúdio enquanto não fosse encontrado um novo cantor, mas deixou de comparecer em compromissos promocionais e atuações ao vivo. E em 1960 afastava-se, apresentando-se a solo como Ben E. King. Porém, e até 1962, houve discos dos Drifters (já antes gravados) a mostrar ainda a sua voz.

É logo em 1961 que, com uma canção de Leiber e Stoller, que surge mais destacado que nunca entre o panorama do seu tempo. Stand By Me ganha impacte global. E terá segunda vida em 1986 quando, ao dar título a um filme de Rob Reiner – com River Phoenix e Will Wheaton entre o elenco – regressa às tabelas de vendas com nova expressão global, sendo então inclusivamente usada como banda sonora de um anuncio televisivo de grande projeção. Poucas canções conheceram duas vidas com esta dimensão.

Ben E. King nunca repetiria o impacte de Stand By Me com mais nenhuma outra gravação sua, mas manteve-se discograficamente ativo com edições regulares até 1980. O impacte da segunda vida de Stand By Me reativou a sua presença, somando novos títulos à sua discografia, sobretudo nos anos 90.

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