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Ainda em busca do grande álbum…

Texto: NUNO GALOPIM

Depois de quatro anos de ausência os Hot Chip regressam com “What Makes Sense”, um disco mais seguro, mas que não corresponde ainda ao patamar de excelência que alguns dos seus singles têm atingido.

Lançando um primeiro olhar sobre a discografia dos Hot Chip notamos, além de uma capacidade em resistir ao tempo – já vão num sexto álbum -, uma expressiva sucessão de canções que moram entre os melhores momentos que a pop feita com electrónicas e vontade de dançar nos deu a ouvir nos últimos anos. Porém, será que conseguimos apontar a algum álbum do grupo essa mesma capacidade em se inscrever entre os mais marcantes do seu tempo. Nem por isso, é verdade, o mais próximo de ter atingido semelhante estatuto sendo talvez The Warning, o segundo que editaram, lançado em 2006. Já One Night Stand (de 2010) que guarda algumas das melhores canções dos Hot Chip, foi uma relativa desilusão como álbum, revelando grandes disparidades entre os grandes singles e temas menores que depois ali coabitavam.

Why Makes Sense surge quatro anos após o menor (em ideias e feitos) In Our Heads e sucede a experiências relativamente mais interessantes em projetos em paralelo, dos 2 Bears à carreira a solo de Alexis Taylor. Huarache Lights, lançado como single de avanço há algumas semanas, não podia ter sido melhor cartão de visita, revelando uma canção com luminosidade pop e viço dançável ao nível dos clássicos maiores dos Hot Chip.

O álbum, não sendo uma desilusão, não está nunca ao nível desse primeiro avanço. É mesmo assim um dos mais seguros conjuntos de canções da obra dos Hot Chip, revelando sinais de algum classicismo pop na escrita da canções (em Dark Night) e ecos de referências em alguma pop dos oitentas, como se escuta em Easy to Get ou Started Right (esta com um refrão que lembra uns Level 42, o que não sei se será grande ideia…). Há convidados de peso, como Posdnuos dos De La Soul (em Love is the Future, onde o grupo cede à ordem deep house revivalista do momento) ou de Bernard Flower em Need You Know, versão de um original com assinatura Sinnamon, que sugere ecos terrenos de visões house abertos entre finais dos oitentas e inícios dos noventas. No tema título, que encerra o alinhamento, reencontram a excelência pop do single de avanço. Mas mesmo entre alguns belos momentos, What Makes Sense está longe de ser o disco memorável que os Hot Chip tardam em fazer. Esperamos que, mesmo assim, o álbum não seja reduzido à brilhante ideia de design gráfico que usa como capa.

“What Makes Sense”, dos Hot Chip, está editado pela Domino Records e é distribuído entre nós pela Popstock.

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