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Os Sparks em 10 canções

Texto e seleção: NUNO GALOPIM

Quase 45 anos de carreira em dez canções, numa seleção que vem dos dias de “Kimono in My House” à parceria com os Franz Ferdinand em 2015. Escute aqui a playlist com as dez canções.

Veteranos com quase 45 anos de carreira, os Sparks são uma das mais invulgares e imprevisíveis bandas de sempre. Apesar de terem contado com alguns mais músicos na formação inicial estão desde 1974 reduzidos à dupla de irmãos Ron e Russel Mael, revelando a sua obra uma capacidade única em atravessar géneros e assumir desafios, pela sua discografia havendo momentos de referência entre as memórias do glam rock, do disco sound ou de uma forma barroca, embora minimalista, de pensar uma ideia de pop de câmara. Num momento em que se aliam aos Franz Ferdinand para um álbum e uma digressão sob a designação conjunta FFS, aqui fica um breve retrato em dez canções, que recua aos dias do álbum que os colocou no mapa quando, em 1974, rumaram ao Reino Unido para ali tentar a sua sorte – estratégia que os Blondie repetiriam anos depois – e caminhando até 2015, incluindo um dos temas do álbum que acabam de editar.

1974. “This Town Ain’t Good Enough For Both of Us”
O single que chamou atenções para o álbum Kimono in My House e fez dos Sparks uma inesperada força tardia do movimento glam rock. Uma grandiosidade barroca e uma alma teatral numa canção que se escuta como um filme que arrebata. É um clássico e já conheceu inúmeras versões (uma delas pelos Humanos).

1974. “Talent is An Asset”
É inevitável ter aqui mais que uma representação de um álbum que merece ser entendido entre os melhores da história pop/rock dos anos 70. O balanço irresistível da estrutura rítmica e um arranjo que transcende o trio elétrico acentuavam a verve teatral, que a postura vocal – nada contida – de Russel Mael ajudava a explorar.

1974. “Never Turn Your Back on Mother Earth”
Um dos primeiros grandes hinos ecologistas criados em regime pop, este foi o tema escolhido para apresentar Propaganda, o sucessor de Kimono in My House. Foi talvez uma surpresa a opção por uma balada depois de um desfile de peças festivas, mas a canção acabaria por ganhar também um estatuto clássico. Martin Gore (dos Depeche Mode) gravou uma magnífica versão em Counterfeit.

1979. “No. 1 Song in Heaven”
Depois de três magistrais álbuns “britânicos” entre 1974 e 76 e de uma etapa menos inspirada no regresso aos EUA, em 1979 aliam-se ao produtor Giorgio Moroder para criar um álbum que tanto assimila a essência hedonista do disco como ensaia, com magníficos resultados, primeiras abordagens dos Sparks aos terrenos da pop electrónica. Este foi o tema-título e cartão de visita do álbum.

1979. “Beat the Clock”
Sendo The No. 1 Song in Heaven, juntamente com o álbum de 1974, o segundo dos discos fulcrais na obra dos Sparks, fica aqui mais um momento do seu alinhamento, também editado como single. Chegaram ainda a este formato Tryouts For The Human Race e La Dolce Vita.

1982. “Angst in My Pants”
O sentido de humor e um culto gourmet do nonsense sempre habitaram a pop inteligente dos Sparks e este single, que anunciou a chegada do álbum homónimo, que representou então a quarta colaboração consecutiva com a equipa de produção de Giorgio Moroder (que seria concluída com um quinto disco no ano seguinte).

1994. “When Do I Get to Sing My Way”
Fez-se de mais baixos que altos a segunda metade dos anos 80, havendo mesmo uma pausa em início dos noventas. O regresso à sua melhor forma revelou-se em 1994 no álbum Gratuitous Sax and Sensless Violins, álbum produzido pelos dois irmãos Mael que assinala o seu reencontro com caminhos musicais pop mais europeus e também com as electrónicas como protagonistas.

1997. “Something For The Girl With Everything”
Depois de uma colaboração com Tony Visconti em 1976, o grupo voltou a reunir-se com o produtor para criar um álbum de novas versões e interpretações de temas seus, onde colaboraram nomes como os de Mike Patton, Erasure ou Jimmy Somerville. Esta é uma versão de um tema do álbum Propaganda num arranjo que prenunciava aventuras orquestrais que estavam para chegar.

2002. “My Baby’s Taking Me Home”
O terceiro disco da troika de referência na discografia dos Sparks é um álbum concetual que explora não apenas a ideia da repetição e minimalismo mas também um conceito exuberante de pop orquestral que cativou atenções e gerou a única digressão do grupo a passar por Portugal (tocaram então no CCB). Este é um dos momentos desse magistral Lil’ Beethoven.

2015. “Johnny Delusional”
Uma canção pop perfeita e em tudo herdeira das principais genéticas que cruzam a obra dos Sparks, este é um dos singles já extraídos do álbum criado em parceria com os Franz Ferdinand que acabam de publicar sob o título FFS.

Podem escutar aqui as canções:

 

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