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2015: os melhores discos do primeiro semestre

Escolhas e texto: NUNO GALOPIM, ANDRÉ LOPES e JOÃO MOÇO

É certo que ainda é cedo para os balanços do ano. Mas com um semestre de discos editados fazemos aqui as contas ao que de melhor se escutou nestes primeiros seis meses de 2015.

NUNO GALOPIM:

E com seis meses de 2015 já vividos, é tempo de fazer contas aos discos que foram surgindo. Ainda é cedo para as listas anuais, ordenadas e no formato clássico do top 10. Por isso, aqui ficam seleções de seis discos (afinal passou um semestre), apresentados por ordem alfabética do nome do artista. O ajuste de contas definitivo fica, como sempre, marcado para finais de dezembro.

POP/ROCK

COURTNEY BARNETT “Sometimes I Sit and Think and Sometimes I Just Sit”. Se este álbum pode concorrer para o prémio de melhor título do ano, é ao mesmo tempo o registo da confirmação de uma voz autoral e a melhor estreia que a cultura rock’n’roll nos deu a ouvir nos últimos tempos. Palavras bem escolhidas e guitarras angulosas, numa bela coleção de canções.
BLUR “The Magic Whip”. Os regressos são muitas vezes uma verdadeira dor de cabeça. Mas este revelou uma rara exceção, quase nos iludindo que 12 anos haviam passado desde que aqui se fizera silêncio. Boa opção a de regressarem a um som “clássico”. E sem vontade de procurar o single perfeito. Pois não. Deram-nos antes um verdadeiro álbum.
BOB DYLAN “Shadows In The Night” Num ano em que se assinala o centenário de Frank Sinatra o primeiro a homenageá-lo foi Dylan, num álbum no qual, seguindo as pistas da sua banda atual, aborda com candura e brilho uma mão-cheia de canções que “a voz” em tempos entoou.
GHOST CULTURE “Ghost Culture” Numa altura em que tanta gente anda entusiasmada com reciclagens de modelos deep house, o projeto Ghost Culture lembrou que há mais pistas a seguir entre as herenças das electrónicas da alvorada dos noventas e deu-nos um álbum que lembra como, nessa altura, os Beloved (e outros) souberam escutar novas pistas para dar novo fôlego à canção. É a estreia do ano e um dos melhores segredos de 2015. A (re)descobrir!
MIGUEL “Wildheart” Três anos depois de Kaleidoscope Dreams o norte-americano Miguel recupera uma forma de assimilar pistas no rock, funk e outros sabores como Prince o fazia há precisamente 30 anos e deu-nos um disco que mostra como o R&B ganha quando sai para lá das ditaduras impostas pelos produtores da moda.
SUFJAN STEVENS “Carrie and Lowell” Depois das demandas mais orquestrais (e quase barrocas) exploradas nos últimos discos, o reencontro de Sufjan Stevens com verdades primordiais da sua formação folk deu-lhe, neste conjunto de memórias com a sua mãe na berlinda, um dos mais frágeis e belos ciclos de canções do nosso tempo.

CANÇÕES

BELLE & SEBASTIAN “Enter Sylvia Plath” Ao assinalar um regresso mais luminoso que sempre, em registo pop e com as electrónicas mais presentes que nunca, os Belle & Sebastian mostraram em Girls in Peacetime Want to Dance uma canção para fazer inveja aos Pet Shop Boys.
DURAN DURAN “Pressure Off” O single de avanço para um novo álbum agendado para setembro revela o melhor tema que os Duran Duran levam a este formato desde finais dos anos 90. Com produção de Mark Ronson e Nile Rodgers e colaboração vocal de Janelle Monáe está aqui um hino pop na linha clássica das grandes canções do grupo.
FFS “Johnny Delusional” O encontro entre os Franz Ferdinand e os Sparks, materializado no álbum FFS produziu entre um belo lote de canções esta gema pop perfeita que, num tempo diferente (sem o mainstream tão formatado e surdo como o do presente) seria um irresistível êxito global.
HOT CHIP “Huarache Lights” O álbum, como sucedeu noutras ocasiões na carreira dos Hot Chip, não mantém o alinhamento ao nível dos singles. Mas com esta canção, que serviu de cartão de visita ao disco está mesmo um tema ao nível dos melhores de toda a sua obra.
MADONNA “Joan of Arc” O álbum editado este ano é o melhor desde o já longínquo Confessions on a Dancefllor. Mas a escolha dos singles está de tão má pontaria que muitos nem deram por isso. É pena quando, em Joan of Arc, está uma canção clássica ao nível das quem em tempos gravou em Ray of Light.
PANDA BEAR “Tropic of Cancer” Entre o alinhamento do belo Panda Bear Meets the Grim Reaper surge esta canção, que abre caminho a memórias solarengas que evocam os sessentas e uma candura com maresia por perto que justificava que aqui nascesse um dos hinos (suaves) deste verão.

NACIONAL

ALDINA DUARTE “Romances” O mais surpreendente e inovador álbum que o fado nos deu nos últimos anos é como um livro que se conta em canções e que se apresenta em duas leituras: uma entre fados tradicionais e outra mais cinematográfica, sob brilhante visão assinada por Pedro Gonçalves.
BEAUTIFY JUNKYARDS “The Beast Shouted Love” Depois de um álbum de estreia feito de versões chega um segundo episódio que mantém viva uma forma bem eclética de lidar com heranças folk (e outros sabores), num conjunto de canções que apura ainda mais o primor de uma demanda sonora bem saborosa.
DAVID FONSECA “Futuro Eu” É de valor ver um veterano a ousar seguir a máxima dos Monty Python: e agora algo completamente diferente. Cantado em português, um tema anguloso e elétrico, editado num single em vinil com tiragem limitada, o tema abriu o apetite para mais.
MIRROR PEOPLE “Voyager” Em tempo de pausa nos X-Wife o projeto de Rui Maia mostra como uma visão ampla e conhecedora de linguagens que cruzam géneros e épocas podem alimentar a criação de uma coleção de canções com alma pop e gosto pela dança.
MOULLINEX “Elsewhere” Depois de uma das mais promissoras estreias dos últimos anos (e que colocou definitivamente no mapa das atenções a editora Discotexas) este segundo disco soube traçar um caminho evolutivo sólido e sonicamente mais elaborado, sem perder o pulso sobre a canção.
PEIXE: “Motor” A ideia de criar diálogos íntimos entre o guitarrista e a guitarra acústica tem cativado alguns músicos e, neste seu segundo álbum nesse registo Peixe mostra-nos uma bela coleção de retratos emocionais que, se ressoam melhor ao vivo, não deixam de estar aqui bem fixados.

REEDIÇÕES

AIR “The Virgin Suicides” A banda sonora que os franceses Air criaram para o filme de Sofia Coppola As Virgens Suicidas regressou 15 anos depois numa versão que junta a experiência desta música com plateias pela frente.
BRIAN ENO “My Squelchy Life” Mais que uma reedição esta é, na verdade, quase uma estreia já que em 1992, com o disco pronto para seguir para as lojas, o músico o retirou de cena. 2015 ganhou com a sua primeira edição oficial em vinil, revelando um dos seus melhores discos vocais.
MAX RICHTER “The Blue Notebooks” Enquanto esperamos pelo longo Sleep, Max Richter vai dando nova vida individual aos discos lançados na caixa retrospetiva do ano passado. Em boa hora este teve direito a lançamento em vinil.
AMÁLIA RODRIGUES “Fado Português” Originalmente editado em 1965 este álbum histórico – que representou a segunda criação conjunta com Alain Oulman – é reeditado com uma série de extras e até mesmo inéditos da época.
ROLLING STONES “Sticky Fingers” É difícil dizer qual é o álbum mais importante da obra dos Rolling Stones. Mas o mais certo é que uma maioria apontaria o dedo a este disco de 1971 que assinalou o arranque de uma nova etapa editorial para o grupo e fixou definitivamente a sua personalidade rock com raiz clássica entre heranças do rhythm’n’blues.
VANGELIS “Blade Runner” A soberba banda sonora retro-futurista que Vangelis compôs para o filme de 1982 de Ridley Scott – e que é infinitamente melhor que o pastelão que serviu Chariots of Fire – regressou numa edição fiel às origens e em vinil.

CLÁSSICA

ANOUAR BRAHEM “Souvenance” Em terreno de fronteira – como manda a música de uma idade global – o compositor tunisino junta neste seu mais recente disco ecos magrebinos a uma música que dialoga com o jazz e a música orquestral.
ENSEMBLE SIGNAL “Reich: Music For 18 Musicians” Uma nova gravação de uma das obras de maior fôlego de Steve Reich vinca a inscrição de Music For 18 Musicians entre o cânone da segunda metade do século XX.
PAAVO JÄRVI “Shostakovich: Cantatas”. Gravação pela Orquestra e Coro Nacional da Estónia, sob direção de Paavo Järvi, recorda três obras corais, duas delas nascidas com horizontes de propaganda estalinista, mas musicalmente assombrosas.
KEITH JARRETT “Barber / Bartók” A assinalar os 75 anos de Keith Jarrett a ECM lançou dois discos. Um de jazz. O outro era este, juntando gravações (já dos anos 80) de concertos para piano, demonstrando uma vez mais a excelência e personalidade deste pianista em terreno clássico.
GIDON KREMER “New Seasons” Acompanhado pela sua Kremerata Baltica, Kremer tem aqui como prato principal uma brilhante interpretação do “Concerto para Violino Nº 2” de Philip Glass e junta ao alinhamento, entre outras, obras de Pärt e Kancheli.
ALEXANDER SCRIABIN “The Complete Works” Caixa antológica de 18 CD lançada pela Decca Classics, junta através de uma série de gravações do arquivo da editora um perfil de um dos maiores compositores de finais do século XIX e inícios do século XX.

 

ISILDA SANCHES:

Sempre tive problemas com listas, mas o exercício costuma ser divertido (normalmente faz-nos ouvir coisas que já estavam de lado). No primeiro semestre de 2015, no meio de muita música dispensável, até saíram alguns discos que fazem diferença, sobretudo em Portugal, com as edições de Da Chick, Moullinex, Mirror People ou Beautify Junkyards em destaque. Só isso dava um top em si mesmo, mas tentei ser mais económica e fazer uma lista de seis que respondesse a vários critérios: tem álbuns novos (simples e duplos, em CD e vinil), reedições, EPs, portugueses, hip hop, jazz, música de dança e híbridos de tudo isso. Ficaram várias coisas de fora mas é sempre assim (e foi um bom semestre!)

ATA KAK “Obaa Sima” Originalmente uma cassete de 1994 feita por um músico do Gana emigrado no Canada (Ata Kak), esta música foi completamente ignorada até a Awesome Tapes from Africa ter feito a reedição (o que levou mais de uma década). Proto house misturada com hip hop, dialeto africano que parece fake english, esta é musica mais contagiante e bem disposta que ouvi um muito tempo e um disco absolutamente irresistível
HERBERT “The Shakes” Herbert volta a piscar o olho às pistas, mas não para fazer house. De resto, há algum tempo que Herbert está para lá dos géneros.The Shakes é um disco de eletrónica com banda, com canções dramáticas mas contidas e o investimento sónico indispensável nas obras conceptuais de Herbert. Desta vez usa, por exemplo, sons de balas e conchas que comprou no ebay e samples de manifestações em Londres. Lúdico e sério, pop e experimental, saltitante e introspetivo. Herbert sendo Herbert.
JACK J “Lookinf Forward to You” O maxi em vinil saiu o ano passado mas eu só o descobri este ano, depois da reedição. Entretanto, já foi reeditado novamente e parece que esgota sempre – faz todo o sentido que assim seja, trata-se de uma verdadeira pérola. Jack J é um editor, produtor e músico canadiano, metade dos Pender Street Streppers e assina aqui dois magníficos épicos de eletrónica de vocação baleárica e house lenta e melódica. Música bonita para nos sentirmos bem com a vida. Podia ficar em loop o dia inteiro
KENDRICK LAMAR “To Pimp A Butterfly” O hip hop até pode já nem ser o que era (já não é uma expressão marginal, de longe) mas o mundo também não. No terceiro álbum, Kendrick Lamar usa as suas armas verbais e faz pontaria à América, refletindo sobre Nação e segregação. Certeiro nas palavras, aventureiro nos instrumentais que as servem, To Pimp A Butterfly lembra-nos de onde vem a força do hip hop e parece destinado a clássico.
VAKULA ” A Voyage To Arcturus” Saiu no início de 2015 e entrou diretamente para o meu top de melhores do ano. A Voyage to Arcturus é um álbum duplo em CD, triplo em vinil que funciona como banda sonora de um livro escrito em 1920 pelo escocês David Lindsay. O ucraniano Vakula, um dos produtores de musica de dança mais interessantes dos últimos anos, rodeou-se de músicos (14) para contar uma história que desafia estilos e combina eletrónica, jazz astral, library music, krautrock, new age, funk… Uma viagem!
NIDIA MINAJ “Danger” A estreia de Nidia Minaj na Principe é notável a todos os níveis: porque é uma miúda (a única na editora e tem 18 anos agora, quando fez o que está neste disco era mais nova), porque faz música eletrónica completamente improvável, com nervo, músculo e até alguma má onda, e porque, como acontece com todos os discos da Príncipe, o seu som é muito difícil de catalogar. Na verdade, Nidia está aqui a representar também os outros EPs da Príncipe em 2015 (são 3 além dela: O Meu Estilo de Dj Nigga Fox, Malucos de Raiz da Casa da Mãe Produções e Impar dos Niagara). Música incrivelmente nova e vibrante, feita a partir dos arredores de Lisboa (se bem que Nidia viva actualmente em Bordéus) que fascina o mundo inteiro. A música é perigosa, como induz o título, mas é tudo lindo!

 

ANDRÉ LOPES:

Num ano que viu a chegada de vários títulos marcantes logo nos primeiros meses, continuamos a aguardar o lançamento de discos como os de PJ Harvey, Antony and the Johnsons ou M.I.A., prometidos para 2015. Enquanto isso, e tendo em conta as diferentes sonoridades que já se fizeram escutar na primeira metade do ano, apresenta-se, por ordem alfabética, uma seleção que não sendo evidentemente definitiva, aponta um conjunto de direções interessantes sobre as quais se fez ouvir alguma da música mais estimulante de 2015.

BJÖRK “Vulnicura” Encontrando a artista islandesa em território emocional intenso, este é o disco em que a forma com que se relacionada com as cordas ganhou um novo aprumo, quer pela eficiência dos arranjos, quer pela produção repartida com Arca e The Haxan Cloak.
JAMIE XX “In Colour” Antecipado há muito (maioritariamente por fãs dos The XX), o álbum de estreia do produtor britânico evidencia um modo de pensar a eletrónica que a aproxima de dinâmicas mais luminosas, conseguindo os melhores resultados nos momentos instrumentais do alinhamento.
KENDRICK LAMAR “To Pimp A Butterfly” Numa verdadeira lição sobre o ecleticismo pelo qual o hip-hop se pode cercar, o terceiro disco de originais de Kendrick Lamar deixa também a sua marca em 2015 pelo modo como aborda a problemática do racismo na sociedade ocidental contemporânea.
NIDIA MINAJ “Danger” O álbum que marca a estreia de Nidia Minaj na editora Principe é uma prova de fogo vencida na sua plenitude: ao longo do alinhamento, ritmos e sintetizadores bem acesos dão pistas para compreender a sonoridade já considerada como a batida de Lisboa.
ROÍSÍN MURPHY “Hairless Toys” Ao terceiro disco de originais, as ambiências minimialistas são a nova frente a explorar pela ex-Moloko, que trabalha agora o som segundo uma ótica introspetiva que ainda assim não esquece de contemplar o seu redor.
SUFJAN STEVENS “Carrie & Lowell” Após a extravagância do anterior The Age of Adz (2010), o retorno de Sufjan Stevens à folk acontece de forma triunfal. Conjugando com mestria as cordas e as ambiências discretas de sintetizadores, este é um dos melhores discos da carreira do músico.

 

JOÃO MOÇO:

Acho que este primeiro semestre de 2015 já compensou por (quase) toda a produção de álbuns do ano passado. Dos períodos mais ricos de que tenho memória recente. Deste top 6 faltam outros discos incríveis que saíram nos últimos seis meses, como o Reality Show da Jazmine Sullivan, o You Should Be Here da Kehlani, o SremmLife dos Rae Sremmurd, o Pageant Material da Kacey Musgraves, ou o Ímpar dos Niagara. Os próximos álbuns da Carly Rae Jepsen, Pega Monstro, Ashley Monroe, Justin Bieber, Matmos, One Direction, ou o muito aguardado Hy!£UN35 de Young Thug ainda podem trocar as voltas disto tudo.

DAWN RICHARD, “Blackheart”: Escrevi aqui sobre este segundo álbum de Dawn Richard em fevereiro e é mesmo complicado resumi-lo em poucas palavras. Uma obra idiossincrática, sem par no actual contexto do r&b, da eletrónica ou em qualquer outra gaveta que se lhe queira impor. Ainda hoje continuo a descobrir pormenores que me deixam perplexo.
JIM O’ROURKE, “Simple Songs”: No seu primeiro álbum de canções desde 2001 (se não tiver em conta o instrumental The Visitor, de 2009), Jim O’Rourke faz de Steely Dan, de Todd Rundgren, de Randy Newman ou de Paul McCartney e, no final, dá aquilo que no realmente interessa: canções maiores que todos nós.
MIGUEL, “Wildheart”: Seria difícil superar o incrível Kaleidoscope Dream, mas Miguel lá conseguiu. Só não digo que é o “novo” Prince, porque ele tem uma personalidade musical já demasiado vincada (e trabalhada) para que valha por si mesmo.
NÍDIA MINAIJ, “Danger”: Na sua estreia na Príncipe Discos, Nídia Minaj remexe nas bases do kuduro, do tarraxo e da afrohouse e trabalha-as de forma subversiva, surpreendendo verdadeiramente nas dissonâncias criadas.
SABRE , “Morning Worship”: O novo disco da dupla Sabre confirma-os como um dos maiores valores da música de dança de hoje. Melodicamente muito rico, não se refugiando na complexidade para se afastar do propósito disto tudo: dançar. Como escrevi aqui há meses, esta música é como olhar directamente para o sol num dia de verão.
YOUNG THUG, “Barter 6”: Young Thug é claramente o melhor rapper da actualidade. E neste Barter 6 consegue fazer com que todas as suas idiossincrasias funcionem a favor das canções, cheias de ganchos melódicos e até emotivos, em vez de as utilizar a favor de uma caricatura fácil que muitos querem colar à sua persona.

 

FRANCISCO GONÇALVES SILVA:

É costume dizer que não se deve julgar um produto pelo exterior mas sim pelo seu conteúdo. 2015 já vai a meio e por isso já nos é possível colocar em perspetiva um pouco do que os primeiros seis meses do ano proporcionaram musicalmente. Ainda com muito por ser ouvido e descoberto, há uma enorme expectativa com novos trabalhos, ainda vindouros, de artistas como Grimes, Lana Del Rey ou mesmo o dos recém-reformados Crystal Castles. O presente ano promete ainda um grande acumular de obras e projectos que serão falados durante um bom período de tempo.

BJÖRK “Vulnicura” Quatro anos passaram desde a edição do megalómano e ambicioso Biophilia, no qual Bjork tomou as rédeas do processo criativo como se de uma missão pessoal se tratasse. Agora, depois de alguns infortúnios amorosos, Vulnicura chega-nos como uma ode ao que existe para além de um coração partido. Para tal, a islandesa contou com Alejandro Ghersei (Arca) e Bobby Krlic (The Haxan Cloak) para replicar a sua visão num álbum emotivo. Emoção essa que tem vindo a ser camuflada desde Vespertine, editado em 2001.
PURITY RING “Another Eternity” Com o sucesso de Shrines, os Purity Ring tinham em mãos uma tarefa delicada: o segundo álbum. Gravado pela primeira vez no mesmo estúdio e presencialmente, no Canadá, Megan James e Corin Roddick trocaram as batidas introvertidas e sombrias pela efusividade, fazendo de Another Eternity um álbum rico em sons etéreos e pop futurista que tanto os caracteriza
SLEATER-KINNEY “No Cities to Love” 2015 marca o regresso de um dos mais carismáticos e acarinhados colectivos associado a movimentos punk feministas e riot grrl. As Sleater-Kinney de volta aos discos depois de dez anos de interrupção, para além de celebrarem o décimo aniversário do lançamento de The Woods, retomam o legado deixado pendente com No Cities To Love” que não poderia ter vindo em melhor altura.
RÓISIN MURPHY “Hairless Toys” Arrojada e determinada desde os anos que integrou os Moloko, Róisin Murphy a solo tem vindo a diversificar as suas direcções artísticas. Com Ruby Blue enquanto rampa de lançamento, foi com o glamour e o universo hollywoodesco de Overpowered que se afirmou enquanto artista a solo. Ao terceiro registo, Murphy aposta num som mais discreto e minimalista, trocando as pistas de dança pelo relaxado lounge music.
SUFJAN STEVENS “Carrie & Lowell” Passou uma semana desde que se comemorou o décimo aniversário de Illinoise, um dos álbuns mais notáveis do percurso musical do cantautor Sufjan Stevens. Cinco anos depois de The Age of Adz, o músico troca o universo colorido pelo profundo saudosismo, onde conta a história de Carrie, sua mãe, e Lowell, o seu padrasto, fazendo deste disco um dos melhores da carreira de Sufjan Stevens, do qual até agora, a opinião foi positiva e unânime.
ZHALA “Zhala” Debaixo a alçada de Robyn, através da Konichiwa Records, e também ex-colaboradora de Lykke Li, Zhala tem vindo a dar ênfase ao melhor que se faz em território sueco. Depois da remistura de Aerobic Lambada, feita por Robert Alfons dos TR/ST, e diversos EPs, chega-nos agora o álbum homónimo bem preparado para mostrar a visão e a criatividade multifacetada da sueca enquanto artista a solo, seja através da dança, performance ou a sua facilidade em combinar letras provocadoras com a sua voz.

Uma sugestão agora? Juntem as vossas listas (top 6 apenas, para manter a regra) nos comentários.

6 Comments on 2015: os melhores discos do primeiro semestre

  1. Voto apenas no PopRock e Nacional. Concordo com as escolhas de COURTNEY BARNETT, BLUR e SUFJAN STEVENS. Faltas mais evidentes – PopRock:
    1. Lower Dens
    2. Nadine Shah

    Nacional:
    1. Os Capitães da Areia
    2. TV Rural
    3. Chibazqui
    4. Tiago Lacrau

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  2. Quanto a mim não se pode levar minimamente a sério uma lista onde não conste o disco novo de Bill Fay “Who is the sender?” (e onde conste qualquer disco de David Fonseca).

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  3. Nuno nada contra si, custa-me só a acreditar que não tenha gostado do disco do Sr. Fay ou que lhe tenha passado despercebido. É uma obra prima (como os anteriores) e não merece ser ignorado. abraço

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  4. Desconhecida's avatar joão lopes // Julho 9, 2015 às 4:00 pm // Reply

    o Bill Fay nunca sera ignorado,mesmo que o fosse,ele já esta habituado.Afinal este mundo de Deus ignorou o homem durante 40 anos.

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