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A “fama” que se cantava em 1975

Durante a residência no Tower Theatre, em Filadélfia, entre os dias 8 e 13 de Julho de 1974, David Bowie visitou pela primeira vez nos míticos Sigma Sound Studios, ou seja, “casa” do som negro que caracterizava a mais celebrada herança musical da cidade. Aqueles eram trilhos sonoros que o conduziam a memórias primordiais da construção da sua própria personalidade e que ficaram bem patentes nos singles que lançou entre 1964 e 1966, longe ainda do mundo o descobrir a cantar sobre um certo Major Tom em 1969…

Pediu então à sua assistente pessoal uma lista de novos discos de referência na música negra, com particular foco entre a emergente cena disco. E se em 1984 (ainda em Diamond Dogs) emergiam primeiras manifestações deste interesse, um mergulho mais profundo entre as vivências que Filadélfia então lhe deu emergiram nas sessões que conduziriam ao álbum que chegaria logo depois. Foi um disco de gestação noturna, contando novamente com a colaboração de Tony Visconti na produção e uma série de músicos, entre os quais o guitarrista Carlos Alomar. E assim nasceu Young Americans, que definiu um primeiro espaço de diálogo prioritário de Bowie com o rhythm’n’blues, os caminhos do funk e até mesmo ocasionais ecos de vivências jazzy, que teria continuidade em 1983 em Let’s Dance e, mais tarde, em 1993, em Black Tie White Noise.

No final das sessões de gravação David Bowie passou algum tempo em Nova Iorque e aí marcou estúdio por um dia, a ele juntando-se John Lennon e os músicos que por essa altura constituíam a sua banda. Gravaram nessa ocasião Across The Universe, uma versão de um original dos Beatles. E depois, com base num riff do guitarrista Carlos Alomar e no modo como a voz de Lennon o acompanhou entoando a palavra Fame, surgiu um tema novo, com letra co-assinada pelo ex-Beatle, refletindo sobre os males da fama (em parte traduzindo também um desconforto de Bowie para com a estrutura de management que o acompanhara nos últimos e da qual se estava nesse momento a afastar).

A canção, que tal como a versão dos Beatles seria incluída no alinhamento do álbum, representou um inesperado sucesso nos Estados Unidos, dando a Bowie o seu primeiro número um por aquelas paragens, conquistando assim resultados bem mais expressivos que na Europa. Com o tempo este fez-se todavia num dos seus grandes clássicos, tendo já sido interpretado por nomes como os Duran Duran, George Michael, Pearl Jam ou Eurythmics ou citado por uma multidão de nomes, de Jay-Z a Lady Gaga.

Agora, 40 anos depois, Fame é reeditado em single, num lançamento que se junta à série de edições de picture-discs de sete polegadas que têm assinalado, nos últimos tempos, idênticas efemérides sobre outros singles daquele tempo. O novo picture disc apresenta Fame (na versão original do sete polegadas) no lado A e, no lado B, uma mistura alternativa de Right.

Imagens de uma atuação de Bowie no programa ‘Soul Train’, interpretando “Fame”.

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