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A Public Domain Review precisa de amigos

Texto: JOÃO FERNANDES

Uma curadoria digital, apresentando colecções de trabalhos escolhidos criteriosamente do vasto material em domínio público, precisa de ajuda para ser financeiramente viável.

A cada ano que passa, mais e mais obras de literatura, música, cinema e demais outras artes visuais caem no domínio público, não sendo sujeitas mais a leis de copyright, direitos de autor e propriedade intelectual. Assumindo razoavelmente que a produção cultural da humanidade tem vindo sempre a crescer em quantidade e variedade, e que a world wide web proporciona um meio económico e fácil para a ampla distribuição e disseminação de conteúdos, é apenas possível imaginar a vastidão do tesouro livremente deixado para a humanidade no domínio público. Para ajudar a concretizar a riqueza disponível para qualquer pessoa, basta lembrar que por exemplo Os Lusíadas de Camões fará certamente parte do domínio público e não deixam por isso de ser menos importantes na literatura e até na própria definição da identidade nacional.

Não podem haver dúvidas de que há muito por explorar pelas bibliotecas, galerias, arquivos e museus que cada vez mais têm digitalizado as suas colecções para as colocarem na web para livre usufruto de todas as pessoas com acesso à Internet.

A pergunta que se impõe ao princípio é obviamente “por onde começar?”. Uma opção, talvez a mais simples, será pegar num volume sobre história do cinema, da arte ou da literatura e seguir mais ou menos cronologicamente o desenvolvimento das artes e humanidades ao longo da história, servindo-se da história da literatura como “guia de viagem” pelo território tão frequentemente esquecido que se torna efectivamente desconhecido para as gerações posteriores.

A proposta da Public Domain Review é diferente. É uma publicação online lançada em 2011 pela Open Knowledge Foundation, apresenta
colecções de materiais dos vários arquivos online de imagens,livros, sons e filmes, de onde são destacados tesouros fascinantes e curiosos, procurando suscitar surpresa e a apreciação pelo estranho e o belo. O meio digital em que se baseia permite a exploração livre das colecções, de modo que o que se propõe ao leitor não é uma leitura dirigida,comandada da antologia das obras canónicas, mas sim um passeio de lazer intelectual, tropeçando em pequenos objectos extremamente interessantes e pelos quais de outra maneira se passaria sem dar por nada. O modelo recebeu notas entusiásticas e elogiosas na imprensa, em publicações tais como o New York Times, The Paris Review, Vice e The Guardian, tão diferentes umas das outras quanto são igualmente influentes.

As colecções estão organizadas tanto por meio e forma (imagens, livros, filme e audio), como por época (desde o pré-século XVI, catalogadas por século até ao séc. XX), ou ainda pela fonte dos materiais (os vários arquivos online de materiais no domínio público, como por exemplo o Internet Archive, Flickr:The Commons, Wikimedia Commons, entre muitas outras bibliotecas,museus e arquivos de vários países).

Há também uma série de colecções temáticas apresentadas mensalmente, escolhidas por um curador de uma das muitas instituições utilizadas como fontes para o projecto. os curadores são convidados a escolher um grupo de obras das colecções digitais da sua instituição, e a reflectir criticamente sobre elas, partilhando o seu conhecimento e o interesse na sua preservação e divulgação, dando ao mesmo tempo especial destaque as instituições que os acolhem e que são as fundações do projecto.

Para além da curadoria das colecções, é publicado quinzenalmente um ensaio dedicado à reflexão sobre um tema em particular ou sobre as histórias ligadas aos muitos objectos no domínio público, que são muitas vezes esquecidas. os autores dos ensaios podem tanto ser académicos e escritores com autoridade e reputação bem estabelecida (por exemplo, Julian Barnes, Jack Zipes e Frank Delaney), como doutorandos entusiastas que procuram divulgar as descobertas mais invulgares que fizeram durante as suas investigações. Um conjunto de trinta e quatro desses ensaios escritos entre 2011 e 2013 foi publicado num livro impresso que pode ser comprado na site da Public Domain Review.

A publicação do livro de ensaios é apenas uma das muitas maneiras que este projecto encontra para se financiar. Conta também com uma loja online
onde é vendido merchandise como posters e T-shirts, e também livros publicados por outras editoras que contêm também material das colecções da Public Domain Review. Tratando-se de uma entidade sem fins lucrativos, grande parte do financiamento provém também das doações ocasionais ou regulares dos seus leitores.

Recentemente, em 24 de Junho, foi lançado uma nova iniciativa para recolha de fundos, os “Friends of The Public Domain Review”. Pretende-se criar um núcleo duro de apoiantes do projecto, que se pretende que sejam 250 em número, para constituir uma base de financiamento estável a partir das contribuições anuais dos “Amigos”. Estas contribuições não têm um valor fixo, qualquer doação anual é válida, mas como guia a Public Domain Review considera 55€ como referência.

Em contra-partida, os “Amigos” poderão esperar receber um conjunto de postais temáticos e o seu nome figurará numa secção do site da publicação, mas é claro que a melhor recompensa é a gratidão do editor e de todos os colaboradores da Public Domain Review, assim como o de todos os seus leitores.

Aos nossos próprios leitores aconselhamos a visitarem o site e, se tiverem interesse, subscrever a newsletter quinzenal com os destaques de novos elementos da colecção e os novos ensaios publicados.

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