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Os livros que já imaginaram Plutão

Texto: NUNO GALOPIM

Um ano após a descoberta de Plutão a literatura de ficção científica tomava-o como cenário para um conto. Desde então por lá passou a escrita de autores como Robert A. Heinlein ou Kim Stanley Robinson.

Tal como sucedeu com Marte, quando a chegada das imagens captadas pela Mariner 4, precisamente 50 anos antes da passagem da New Horizons perto de Plutão, também as novas fotos e dados vão mudar a nossa visão sobre aquele pequeno mundo que, durante 76 anos, foi planeta. Se a ficção científica ali regressará com novas narrativas ou se o cinema pela primeira vez o vai tomar como cenário para uma qualquer história numa longa-metragem ainda é coisa que não sabemos. Certo é que a história da literatura sci fi já por diversas vezes ali passou.

Um dos mais notáveis entre os textos de ficção com Plutão como cenário de grande protagonismo é Icehenge (1984), um dos primeiros livros de Kim Stanley Robinson. O autor norte-americano, que nos anos 90 ganharia grande visibilidade entre os cultores do género pela publicação de uma marcante trilogia sobre a conquista de Marte, acompanhando a formação ali de uma nova sociedade (e as suas convulsões), criou este romance a partir de um primeiro conto – On The North Side of Pluto – nascido ainda em finais dos anos 70 como parte de um curso de escrita ministrado pela escritora Ursula K. Le Guin. A ele juntou um outro, assinado pouco depois, da junção e novas ideias surgindo uma narrativa projetada num futuro no qual a humanidade saiu já das fronteiras da Terra e cuja história política assistiu já à eclosão de uma revolução em Marte (ideia que retomaria na trilogia dos anos 90). Plutão é ali o local onde é descoberto um monumento, na forma do que conhecemos, na Terra, em Stonehenge. Icehenge é apresentado na forma de três narrativas autobiográficas, em conjunto atravessando um período entre os anos 2248 e 2610.

A presença de Plutão no imaginário da ficção científica surge muito antes deste romance de Kim Stanley Robinson. E uma das manifestações deste destino para a imaginação data de 1931, ou seja, um ano depois da sua descoberta por Clyde Tombaugh, no Observatório Lowell em Flagstaff, no Arizona. Trata-se de In Plutonian Depths, do norte-americano Stanton A. Coblentz, autor com alguma obra na área da ficção científica mas com mais extensa bibliografia assinada entre a poesia e a história.

Dos vários exemplos de literatura com Plutão na mira das atenções vale a pela recordar títulos como The Red Peri (1935) de Stanley G. Weibaum, na qual piratas do espaço têm ali uma base, ou First Lensmen (1950) de E.E. “Doc” Smith que conta a chegada àquele mundo de um povo alienígena que não repara que a Terra é habitada. Robert A. Heinlein, um dos maiores autores de ficção científica, visitou Plutão em várias ocasiões, de Sky Lift (1953) ao histórico Starship Troopers (1958) passando por Have Space Suit – Will Travel (1958). Neste último aquele mundo é usado como uma base através da qual um povo alienígena explora a Terra.

Entre as mais recentes narrativas “plutonianas” conta-se The Man Who… (2012), de Simon Petrie, que acompanha a descoberta de formas invulgares na lua Kerberos na ocasião da passagem de uma missão de mineiros perto de Plutão e Caronte.

Um tanto diferente, mas com Plutão no horizonte, há ainda a assinalar entre as propostas mais recentes a publicação de Percival’s Planet (2010), de Michael Beyers, romance que recorda a descoberta do (então) nono planeta em 1930, procurado por Clyde Tombaugh na senda de uma busca pelo mítico Planeta X de que falava Percival Lowell.

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