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Os tempos de Francisco I e dos castelos do Loire

Texto: NUNO GALOPIM

Os 500 anos sobre o início do reinado de Francisco I são recordados em duas edições especiais. Uma sobre o monarca e o seu tempo. Outra centrada nos castelos da região do Loire.

Assinalam-se este ano os 500 anos sobre a chegada ao trono de Francisco I, figura marcante da história francesa, com um papel determinante no lançamento de um relacionamento com as artes – da pintura e música às letras – que teria consequências diretas num período de protagonismo que a França viveria depois em várias frentes da criação e do pensamento. Chegado ao trono a 1 de janeiro de 1915, sucedendo ao primo Luís XII, que morrera sem deixar um herdeiro, Nos tempos de Francisco I a França viveu num tempo de prosperidade (finalmente vencidas as sequelas da guerra dos cem anos), que conheceu novas vitórias militares – uma delas, em Maringano, em setembro de 1515 – e lançou bases para uma expansão colonial, não apenas no Novo Mundo mas também no Oriente.

Evocando a figura do protagonista dos acontecimentos na primeira metade do século XVI francês, a revista L’Historie laçou uma edição especial dedicada ao monarca que tomou o leme do país entre 1515 e 1547, reconhecendo nele aquele que abriu portas do reino ao renascimento. La Renaissence de François Ier – que não deixa de assinalar logo na capa o meio século sobre a vitória militar em Maringano – é um número de 100 páginas divididas em quatro grandes secções. Numa primeira, mais biográfica, recorda-se a sua mãe, Luísa de Sabóia (que assumiu a regência por duas ocasiões) e a figura de um homem que viveu entre duas épocas, herdando hábitos da França medieval mas projetando uma abertura aos novos tempos. A segunda parte recordas as ambições territoriais do rei, recordando as batalhas de Maringano, Amboise (1518) ou Pavia (1525), o relacionamento com Carlos V – que chegou a visitar Chambord – e com o sultão Solimão (com o qual assinou um inesperado acordo diplomático) e o interesse na navegação atlântica, que teve entre as suas expressões mais visíveis a fundação da cidade portuária de Le Havre. A terceira parte evoca o espírito iluminado pelas artes (e por uma admiração evidente pelo renascimento italiano), que se manifestou ora pelo assumir do papel de patrono de vários mestres – chegou mesmo a acolher Leonardo da Vinci – ou pela construção de novos palácios (de Chambord e Fontainebleau ao Louvre). A quarta parte recorda o político, sublinhando a aurora de um modelo absolutista, o relacionamento com as os conflitos religiosos da época e, através de novas expressões da escrita e da música, a afirmação de um tempo de prosperidade em França. Uma cronologia, sugestões de livros e discos e um guia de exposições completam o retrato.

Um bom complemento de leitura – e magnificamente ilustrado – pode encontrar-se no nº 231 dos Dossier de L’Art integralmente dedicado aos castelos do Loire, entre eles o magnífico Chambord (uma das afirmações mais evidentes do poder de Francisco I) ou Langelais, castelo ainda com linhas medievais que foi residência de Luís XI ainda no século XV, recordando um tempo em que o centro do poder francês esteve centrado nesta região.

Património reconhecido pela UNESCO desde 2000, a região do vale do Loire segue um percurso de cerca a de 280 quilómetros nas margens do rio e alguns dos seus afluentes, definindo uma área de aproximadamente 800 quilómetros quadrados. É por aí que encontramos ecos de um tempo que ainda reflete os acontecimentos vividos durante a guerra dos cem anos, assim como espelha o período de normalização das fronteiras que se viveu depois e que conheceu, precisamente durante o reinado de Francisco I, um tempo de afirmação de uma nova ordem arquitectónica que traduzia tempos de mudança.

Nesta edição de 100 páginas começa por ser lançada uma contextualização geográfica e histórica da região, servindo-se ainda uma breve “lição de arquitetura” que explica como o modelo do castelo medieval foi cedendo o lugar a habitações palacianas com mais janelas, outro tipo de disposição de salas e conforto. Depois, a representar o grosso do volume de páginas, segue-se uma apresentação de 20 castelos da região, para cada um sendo contada a sua história arquitectónica e vivencial, acompanhando cada exemplo com fotografias (frequentemente mais de exteriores que das salas).

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