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A força está no traço

Texto: NUNO GALOPIM

Número um de uma nova publicação percorre em 200 páginas o universo visual de Star Wars entre cartazes, imagens para cartas, jogos ou livros, ilustrações e obras de pintura inspiradas pela saga.

Visualização de Ralph McQuarrie para um momento de "A Guerra das Estrelas"

A força começou por se mostrar pelo traço de desenhadores. Como? Antes mesmo de George Lucas ter filmado a primeira cena durante a rodagem de A Guerra das Estrelas (1977), já uma série de desenhos de Ralph McQuarrie tinham representado as primeiras visões possíveis da saga galáctica imaginada pelo realizador que não tinha ainda conseguido conquistar os estúdios. Longe de imaginarem o que aí vinha (e a “força” que teria ao lançar uma era de intensa produção na área da ficção científica), tanto a United Artists como a Universal tinham recusado embarcar na aventura. Sentindo que faltava “mostrar” o que imaginava, Lucas chamou Ralph, então recém-formado pelo California’s Art Center of Design que tinha feito já trabalhos para a CBS por ocasião das missões Apollo na Lua e ensaiado uma colaboração num projeto sci-fi de nome Galactic, que acabou por nunca chegar aos ecrãs.

Com apenas um último pitch pela frente, a reunião com a 20th Century Fox era um pegar ou largar. E o peso caiu sobre o desenhador. Ao receber o argumento começou a desenhar, criando uma série de imagens que definiram uma linguagem visual que não só garantiram o entusiasmo do estúdio como tiveram inclusivamente impacte na construção de alguns elementos do filme, como as figuras de Darth Vader, C3P0 ou a Estrela da Morte.

Algum tempo depois, uma vez mais seria a força do desenho a marcar pontos antes das imagens em movimento. Num tempo em que não havia internet e o acesso aos trailers se fazia em sala quando, antes de outros filmes, alguém os incluía, cabia aos cartazes muita da sedução feita ao potencial espectador. Os irmãos Greg e Tim Hildebrandt, então com 38 anos, foram contratados por uma agência em Nova Iorque para pintar um cartaz para A Guerra das Estrelas em apenas quatro dias. Com a memória de um outro cartaz feito para Mel Brooks como o motivo pelo qual tinham sido chamados, os irmãos pediram informações mais concretas sobre o filme, respondendo a agência que não sabia de nada, que o não tinha visto, recordando Greg que julgavam que Darth Vader seria uma espécie de homem da máscara de ferro… Nas instruções com que voltaram para casa tinham a indicação para que criassem algo na linguagem dos comics e a sugestão de que não se preocupassem muito com a representação fiel dos atores (que não eram conhecidos) mas apostassem antes na exploração das personagens…

Mais de trinta anos depois, Greg voltou a desenhar para o universo Star Wars, criando três imagens para as novas edições dos comics da Marvel que recordam a trilogia original. Estas três imagens, juntamente com a do cartaz original, assim como algumas das primeiras visualizações deste universo assinadas em 1975 por Ralph MacQuarrie, integram as 180 páginas do primeiro número da nova publicação The Art of Film, todo ele dedicado a Star Wars.

Esta publicação não esgota atenções no trabalho diretamente relacionado com os filmes da saga nem os spin offs televisivos já criados, alargando os horizontes do seu universo a toda a vasta criação de imagens Star Wars, seja para séries de posters, comics, jogos ou até mesmo trabalho artístico de pintura e ilustração para venda em galerias.

Estão aqui, por exemplo, posters de Andy Fairhurst, que explora os efeitos da luz sobre a escuridão sobre figuras como as de Boba e Jango Fett ou Darth Vader. Ou, também sob clara vontade em trabalhar o efeito da luz, uma imagem de uma guerreira sith, pela espanhola Cecilia Garcia. Com uma outra tranquilidade e abordagem à cor e luz apresentam-se logo depois os trabalhos de Malcolm Tween, entre eles a paisagem desértica apresentada este ano em Anaheim, durante a convenção Star Wars Celebration.

Pelo volume encontramos ainda os desenhos de Gray Gould usados em jogos de cartas, as imagens widescreeen que Dave Dorman criou no 20º aniversário de A Guerra das Estrelas (uma delas fazendo parte da coleção particular de George Lucas), os retratos de Christian Waggoner que refletem o interlocutor nos olhos da figura pintada, os óleos de Doug Cowan, a concepção da imagem de Darth Maul segundo Ian McCaig, as ilustrações de Matt Busch para um livro de desenhos e cartas da Lucasfilm ou edições da DK Publishing ou imagens de Terry Dodson, que neste momento trabalha na série de comics Princess Leia, da Marvel.

Muitos dos outros criadores representados são artistas que partiram do universo para criar as suas visões, sejam elas as naves imaginadas de Ansel Hsiao ou as cenas de piqueniques com stormtroopers em miniatura ou de uma sala para tomar café e ler o jornal na Estrela da Morte, assinadas por Stephen Hayford. As visões para lá do cânone ora seguem a iconografia que conhecemos dos filmes ou rumam para lá da outer rim das ideias, como nos retratos que evocam as criações de Mucha de Karen Hallion ou os desenhos a aguarela, e sob um traço bem distinto, de Bobby Pontillas.

Em todos os casos, a força anda por aqui. E está no traço.

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