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O lado Marvel da força

Texto: NUNO GALOPIM

A Marvel Comics tem lançado desde janeiro novas séries de comics ligados a figuras da trilogia original do universo “Star Wars”. Até à chegada do filme outras duas ainda vão chegar aos escaparates.

A reativação do universo Star Wars, com uma agenda de filmes novos já arrumada entre os próximos anos, tem reflexos claros no mapa de lançamentos de livros e revistas. E só entre o departamento “comics”, a Marvel não tem tido mãos a medir, com todo um novo filão a justificar novas séries, algumas bem interessantes, convenhamos. O facto de Star Wars: The Force Awakens apontar o calendário dos acontecimentos a um período de cerca de três décadas após o que acompanhámos na trilogia original, devolvendo mesmo ao grande ecrã algumas personagens “históricas” fez centrar muitas das novas séries precisamente nestes tempos e entre estas personagens (vale a pena contar que o universo “expandido” em volta de Star Wars tem já narrativas ficcionadas bem atrás e bem adiante do que estes filmes deram já conta).

Numa altura em que se espera para meados de outubro a estreia de uma série centrada na figura de Chewbacca – o wookie que sabe mais de mecânica que o próprio Han Solo – e, em dezembro, uma outra com C3P0 por protagonista, pelo caminho estando prevista a série em quatro partes Shattered Empire (a publicar já a partir de dia 8 de setembro) que contará o sucedido após a Batalha de Endor (que vimos em O Regresso de Jedi), com texto de Greg Ruka e arte de Marco Checchetto, há já quatro séries a avançar em velocidade de cruzeiro. Uma representa um reboot da saga, centrando os acontecimentos no período que medeia os episódios IV e V, as outras seguem as figuras de Darth Vader, da Princesa Leia e de Lando Calrissian, todas elas de resto representando situações contemporâneas entre si.

As novas séries
Há já algum tempo ligado à Marvel, com obra que passa por comics ligados aos universos X-Men, Thor e Ghost Riders, e bibliografia que inclui ainda as séries Original Sin e Scalped (esta que precede a ligação à Marvel, com ação que decorre no espaço de uma reserva índia), Jason Aaron (n. 1973), que tem como memória mais remota deste universo o dia em que viu O Império Contra-Ataca no cinema, é o autor desta série que, com arte de John Cassaday, imagina uma sucessão de acontecimentos que, após a destruição da primeira Estrela da Morte, acompanham o esforço rebelde de multiplicar ações num momento de aparente desorientação entre as forças imperiais. Usando as personagens da trilogia original, e até mesmo retomando alguns locais conhecidos – de Mos Eilsey ao palácio de Jabba The Hutt – a série junta uma presença mais intensa de caçadores de prémios como adversários igualmente temíveis e começa, ao cabo de alguns números, a integrar novas personagens.

Há aqui uma preocupação de uma busca de verosimilhança visual sendo curioso que, ao invés das sugestões dadas aos autores do poster do filme em 1977, a quem foi dito que o rigor na representação dos rostos dos atores era secundário, essa parece ser agora uma regra a não contrariar nem por nada servindo o traço mais uma expressão de uma colagem aos filmes que uma tradução de alguma maior liberdade criativa. Os seis primeiros números perfazem um primeiro ciclo narrativo que, com o título conjunto Skywalker Strikes, terá edição conjunta em breve. Neste momento está em curso uma nova etapa narrativa, com o título conjunto Showdown on Smuggler’s Moon, mantendo o texto de Arron, mas agora com arte do italiano Simone Bianchi (na parte 7, The Journals of Ben Kenobi) e do canadiano Stuart Immonen.

O Império Contra Ataca foi também o primeiro filme para Kieron Gillen, inglês com um passado como jornalista (na área da música e jogos) que, ligado à Marvel em várias criações com super-heróis, é agora o autor de Darth Vader, a segunda das novas séries. Com arte do espanhol Salvador Larroca, mais livre que a que vemos em Star Wars, apesar de manter firme um respeito ao cânone visual, a série lança desafios mais interessantes ainda que os que acompanhamos na série estreada em janeiro, observando como a derrota no sistema de Yavin custará a Darth Vader uma séria repreensão, com consequências, da parte do Imperador. A paternidade e outras tormentas pessoais vão assombrar Vader numa narrativa na qual o autor assume as séries Eu Cláudio e House of Cards e os filmes da trilogia O Padrinho de Coppola como principal fonte de inspiração. Tal como na série Star Wars, o sub-mundo à margem da ordem imperial tem aqui um papel importante.

A arte mais luminosa e menos angulosa de Terry Dodson – que trabalhou com Warren Ellis em Storm – para a série Princess Leia assinala nesta a série que mais se afasta do cânone visual. Com texto de Mark Waid (que já criou histórias para o Super-Homem e Capitão América), a história parte do momento de triunfo após a destruição da Estrela da Morte e é aquela que mais cedo coloca em cena uma nova personagem, a rebelde Evaan, piloto de X-Wing Fighters, que assume com Leia um protagonismo feminino nas aventuras que se seguem e nas quais o impacte da destruição de Alderaan terá um peso determinante.

Mais recente é a estreia de Lando, uma outra série centrada na figura da figura que descobrimos pela primeira vez em O Império Contra-Ataca. Advogado norte-americano, com grande parte do seu trabalho para comics feito até aqui para a DC, Charles Soule assume aqui a criação de uma narrativa com ação sobretudo focada em cenários do sub-mundo de contrabandistas que precede o momento em que assume o controlo da cidade nas nuvens na qual o descobrimos em 1981. A arte, do búlgaro Alex Maleev, sublinha os tons escuros e de secretismo em que a ação evolui. Das quatro séries esta, que ainda vai cedo na sua evolução (com apenas três números já lançados), é a que mais se afasta narrativamente do cânone, sem contudo deixar de respeitar a mitologia e cronologia que sustenta todo o universo. Apesar da capa menos inspiradora do número inicial, é por esta razão a série que mais surpresa pode proporcionar.

Além destas séries centradas em figuras da trilogia original, entre as novas que a Marvel lançou este ano há que juntar ainda Kanan (herói da série de animação Star Wars: Rebels), que conta com texto de Greg Weisman (um dos produtores da série) e arte do espanhol Pepe Larraz.

E enquanto o novo filme não estreia, é por aqui que a força se vai mostrando…

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