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Porque tenho de escutar a música que não quero ouvir?

Texto: NUNO GALOPIM

Fim de tarde de um domingo de verão em Lisboa. Há quem venha da praia, quem tenha ficado pela cidade, até mesmo quem esteja a trabalhar (sim, há quem trabalhe aos domingos). O tempo está quente, mas a aragem corta o calor maior de outros dias de verão mais aceso. Pede um copo com algo fresco na mão, uma janela aberta. E, porque não, um disco escolhido? Porém, da rua chega uma batida insistente que não se cala. Tchi pum thi pum tchi pum. Insistente e presente. Sem botão para a podermos calar. Porque surge algures de sistemas de som colocados ao ar livre e a física explica o resto.

O que está em causa não é o tipo de música escolhida. Nem mesmo o volume com que é projetada no ar. O que se passa é que a festa de uns pode não ser a praia de outros. Mas sem uma sala que a guarde a quem tenha escolhido ali estar (e tem todo o direito de o fazer), acaba por ser coisa imposta aos outros.

A música tem de ser coisa livre para quem a escuta. Haja liberdade aí, sempre. Agora, não tem de ser imposta a quem a não quer ouvir. E vivemos numa sociedade que acha que é fixe ouvir música a toda a hora, da loja do trapo da moda ao jardim. Isto só banaliza a música. Porque deixa de ser algo que se escolhe e assim transforma-se em ruído de fundo. Acho que não é essa a ideia de quem a cria.

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