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Crónicas de um fim (que afinal o não foi)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma narrativa sobre um apocalipse anunciado mas não concretizado revela em “Broken World” uma das séries de comics em terreno sci-fi mais interessantes de 2015.

O mundo prepara-se para o impacte de um asteróide que deverá apagar a humanidade da superfície da Terra. Durante meses as preparações foram feitas para que parte da população (eleita, ou seja, oficialmente selecionada), fosse retirada pelos grandes elevadores espaciais para estruturas de abrigo no espaço. Já há notícias de saques e desordem. Há desencantamento e revolta entre os que sabem que vão ficar. E apareceram seitas com leituras e “soluções” pela fé… É a 48 horas do impacte que entramos em Broken World, uma narrativa em quatro partes com texto de Frank J. Barbiere (com trabalho conhecido entre comics das séries Five Ghosts ou Avengers World) e o traço limpo de Christopher Peterson (que fora das sequências de ação quase pisca o olho à BD franco-belga), cuja sobriedade é vincada pelo trabalho da colorista Marissa Louise.

As proximidades do apocalipse – por impacte de um grande corpo extra-terrestre – já habitaram muitas outras narrativas, das visões sugeridas por Larry Niven em Lucifer’s Hammer (1977) ou Arthur C. Clarke em The Hammer of God (1993) aos mais recentes 4:44 Last Day on Earth de Abel Ferrara ou Melancholia de Lars Von Trier, sem esquecer as leituras com mais barulho e cor e efeitos (e nem por isso melhores, antes pelo contrário) de Armageddon (Michael Bay, 1998) ou Deep Impact (Mimi Leder, 1998)…
Mais do que encarar o fim anunciado ou de acompanhar como foco central as dinâmicas de evacuação ou de eventual combate, pela tecnologia, à morte anunciada, Broken World junta um elemento narrativo que logo vinca a diferença e abre possibilidades à evolução da trama. O asteroide afinal passa tangencialmente à Terra. E os rejeitados, aparentemente condenados a morrer, são agora a população que habita o planeta. Entre eles está a protagonista, uma professora (que já só tem cinco alunos na última aula, a dois dias do impacte esperado) a quem é negado o acesso ao último elevador, quando nele se prepara para sair da Terra com a família. Há um passado que, identificado pela guarda, lhe nega essa saída. E que, além do mapa do geocaos entretanto instalado na Terra, é alimento para cativar o leitor, alargando mais ainda os horizontes que a história tem pela frente para depois explorar.

“Broken World”, de Frank J. Barbiere (texto), Christopher Peterson (desenho) e Marissa Louise (cores) é uma série em quatro partes publicada pelo Boom! Studios.

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