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“Praia do Futuro” abre hoje o Queer Lisboa 19

Texto: NUNO CARVALHO

Até dia 26 deste mês, a 19.ª edição do Queer Lisboa levará ao Cinema São Jorge um total de 76 filmes. A nova longa-metragem do brasileiro Karim Aïnouz abre esta noite o festival.

"Praia do Futuro"

Dois filmes em estreia nacional de dois nomes maiores do cinema contemporâneo marcam as sessões de abertura e de encerramento da 19.ª edição do Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer, que até dia 26 decorrerá no Cinema São Jorge. São eles Praia do Futuro, do brasileiro Karim Aïnouz (o filme do autor de Madame Satã terá honras de abertura e contará com a presença do realizador para apresentar a sessão), protagonizado pelo célebre ator Wagner Moura no papel de um nadador-salvador de Fortaleza que deixa para trás a mãe e o irmão menor para encontrar em Berlim uma nova vida, e Eisenstein in Guanajuato, o mais recente filme do cineasta britânico Peter Greenaway, um biopic sobre o mestre russo Sergei Eisenstein e a sua misteriosa passagem pelo México.

O Queer Lisboa prestará neste ano especial atenção ao Brasil, destacando-se da programação o filme Beira-Mar, da dupla Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, que nos dá daquele país um olhar melancólico e invernoso, bem diverso da imagem estereotipada de terra das praias e do samba, e que foi selecionado para a edição deste ano da Berlinale. Os realizadores estarão igualmente no festival. Também do Brasil estarão presentes o realizador Gustavo Vinagre, que, além de apresentar o seu filme Nova Dubai, discutirá os limites da representação do sexo explícito no workshop “Ver ou não ver, eis a questão”, e Tavinho Teixeira, que virá apresentar Batguano, integrado na secção Queer Art.

Além do já referido Beira-Mar, a competição de longas-metragens contará ainda entre os seus dez filmes com títulos como Lilting, de Hong Khaou, história de uma mãe sino-cambojana e de um homem inglês unidos pela dor da perda do mesmo homem, e que foi distinguido no Festival de Sundance, Black Stone, de Gyeong-Tae Roh, que eleva a um patamar metafísico a temática da poluição ambiental ao cruzá-la com questões ligadas ao VIH/sida, à imigração e ao nacionalismo, ou A Escondidas, do espanhol Mikel Rueda, no qual o racismo se cruza com a sexualidade na adolescência. Hong Khaou e Mikel Rueda também estarão em Lisboa para apresentar os seus filmes.

Na competição de documentários, destacam-se Call Me Marianna, da polaca Karolina Bielawska, sobre uma atrativa mulher de 40 anos que processa os pais a fim de conseguir uma mudança de sexo, Vivant!, de Vincent Boujon, que mostra como ainda hoje persiste o estigma do VIH/sida (Vincent Leclercq, uma das figuras centrais do filme, estará presente após a sessão, num debate que contará também com a participação dos realizadores Joaquim Pinto e Nuno Leonel); El Hombre Nuevo, de Aldo Garay, que neste ano recebeu o Prémio Teddy, na Berlinale, para melhor documentário; La Nuit S’Achève, de Cyril Leuthy, no qual um cineasta e o seu namorado acompanham um homem francês que revive a rota do seu exílio (o realizador estará presente na sessão); Welcome to this House, da veterana Barbara Hammer, sobre as casas e os amores da poeta Elizabeth Bishop; e Alex & Ali, de Malachi Leopold, sobre dois homens que foram separados após a revolução islâmica.

Na secção Queer Art, que a partir desta edição passará a ser competitiva, poderemos ver, entre outros títulos, Pauline S’Arrache, da francesa Émilie Brisavoine, um divertido e surpreendente olhar à própria família da realizadora, e que foi um dos filmes-sensação deste ano da secção paralela ACID no Festival de Cannes, Sueñan los Androides, da espanhola Ion de Sosa, um dos filmes que brilharam neste ano na secção Forum da Berlinale, ou Videofilia (Y Outros Síndromes Virales), do peruano Juan Daniel F. Molero, vencedor do Prémio Tiger do Festival Internacional de Cinema de Roterdão. Em Lisboa, para apresentar os seus filmes, estarão ainda Gemma Ferraté, realizadora de Tots els Camins de Déu, e Lior Shamriz, com Cancelled Faces.

Mantêm-se ainda as secções Queer Pop e Queer Focus. A primeira assinalará nesta edição os 25 anos do lançamento da compilação Red Hot + Blue, da Red Hot Organization, recordando ainda outros discos desta organização, um deles dedicado a Lisboa, e celebrará também a cantora islandesa Björk, através de um olhar antológico sobre a sua obra com base em dois conjuntos de telediscos. Já a segunda contará com um programa que procura questionar as relações de poder que se estabelecem através do sexo.

O festival conta com um total de 76 filmes, provenientes de 34 países, e terá neste ano a primeira edição do Queer Porto, que entre 7 e 10 de outubro levará uma seleção especial de filmes ao Teatro Municipal Rivoli. Mais informação disponível aqui.

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