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Três caixas para revisitar a obra de Sibelius

Texto: NUNO GALOPIM

Em tempo de assinalar os 150 anos do nascimento do grande compositor finlandês, três caixas antológicas recuperam gravações de referência de vários momentos da sua obra.

Longe vão os dias em que a obra de Jean Sibelius (1865-1957) era vista por algumas figuras na linha da frente da criação (e teorização) da música como coisa de outro tempo. O compositor finlandês foi um dos grandes nomes da música europeia do século XX (embora ainda nascido no século XIX, ou seja, formado em pleno romantismo) que mais resistiram ao afloramento e progressão do serialismo e, tal como o britânico Ralph Vaughan Williams, construíram uma obra sinfónica que, de certa forma, rumou contra as tendências do seu tempo. Viveu dissabores e ouviu disparates, como tantas vezes aconteceu (e continuará a acontecer) sempre que uma geração (ou grupo) de criadores resolve que só a sua voz é a certa, as outras nem por isso.

Mas o tempo avançou, ao ritmo de 365 (ou 366) dias por ano. E desde finais do século XX, e com ainda mais evidência na música que se faz atualmente (e basta escutar nomes de novas gerações, de um Adès a um Muhly), outra noção de liberdade entrou em cena. E, tal como tantas outras memórias ou caminhos, a revisitação das heranças diretas do romantismo, naturalmente repensadas e contextualizadas num quadro do século XXI, não é mais tabu a evitar. Esta mudança de atitude reflete-se não apenas nos novos caminhos – mais desafiantes que nunca – que a música hoje enfrenta, mas numa própria forma de valorizar heranças. E entre as justificadas redescobertas do nosso tempo conta-se todo um conjunto de (saudáveis) reencontros com a obra de Jean Sibelius, colocando-o justamente ao lado de Shostakovich, Mahler ou Vaughan Williams, entre os grandes sinfonistas do século XX.

Nos últimos anos assistimos a uma série de novas gravações de integrais da obra sinfónica do compositor finlandês (e se acontecem nesta escala é porque há um público para a elas aderir). Podemos, entre outras, destacar uma integral gravada pela London Symphony Orchestra, dirigida por Colin Davies. Ou uma ainda mais recente, lançada pela Naxos, registada pela New Zeland Symphony Orchestra, sob direção do finlandês Pietari Inkinen.

Agora, neste 2015 que se prepara para assinalar os 150 anos do seu nascimento – a 8 de dezembro – multiplicam-se os lançamentos, sobretudo de caixas antológicas. E três delas chamam atenções.

Lançada pela Deutsche Grammophon e pensada na linha de outras edições antológicas recentes dedicadas a compositores como Messiaen ou Liszt, a Sibelius Edition (com 14 CD) promove um olhar transversal sobre a obra do compositor finlandês através de uma reunião de gravações (de várias) épocas registadas e originalmente apresentadas em discos no catálogo desta mesma editora. Como nessas outras caixas, a “força” desta Sibelius Edition parte diretamente da excelência do acervo da Deutsche Grammophon, juntando aqui grandes orquestras, maestros, solistas e vozes numa seleção de obras que passam pela sua integral sinfónica, os poemas sinfónicos, concertos, música de câmara, canções e até mesmo obras criadas para os palcos de teatro. Entre os nomes revisitados contam-se, entre outros, os de Leonard Bernstein, Herbert Von Karajan, Okko Kamu, Neeme Järvi, Anne Sofie Mütter, André Previn e várias formações nórdicas.

Mais focada num espaço concreto da obra de Sibelius, a caixa Complete Songs, da Decca Classics (com quatro discos) corresponde a um trabalho de gravação que data de 1981, juntando a integral das canções do compositor em interpretações nas vozes de Tom Krause (barítono) e Elisabeth Söderström (soprano), às quais se juntam os pianistas Vladimir Ashkenazy e Irwin Gare e ainda o guitarrista Carlos Bonell.

Uma terceira caixa recorda o ciclo sinfónico que Leonard Bernstein gravou com a New York Philharmonic entre 1961 e 67. Com as gravações agora remasterizadas, Bernstein – Sibelius: Remastered é uma caixa de sete discos lançada pela Sony Classical, juntando às sete sinfonias alguns poemas sinfónicos e as duas suites criadas a partir da música para uma produção teatral de Peer Gynt.

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