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‘Scream Queens’, entre o hilariante e o “nonsense”

Texto: NUNO CARDOSO

Descrita como uma série de terror e comédia, o novo projeto de Ryan Murphy, que vai beber inspiração a “Nip/Tuck”, “Glee” e “American Horror Story”, pertence mais ao segundo do que ao primeiro universo. Emma Roberts e Jamie Lee Curtis são as protagonistas.

Uma mistura do ADN dos filmes Gritos e Giras e Terríveis. A primeira impressão pode ser esta, mas é injusto fechar Scream Queens, a nova série estreada há uma semana nos EUA (ainda sem data de chegada a Portugal), pelas mãos de Ryan Murphy, o cérebro por trás de Nip/Tuck, Glee e American Horror Story, dentro desta gaveta.

Criada ao lado de Brad Falchuk e Ian Brennan, os seus companheiros de eleição no currículo televisivo, a trama gira em torno de uma série de assassinatos dentro da mais desejada irmandade de estudantes da Universidade de Wallace, a Kappa Kappa Tau, repetindo-se o mesmo cenário de há 20 anos – a série começa, de resto, com este flashback.

Descrito como um formato de terror e de comédia, Scream Queens situa-se mais no último género do que no primeiro. E muito provavelmente, de forma intencional. A série da Fox protagonizada por Emma Roberts e Jamie Lee Curtis (que levam a trama às costas com as suas performances) é propositadamente exagerada e insólita nos seus diálogos e enredos, caricaturando os elementos mais risíveis dos filmes de terror do circuito comercial.

Com uma estética sui generis, Scream Queens balança numa linha ténue entre o hilariante e o nonsense, com toques de humor corrosivo e sarcástico, próprio de um grupo de adolescentes ricas e mimadas, lideradas por Chanel (Roberts, aqui numa personagem que em muito faz lembrar a sua Madison de American Horror Story: Coven), que em conjunto com as duas súbditas (todas elas sem nome, apenas conhecidas por Chanel 2, Chanel 3 e Chanel 5), que desdém das novas integrantes da irmandade – nova condição imposta pela diretora da escola (Lee Curtis, também ela um rosto do cinema de culto do terror, com a saga Halloween), com piscares de olho ao universo queer, assumidamente habitual no trabalho de Murphy.

As roupas e a mansão de luxo onde vivem estas estudantes oscilam com o lado sinistro e sangrento da história, pela mão do serial killer da série, mascarado de um diabo vermelho, e tornando qualquer personagem num suspeito. Até do particular e exageradamente caricato leque de membros nerd da irmandade: uma ingénua com problemas na coluna vertebral (Lea Michelle, de Glee), uma sósia de Taylor Swift surda ou uma fanática por velas.

Para além da consistência musical, assente numa banda sonora alimentada pela eletrónica da década de 80, Scream Queens é o puzzle que une o legado de Ryan Murphy na TV: a obsessiva busca pela perfeição e o culto do físico de Nip/Tuck, os dramas adolescentes e estudantis de Glee e Popular ou os elementos gore de American Horror Story.

Consistente com o seu trabalho nos últimos anos, tudo leva a crer que Ryan Murphy queira tornar Scream Queens numa série antológica, à semelhança de American Horror Story e American Crime Story (que ainda não se estreou, sobre o julgamento de O.J. Simpson), uma vez que já foram registados pela Fox os subtítulos para as próximas duas temporadas, com enredos e contextos distintos em cada uma delas.

Apesar da sua estreia ter sido vista por quatro milhões de espectadores nos EUA, um número pouco animador para as médias da Fox, principalmente tendo em conta a gigante campanha de marketing das últimas semanas, a verdade é que a audiência de Scream Queens subiu para os sete milhões quando adicionados os números da visualização posterior por streaming, prova de que a série está a chegar ao seu público alvo: os adolescentes e jovens adultos.

É a pensar nesse público que Ryan Murphy convidou Nick Jonas (dos Jonas Brothers) e Ariana Grande para participações especiais nesta série. Com os seus defeitos e virtudes, e capaz de polarizar opiniões, se há coisa que não se pode acusar Scream Queens é de ser insonso. Ou se adora, ou se detesta.

1 Comment on ‘Scream Queens’, entre o hilariante e o “nonsense”

  1. Ando agora a ver a série, é muito boa. 4*

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