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Não estará o vinil a ficar caro demais?

Texto: NUNO GALOPIM

Row of old records

Os números começaram a dar nas vistas nos últimos anos. E mesmo sendo um nicho começaram a ganhar solidez. Tanta que as edições começaram a surgir com maior ritmo, em mais alargado espetro de géneros, cruzando épocas, lembrando até, como acontecera na explosão do CD, como o velho e o novo tinham peso de mercado, aos novos lançamentos as reedições juntando assim argumentos em favor dos números globais das vendas. Com o panorama em sorridente crescimento após anos de quedas sucessivas, aos discos juntaram-se as lojas… E parecia que estava tudo finalmente a funcionar bem. Falo, como devem ter reparado, do vinil que, felizmente, regresso aos hábitos de consumo dos melómanos (e nem vamos aqui argumentar porque o vinil é melhor dos que os outros e patati patatá). E se costumam passar pelos escaparates das lojas de discos, terão notado que “aumentar” é o verbo que ali mais se conjuga. Aumentaram os espaços para o vinil. Aumentou a oferta em variedade e quantidade de discos. Mas aumentaram também, e muito, os preços. E aqui, atenção, pode morar o principio de um novo fim…

Há uns 25 anos, quando o vinil e o CD coexistiam era o digital quem pedia mais escudos (na altura ainda não havia euros)… E um CD custava consideravelmente mais do que o mesmo álbum em vinil ou cassete (estes dois formatos relativamente de par em par na hora de chegar à caixa registadora). Mas agora vemos o oposto. E se os CDs eram já coisa cara face ao que são as ofertas de streaming ou download, o vinil começa a atingir valores que não são de todo justificáveis.

É certo que se dá ao consumidor um produto físico, palpável, bonito mesmo. Mas é um álbum. E, a menos que seja uma edição “xpto” com acabamentos de luxo que o fã mais devoto ou o dono de carteira mais recheada podem pagar, um álbum em vinil não se pode transformar de per se num objeto de luxo. Haja, volto a sublinhar, edições especiais… Até mesmo luxuosas. Mas o simples álbum em vinil, seja simples ou duplo (ou mais ainda) não deve ser, apenas por estar neste suporte, um objeto de preços que quase sejam o dobro daquilo que a mesma música pede em CD, isto para nem mencionar comparações com os suportes digitais.

Os editores voltaram a ver os números a crescer, com o vinil a ser parte do bolo. Mas cautela com os apetites. Não vivemos tempos de fartura. E mesmo o entusiasmo pelo reencontro com o vinil não aguenta os preços que começam a ser praticados.

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