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Viagens pelos mundos e temas de Blake & Mortimer

Texto: NUNO GALOPIM

Uma edição especial da “Beaux Arts” e a presença no Top 10 de uma outra lançada há poucos meses recordam a relevância no universo da nona arte desta criação de Edgar P. Jacobs que tem conhecido novas vidas desde 1996.

Com novos lançamentos a um ritmo relativamente regular entre a agenda de edições desde que, em 1996, surgiu pelas mãos de Jean Van Hamme e Ted Benoit O Caso Francis Blake, a segunda etapa de vida dos heróis criados por Edgar P. Jacobs tem reforçado o estatuto desta obra como uma das mais centrais e influentes da história da banda desenhada. Mesmo não tendo nunca nenhum destes álbuns de criação pós-Jacobs alcançado sequer os patamares dos momentos menos inspirados do criador de Blake & Mortimer, o impacte dos novos livros e o reconhecido valor referencial dos álbuns históricos fazem deste um universo que continua a somar novos admiradores, cruzando gerações e mantendo acesa uma das mais vibrantes heranças da história da nona arte. E duas evidências recentes desse reconhecimento – que é um caso na história da cultura popular além de ser também um valor do mercado livreiro ligado à BD – surgem em edições especiais que a revista Beaux Arts lançou recentemente.

Surgida nas bancas há poucas semanas a revista especial Blake & Mortimer Face aus Grands Mystères de L’Humanité é um grande dossier temático de 136 páginas na linha daqueles que, nos últimos anos, têm abordado algumas obras do mundo da BD segundo pontos de vista temático, dos ecos nas aventuras Astérix de figuras e momentos da história de França ao relacionamento de Tintin com o mar ou os animais, havendo até uma edição especial do Le Point dedicada às figuras históricas que se cruzam pelo universo destas personagens de Edgar P. Jacobs.

Nesta edição especial ligam-se as várias edições de álbuns de Blake & Mortimer (tanto os clássicos como os mais recentes) a grandes acontecimentos, factos ou mitos e ainda lugares com os quais as aventuras partilham cenários e contextos. Há, por exemplo, um artigo sobre hipnose e manipulação mental a propósito de A Marca Amarela ou a sequela que encontrámos depois em A Onda Septimus. A história de Judas é explicada ao evocar A Maldição dos Trinta Denários. A pirâmide de Queóps justifica uma visita graças a O Mistério da Grande Pirâmide. Visitamos as catacumbas de Paris a “convite” de O Caso do Colar, assim como viajamos à Antártida com Os Sarcófagos do 6º Continente. A propósito de O Enigma da Atlântida fala-se de discos voadores. E livros como A Armadilha Diabólica ou até mesmo O Raio U (que é também de Jacobs, apesar de não envolver estes heróis) convidam-nos a ler sobre o mundo perdido dos dinossáurios…

Além destes percursos históricos e temáticos esta edição especial junta alguns textos e imagens sobre Edgar P. Jacobs (de quem apresenta uma biografia) e o seu processo criativo. É de resto a mais interessante sequência de páginas desta edição aquela em que vemos, com exemplos impressos, como Jacobs trabalhava o rigor na representação das cenografias, dos pontos de vista para as diversas imagens em volta de um foco de ação comum ou pensava a découpage, tal como o faria um realizador de cinema.

Já com alguns meses, um outro número especial da Beaux Arts dedicado à nona arte teve uma imagem de O Mistério da Grande Pirâmide na capa. Trata-se de uma edição que, com o título Les Chefs-d’Oeuvre de la BD, apresentou uma seleção de dez álbuns essenciais da história da banda desenhada, juntando ainda cinco pequenas histórias de alguns dos autores aqui destacados. Fica claro que esse livro de 1954 de Edgar P. Jacobs é um dos destacados, ao qual se juntam O Lótus Azul (1946) de Hergé, La Ballade de La Mer Salée (1969) de Hugo Pratt, Le Spectre aus Balles d’Or (1972) de Jean Giraud e Jean-Michel Charlier, Les Passagers du Vent (1979) de François Bourgeon, Partie de Chasse (1983) de Enki Bilal e Pierre Christin, Maus (1986) de Art Spiegelman, 120, Rue de La Gare (1989) de Jacques Tardi, From Hell (1999) de Eddie Campbell e Alan Moore e Jimmy Corrigan (2003) de Chris Ware. Todos os livros são abordados de um ponto de vista artístico, mas também lidos integrados no contexto em que foram criados e explicando as temáticas que abordam.

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