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Um símbolo de paz, por Jean Jullien

Texto: NUNO GALOPIM

Na mesma noite em que acompanhámos as notícias de terror que chagavam de Paris, um desenho de um jovem ilustrador francês tornava-se num símbolo de uma mensagem de luta pela paz.

A ver um concerto. A tomar qualquer coisa numa esplanada. A ver um jogo. Ou simplesmente a guiar um carro, na rua da cidade. Podia ser qualquer um de nós. Podia ser aqui. Foi em Paris. Mas, repito, podia ter sido aqui e com qualquer um de nós.

A noite de ontem colocou-nos uma vez mais perante uma demonstração de intolerância de quem mata porque o(s) outro(s) pensa(m) ou age(m) de modo diferente. E ao escolher (sim, escolher) esplanadas, uma sala de concertos, um estádio, quem agiu quis mesmo deixar claro que todos nós somos o alvo. Nós sociedade livre, que assimila a diferença. Que ouve a música que entende, que lê o que quer ler, que come o que entender comer (carne, peixe ou vegetais, não importa). Não interessa se, como se conta, Londres, Roma e Washington estão na lista das ameaças seguintes. Somos todos parte da lista.

Há que agir, naturalmente. Com firmeza. E com estratégia concertada. Mas com a cautela de não dar ainda mais voz aos que, nestes momentos, usam, do “nosso lado”, o nosso medo a seu favor. Mas há que agir, sim. Porque, mais do que apenas os alvos desta noite, foi também contra os fundamentos da sociedade livre e democrática que a cultura ocidental representa que estas ações se desencadearam. Saibamos, por isso, defendermo-nos não apenas a nós. Mas também a esse ideal pelo qual gerações de lutas foram somando conquistas que não podemos perder.

É por isso que o pequeno desenho de Jean Jullien ganhou força viral esta noite. Um símbolo da paz, com a sugestão evidente, de uma Torre Eiffel, dentro do círculo. Banksy partilhou o desenho num tweet… E agora a imagem corre pelo mundo. Porque contra o terror lutamos pela paz.

Natural de Nantes, residente em Londres, Jean Julian chegou ao Reino Unido há alguns anos já com um curso de design gráfico. Entretanto juntou ali mais alguns anos de estudos, que completou entre a Central Saint Martins em 2008 e o Royal College of Art em 2010. O seu trabalho passou já por experiências tão diferentes quanto a criação de um a linha de roupa juntamente com um designer coreano ou a parceria com o projeto de música electrónica Niwouinwouin (ou seja, Nicolas Jullien). Como ilustrador tem assinado trabalhos em publicações como a New Yorker, o New York Times, a Little White Lies, Télerama, Le Nouvel Observateur ou a Les Inrockuptibles. Em 2011 criou a dupla Julien Brothers, essencialmente dedicada à criação de trabalhos de animação.

Jean Jullien descreveu já a sua obra como algo que parte sobretudo da observação e da crítica, juntando elementos que traduzem um certo bom humor. Ao trabalho de ilustração, desenho e design gráfico juntou já experiências tridimensionais, na escultura ou em instalações. A liberdade é, como defende, a característica do seu trabalho que mais o entusiasma.

Podem ver aqui o seu blogue visual The News of The Times

Podem visitar aqui o site do artista, onde há uma galeria representativa de imagens do seu trabalho.

Podem ler aqui uma entrevista com Jean Jullian

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