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“Goldeneye” (1995) – Em tempo de mudanças

Texto: NUNO GALOPIM

No dia que assinala os 20 anos sobre a estreia de “Goldeneye” iniciamos uma série de olhares sobre os filmes que fazem, desde 1962, a história de James Bond no grande ecrã. Este, por exemplo, foi o primeiro com Pierce Brosnan.

Após seis anos de silêncio, que se deveram a uma série de questões do foro legal, quando, em 1995, James Bond regressou ao ecrã, o mundo era bem diferente daquele que, desde a sua estreia no cinema, em 1962, o agente 007 sempre conhecera. A queda do muro de Berlim (que acontecera no mesmo ano de Licence to Kill, mas naturalmente ainda sem repercussão nesse filme) colocara em cena um novo mapa geopolítico, obrigando a todo um repensar dos jogos de espionagem no quadro no qual Ian Flemming tinha pensado a figura de Bond e pelo qual muitos dos livros e filmes tinham definido as linhas que separavam heróis e vilões. Naquele que foi o primeiro filme da série sem ligação a qualquer texto escrito de Ian Flemming, Goldeneye (que parte de uma ideia narrativa definida por Michel France) estabelece essa diferença numa trama que tem a sequência de abertura no “antes” e decorre essencialmente “após” a derrocada da URSS, revelando através de jogos de poder individuais e de um sistema em desagregação um possível novo caminho para ali encontrar terreno fértil que assegurasse novas vidas a James Bond depois do fim da cortina de ferro. Isto sem esquecer um upgrade no arsenal tecnológico ao serviço de ambos os lados algo que, de resto, sempre foi marca de identidade em todos os filmes desde a estreia em Dr. No.

Essa não é contudo a única das grandes novidades de Goldeneye. O filme ficou sobretudo na história da personagem por ter representado a estreia como James Bond do ator Pierce Brosnan, substituindo Timothy Dalton que acabara por não cumprir a ideia inicial de vestir a sua pele durante três filmes (ao que parece chegou a haver cartazes para o eventual terceiro filme, que na verdade acabou por não ser feito). Com Borsnan entram em cena também outras figuras no elenco, nomeadamente Judy Dench (que será M até Skyfall, em 2012) e Samantha Bond (que interpretará a figura de Moneypenny durante o consulado de Pierce Brosnan, até 2002).

Os novos contextos nos quais as narrativas são reforçados por uma demanda de novas ideias no plano da realização, amplificando as vitaminas de ação a novos patamares, acentuando o lado de quase super-herói que aflorara antes em várias ocasiões, mas que nunca tinha alcançado uma materialização tão inverosímil como a que vemos na sequência de abertura quando Bond mergulha no vazio, atrás de uma avioneta, na qual entra em voo livre e com a qual acaba a viagem já sentado no lugar do piloto…

Na música houve também novidades. Bono e The Edge compuseram a canção-tema, brilhantemente interpretada por Tina Turner num registo em tudo fiel ao cânone da série. Já a partitura orquestral franziu (justificadamente) algumas sobrancelhas ao procurar caminhos que nem sempre se ajustaram ao universo, tendo várias críticas sublinhado uma vontade em fugir ao registo canónico sobretudo definido pelas bandas sonoras de John Barry a quem a produção chegara a pedir que assinasse a música, tendo contudo declinado o convite.

O bom impacte na bilheteira que o filme alcançou na altura garantiu a James Bond uma nova licença para continuar. A vinte anos de distância não é mais do que um Bond mediano, que ficou registado pelos episódios de mudança que representou (e pela canção tema) mais do que pelos feitos cinematográficos em si.

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