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As novas trovas luminosas de Robert Forster

A caminho de se assinalarem os 35 anos sobre o lançamento de Send Me a Lullaby, o álbum de estreia dos The Go-Betweens, reencontramos Robert Foster, uma das duas forças criativas da banda (a outra, Grant McLennan morreu há já nove anos), a regressar aos discos após um hiato relativamente longo. De resto, desde o seu álbum anterior (The Evangelist, que data de 2008), de Robert Forster o que recebemos de absolutamente novo foi um volume com uma seleção de alguns dos textos que ele tem escrito sobre música desde há algum tempo e que lançou com o título The 10 Rules of Rock and Roll: Collected Music Writings 2005–09, representando todavia o mais expressivo corpo de trabalho destes últimos anos a redação de uma série de memórias com as quais acompanhou a primeira de três caixas antológicas sobre a obra dos Go-Betweens que lançou já este ano.

Songs to Play é um disco bem diferente da coleção de canções claramente assombradas pela perda do amigo Grant McLennan que Forster nos dera a ouvir no disco de 2008. É um álbum mais luminoso, bem humorado, que não esconde um tempo de felicidade e de autoestima em alta e que se revela musicalmente rico em acontecimentos, sem contudo contrariar as marcas de identidades habituais na sua forma de cantar e na característica relação que tem com a guitarra. Este é o álbum que, mesmo mantendo-se mais próximo da identidade introspetiva de Forster do que das visões mais pop e luminosas das canções de McLennan, representa, na obra a solo deste primeiro, o disco que caminha mais perto das heranças pop dos Go-Betweens (sobretudo face aos discos de meados dos oitentas), não faltando ainda aqui frequentes citações ao universo dos Velvet Underground, afinal uma referência que ilumina a sua identidade desde sempre.

O disco mantém presente a forma algo conversada de Robert Forster cantar, num registo que serve brilhantemente uma escrita que sabe contar histórias, retratar figuras e acontecimentos, assim como falar do que se sente e pensa. Musicalmente há sinais de novas experiências, em parte decorrendo do trabalho com novos colaboradores, entre os quais estão elementos dos John Steel Singers (de Brisbane, de onde é natural), que tem produzido, e da sua mulher, a violinista Karin Baumler, assim como do seu filho Louis, a discreta presença de sintetizadores alargando as texturas e cenografias também para além do que nos dera a escutar em discos anteriores. São estes pequenos detalhes que, a cada audição, fazem de Songs to Play um pequeno mundo que vai conquistando um lugar em nós. Para se revelar, ao cabo de estabelecida uma franca familiaridade, num dos melhores episódios da sua obra além dos Go-Betweens.

Robert Forster
“Songs To Play”
LP, CD e ed. digiral Tampete
4 / 5

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