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1978. Os primeiros passos (com cabelos longos) dos Japan

Texto: NUNO GALOPIM

Editado em 1978 o álbum de estreia dos Japan mostra uma banda de rock encantada pelos caminhos do disco sound e do funk, mas muito longe ainda do sentido de elegância pop que encontraria mais adiante.

De olhos fechados poucos os reconheceriam. E de olhar para a capa do disco, sem o som a confirmar do que se tratava, a tarefa não seria igualmente fácil. Mas foi assim que tudo começou… Com cabelos longos. Guitarras a escorrer eletricidade. Um rock animado por heranças glam, algures entre os ensinamentos de Bowie e Bolan, mas colhendo também pistas entre os New York Dolls, e mostrando-se igualmente seduzido pela assimilação de ideias do disco sound e do funk, ocasionalmente experimentando outros caminhos (nomeadamente o reggae), aqui e ali aceitando abrir espaço a uma mais evidente presença das teclas… Os Japan em 1978 quase só tinham em comum o nome e quatro elementos face ao que deles faria a mais elegante e inteligente banda pop na alvorada dos oitentas. Mas foi assim que tudo começou…

Na verdade a história já vinha de trás, com primeiros passos dados numa escola no sul de Londres onde então estudavam os irmãos Dave e Stephen Batt (ou seja, David Sylvian e Steve Jansen), Adonis Michaelides (que seria conhecido como Mick Karn) ou Richard Barbieri (que nem teve de mudar de nome, que vá nascera com assinatura digna de artista). Um ano depois a eles juntou-se o guitarrista Rob Dean completando um quinteto que se fez à estrada e às canções.

A vitória num concurso de talentos deu-lhes finalmente em 1977 o passaporte para o estúdio de gravação, das sessões com o produtor Ray Singer nascendo o álbum de estreia Adolescent Sex que editaram pela Hansa Records em inícios de 1978. Como cartão de visita apostaram em Don’t Rain on My Parade, uma versão animada a eletricidade de uma das canções do musical Funny Girl que ficara célebre através da interpretação de Barbra Streisand.

O single foi um valente tiro ao lado (o primeiro de vários), primeira expressão de todo um corpo de ideias ainda mal resolvidas e de uma identidade ainda longe de definida que caracterizava os Japan de então.
O álbum tem momentos mais interessantes quando as teclas entram em cena e temperam temas como Transmission ou Suburban Love ou até mesmo no flirt eletro funk de Performance. Já o longo Television, que fecha o alinhamento, não é mais senão uma tentativa (falhada) de ensaio para além dos formatos clássicos da canção, juntando tantos ingrediente que perde a mão no sabor final da coisa. Vale a pena notar que, ao chamar Comunist China a um dos temas, o grupo inicia aqui uma viagem rumo a focos de interesse orientais que, mais adiante, lhes valeriam algumas boas revelações.

Depois do fracasso de Don’t Rain on My Parade foram ainda extraídos como singles o tema-título do álbum (que chegou ao número 27 na Holanda) e, depois, The Unconventional, que passou longe das atenções. Os maiores focos de interesse acenderam-se logo no Japão, onde o disco alcançou o número 20, o seu melhor resultado em todo o globo… Mas havia ainda muito caminho a talhar até que os Japan encontrassem, de facto, quem eles mesmo podiam ser.

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