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Dez clássicos de Natal do nosso tempo

Texto e escolhas: NUNO GALOPIM

Tradição reencontrada nos últimos tempos, o hábito de gravar canções para discos de Natal tem gerado algumas boas surpresas. Aqui apresentamos dez desses casos recentes.

O disco de Natal foi uma tradição importante quando o LP entrou no quotidiano de muitas casas. Nos anos 50 foi inclusivamente um espaço importante de mercado, raros tendo sido os nomes maiores do firmamento da música popular a não ter passado, uma ou outra vez, pelo estúdio para gravar sobretudo versões de canções que se fizeram standards da quadra. Frank Sinatra, Elvis Presley, Peggy Lee, Doris Day, entre tantos outros, são exemplos a recordar. No final dos anos 60 o hábito foi-se perdendo, sendo recuperado anos mais tarde, nos anos 80, num mesmo natal que escutou os Wham! a cantar Last Christmas, em que víamos os Frankie Goes to Hollywood a usar iconografia da quadra no teledisco de The Power of Love, escutávamos Prince em Another Lonely Christmas e encontrávamos uma multidão de músicos, comandada por Bob Geldof e Midge Ure, a fazer de Do They Know It’s Christmas? o paradigma para uma nova etapa de relacionamento da cultura pop/rock com a recolha de fundos para grandes causas. Esse Natal, em 1984, foi uma exceção, embora não tenha representado a única ocasião em que, nos setentas e oitentas menos dedicados a estes trilhos, a quadra também teve expressão pop. Basta aí recordarmos, por exemplo, o momento (em 1978) no qual David Bowie se juntou a Bing Crosby para cantar Little Drummer Boy. Ou aquele, em 1980, no qual Jona Lewie deixava bem clara uma cenografia natalícia em Stop the Cavalry. Os anos 90 assistiriam a um mais frequente reencontro com este espaço de tradição. E, depois da viragem do milénio, tornou-se mesmo frequente vermos bandas e artistas em campos mais “alternativos” a gravar versões de standards ou a criar as suas canções de Natal. Em contagem decrescente para o Natal deste ano, vamos aqui recuperar dez desses clássicos natalícios já do século XXI.

 

2002. “Put The Lights on the Tree”, de Sufjan Stevens
Não foi o primeiro nome vindo do universo indie a abordar a quadra na forma de canções (Kirsten Hersh, por exemplo, já tinha editado o seu Holy Single em 1995). Mas a partir de 2001, e longe ainda de viver sob os focos das atenções – o que aconteceria só depois de Illinois, em 2005 -, o músico norte-americano tomou por (bom) hábito a rotina de registar um EP de canções de Natal a cada ano, nesses discos juntando tradicionais e inéditos, uns sublinhando os valores clássicos da quadra, outros propondo outros pontos de vista. Eram discos que fazia para oferecer a amigos e que, em alguns casos, chegaram a ser disponibilizados em sites de admiradores seus. Put The Lights on The Tree, que conheceu um teledisco com animação de Tom Eaton, incluía a colaboração da Michigan Militia, dos Swans, dos Illinoisemakers e da avó do próprio músico. A canção surgiu originalmente em Hark! Songs For Christmas – Vol. II, gravado em dezembro de 2002. Este EP seria reunido juntamente com outros quatro na caixa Songs For Christmas, que Sufjan Stevens lançou em 2006. Seguindo a mesma lógica, uma segunda edição, Silver & Gold, apresentou em 2012 os EPs gravados entre 2006 e 2010.

2003. “The Christmas Song”, The Raveonettes
Revelados em 2002, os dinamarqueses Raveonettes foram um dos primeiros nomes com projeção maior entre as bandas que protagonizaram um importante reencontro das atenções com valores primordiais do rock pouco depois da viragem do milénio. Em 2003 apresentavam num single este Christmas Song que, para espanto de muitos, não integrou o alinhamento de um disco de Natal que editariam algum tempo depois. Lançado em 2008, esse EP, com o título, Wishing You a Rave Christmas apresentava três inéditos e uma versão de Christmas (Baby Please Come Home) de Darlene Love.

2005. “Spotlight on Christmas”, Rufus Wainwright
Numa sequela com tempero natalício para o “clássico” The McGarrigle Hour, disco que juntara os diversos elementos da família McGarrigle (e Wainwright) em volta de um belo lote de canções, o álbum The McGarrigle Christmas Hour fixou num conjunto de gravações o que era também um hábito familiar pelos dias desta quadra, juntando-se muitas vezes alguns deles num concerto especial de Natal. Estão aqui reunidas as irmãs Kate e Anna McGarrigle (este seria mesmo o derradeiro disco de Kate), assim como os dois fihos da primeira, Martha e Rufus Wainwright. É ele quem aqui canta Spotlight on Christmas, um inédito de sua autoria que explora um quadro de comentário social em contexto natalício.

2006. The Knife “Christmas Raindeer”

Quando ainda não era um hábito generalizado a oferta de canções, os suecos The Knife terão sido dos primeiros a entender esse gosto pelo presentear dos seus admiradores com uma canção. E foi assim com Christmas Raindeer. Era na origem um tema do alinhamento do seu álbum de estreia, The Knife, lançado em 2001. Com um novo arranjo e um novo título, a canção surgiu em 2006 como mp3 de download gratuito. Há uma expressão física deste tema apenas em CD singles promocionais que por essa altura circularam na Suécia.

2009. “I Wish it Was Christmas Today”, Julian Casablancas
Em finais de 2009, o ano em que o vocalista dos The Strokes apresentava em Phrases For The Young o seu primeiro álbum a solo, Julian Casablancas surpreendia a quadra natalícia com o lançamento de um singe no qual apresentava uma versão de I Wish It Was Christmas Today, canção apresentada pouco antes num sketch do programa televisivo Saturday Night Live, com Horatio Sanz, Jimmy Fallon, Chris Kattan e Tracy Morgan. O single saiu com uma tiragem limitada de 500 exemplares em vinil de sete polegadas, com Old Hollywood no lado B. Na capa, de copo na mão, Casablancas deixa uma marca de assinatura alternativa face à iconografia mais habitual da quadra, tal como de resto o sublinha tematicamente a própria canção.

2009. “It Doesn’t Often Snow On Christmas”, dos Pet Shop Boys
A canção tinha originalmente surgido em 1997, num pack especial distribuído como oferta para os elementos do fan club dos Pet Shop Boys. A canção e a sua versão instrumental surgiam num CD single com motivos de design alusivos à quadra, que era apresentado num invólucro prateado. Em 2009 uma nova gravação desta canção surgiu no EP a que chamaram simplesmente Christmas e no qual juntaram o tema All Over The World, do álbum Yes então recentemente editado e ainda versões de Viva La Vida! dos Coldplay (numa leitura intercalada com elementos de Domino Dancing) e My Girl dos Madness (esta última em duas misturas). It Doesn’t Often Snow On Christmas é uma interessante reflexão sobre as mudanças de valores que a quadra sofreu, transformada por muitos sobretudo em tempo para pensar em compras e preços.

2009. “Must Be Santa”, por Bob Dylan
A canção, composta por Hal Moore e Bill Fredericks era, na sua versão original, gravada por Mitch Miller em 1960, um cântico pensado segundo os cânones clássicos dos standards de Natal. Em 2009, ao fazer uma versão para o seu álbum Christmas in the Heart, Bob Dylan abordou-a como uma polka (algo que já tinha sido feito pelo Brave Combo), mas juntava à lera uma menção a uma série de presidentes norte-americanos (entre Eisenhower e Clinton, omitindo Ford), mostrando o teledisco um ponto de vista diferente do que o cânone habitualmente retrata, colocando a canção como banda sonora de uma noite de festa, dança e copos algures entre uma mansão sulista.

2012. “Last Christmas”, dos The XX
Cantar o Natal já não era coisa de tradição tão em voga como outrora nem destino reencontrado pelas novas gerações pós-milénio quando, em 1984, os Wham! celebraram a quadra com Last Christmas, devidamente acompanhado por um teledisco que então fez história. Em 2012, por ocasião de uma passagem pelos estúdios da BBC para gravar uma sessão, os The XX juntaram uma versão desse clássico dos Wham! que, depois, ofereceram em formato mp3. No mesmo ano lançaram ainda o The XXmas EP onde, contudo, esta versão não está incluída.

2012. “Baby, It’s Cold Outside”, She & Him
Composta em 1944 por Frank Loesser e estreada no filme Neptune’s Daughter (por Ricardo Montalban e Esther Williams), esta canção é um dueto que segue uma dinâmica de frase e resposta, habitualmente cantadas por uma voz masculina e uma voz feminina e que, ao longo dos seus mais de 70 anos de história, já conheceu gravações por nomes como os de Dinah Shore, Louis Armstrong, Ray Charles, Dean Martin, Bette Midler ou, mais recentemente, Elvis Costello, em dueto com Anne Sofie Von Otter. A dupla She & Him (ou seja, Zooey Deschanel e M Ward) tomou este como um dos 12 temas que interpretaram no álbum de Natal A Very She & Him Christmas, todo ele feto de versões, sobretudo recuperando alguns temas canónicos da quadra com ligação ao universo pop/rock.

2015. “Driving Home For Christmas”, David Fonseca
Ao longo dos últimos dez anos David Fonseca tem vindo a apresentar versões suas de alguns clássicos de Natal quando a quadra começa a chegar. As canções foram sendo reveladas, ano após ano, sempre acompanhadas por um teledisco. E no mês passado surgiram reunidas num disco oferecido juntamente com a revista BLITZ. Pelos seus natais cantadod passaram já standards como Silent Night, Amazing Grace ou Little Drummer Boy, mas também temas ligados à história mais recente da cultura pop/rock como Do They Know It’s Christmas (Band Aid), Last Christmas (Wham!) ou Happy Xmas (War is Over) (de John Lennon). Este ano voltou a encontrar uma ideia entre este segundo corpo de canções, escolhendo Driving Home For Christmas, um original de Chris Rea originalmente apresentada num EP de Natal que o músico lançou em 1988.

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