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Maresia britânica, made in Manchester

Texto: NUNO GALOPIM

A orquestra Hallé, de Manchester, dedicou dois dos três discos que lançou este ano a obras de compositores ingleses que traduzem ecos de uma relação com o mar. O mais recente traz-nos “Sea Pictures” de Elgar.

As políticas do it yourself têm já vários exemplos de trabalho e resultados junto dos espaços da música clássica e são já várias as orquestras que a si chamaram as tarefas de garantir a gravação e edição em disco do seu próprio repertório, com o valor acrescentado de poderem criar para os seus produtos uma identidade gráfica que os distingue das demais edições de outras editoras. Ou seja, permitindo desde logo, no escaparate da loja (física ou online) uma identificação. Com sede em Manchester a Hallé Orchestra – muitas vezes apenas identificada como a Hallé, sugerindo um agradável tom de familiaridade – tem vindo a desenvolver um muito interessante plano editorial que, entre várias propostas, tem destacado a presença de repertório britânico. E, por coincidência ou nem por isso, em 2015 dois dos seus lançamentos não só juntaram compositores ingleses com importante obra criada no início do século XX como de ambos levaram a disco obras que refletem um relacionamento de ambos com o mar.

Depois de uma gravação da arrebatadora Sinfonia Nº 9 de Mahler, o segundo dos três discos que a Hallé lançou este ano apresentou uma bela e pungente interpretação da Sea Symphony de Vaughan Williams, numa gravação que juntou o maestro Sir Mark Elder (titular da orquestra desde 2000), as vozes solistas de Katherine Broderick (soprano) e Roderick Williams (barítono), os dois coros da Hallé (o Hallé Choir e o Hallé Youth Choir) e ainda o Schola Cantorum de Oxford.

Agora, alguns meses depois, regressam a temas marítimos com o ciclo de canções Sea Pictures, de Edward Elgar, contando Elder e a orquestra com a presença de Alice Coote (mezzo soprano). Este conjunto de cinco canções estreadas em 1899, nas quais Elgar partiu de fontes literárias diversas (uma delas parte de um poema da mulher do compositor) abre o alinhamento de um disco que lhe é dedicado e que junta ainda Polonia, obra que celebra a contribuição polaca à causa aliada nos dias da I Guerra Mundial. Menos surpreendente será a presença de algumas das marchas de Elgar que completam o alinhamento, tantas vezes já gravadas em discos de orquestras inglesas que, aqui, podiam ter dado lugar a outra incursão menos óbvia pelo seu repertório.

“Sea Pictures”, de Edward Elgar, pela Hallé Orchestra, dir. Sir Mark Elder, com Alice Coote, está disponível em CD e em serviços digitais de streaming e download em edição pela editora Halle, etiqueta da própria orquestra.

PS. Para que não haja confusões, Manchester não é uma cidade costeira.

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