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Os dez melhores discos de 2015 (nº 1 – Sufjan Stevens)

Estes são os dez melhores discos de 2015, segundo o voto coletivo da equipa da Máquina de Escrever. E no número 1 está…

Estes foram os dez discos mais votados pela equipa da Máquina de Escrever. O método foi simples, pedindo a cada um que integra a equipa, independentemente das águas em que habitualmente navegue, que escolhesse os seus dez favoritos do ano, da soma das votações surgindo esta lista de dez.

1. Sufjan Stevens, “Carrie & Lowell”
(Asthmatic Kitty / Popstock)
O pontual regresso ao Oregon, onde viveu parte da infância e o tom profundamente pessoal e elegíaco que Sufjan Stevens convocou para criar as canções de Carrie & Lowell afastaram-no dos caminhos de maior ousadia formal e experimentação instrumental que havia comandado os trabalhos nos seus discos mais recentes. Com uma guitarra acústica ou um banjo, sussurrando naquele tom cândido e doce com o qual nos costuma cantar, ocasionalmente socorrendo-se de outras fontes instrumentais,o músico, que chegou em 2015 aos 40 anos, olha para si, para o seu passado, evoca memórias lembrando uma mãe alcoólica, depressiva e instável. O disco é de uma ternura arrebatadora, mesmo quando há episódios difíceis e memórias pesadas a lembrar. E traduz sinais de um amor incondicional, que ilumina assim canções que, motivadas pela morte, respiram antes uma dedicação que inspira a vida. – Nuno Galopim

2. Benjamin Clementine, “At Least For Now”
(Virgin)
Irrompeu logo no inverno e foi-nos aconchegando a cada estação ao longo do ano de 2015, nos ritmos desconcertantes de uma voz que é instrumento, nas suas diferentes modulações e texturas, e que não deixa ninguém indiferente. Há quem fale de Nina Simone, Antony ou Edith Piaf, ele cita Nina mas também Nick Cave, Tom Waits e Nick Drake como heróis. Talvez seja da amálgama que se faz algo que é apenas inclassificável – e maravilhoso. Uma paleta indecifrável de quem foi sem-abrigo (e os mitos têm sempre a sua quota de tragédia) e nos trouxe abrigo com Condolence ou Winston Churchill’s boy, Cornerstone ou St-Clementine-On-Tea-And-Croissants. É um vício que levamos para 2016: os falsetos, os sopros, os graves, a voz – do álbum que não ficará só em 2015.- Miguel Marujo

3. Beach House, “Depression Cherry”
(Sub Pop / Popstock)
Alex dizia numa entrevista que tinha o coração cheio de amor, mas que já não estava interessado em canções de amor, e Victoria, para mostrar que concordava com ele, prosseguia dizendo que o que nós precisamos é de amor e canções arrebatadoras para as pessoas que vivem no meio da guerra e da doença. À parte o exagero e recurso a frases feitas, a verdade é que o duo de Baltimore quis revirar um bocadinho a casa e acabou com um disco de nove faixas a que chamaram Depression Cherry. Há momentos de spoken-word em PPP, um coro de jovens a cantar em Days of Candy, e uns laivos de shoegaze em Sparks, o single, que deixou muitos na expectativa de que os Beach House iam não só revirar a casa como pô-la de pantanas, mais ao estilo de uns My Bloody Valentine. Não aconteceu. E ainda bem. Ao ouvi-los, continuamos a ser levados, muito devagar, quase embriagados – nós e eles – para esse destino, esse lugar indefinido de que eles falam em Levitation, que nem nós, nem eles, sabemos muito bem qual é. – Helena Bento

4. Björk, “Vulnicura”
(One Little Indian / Popstock)
Terá sido um dos acontecimentos mais significativos e acidentados do início deste ano no que diz respeito à música popular contemporânea:  Vulnicura viu a sua data de lançamento antecipada devido a uma fuga que fez surgir na internet uma versão álbum ainda por masterizar. Porém, o verdadeiro tumulto reside na coleção de canções que Björk incluiu num alinhamento que não só documenta como ilustra sonoramente o término da sua relação com Matthew Barney. Simultaneamente, é este o álbum que assinala o reencontro da artista islandesa com os instrumentos de cordas cujo protagonismo não se deixava sentir com esta saliência desde Vespertine (2001). Seguindo além de uma extensão ou revisão de maneirismos anteriores, escuta-se aqui a mais honesta coleção de canções já assinadas por Björk, que assegurou ainda a autoria dos respetivos arranjos de cordas. Contando com a colaboração de Anohni, Arca e The Haxan Cloak em algumas faixas, Vulnicura toma a forma de uma experiência auditiva tão dramática quanto desarmante. – André Lopes

5. C Duncan – “Architect”
(Fat Cat / Popstock)
Depois de um ano a trabalhar sozinho no seu quarto, o escocês C Duncan lançou o seu álbum de estreia e ganhou imediatamente o estatuto de revelação. Arejado, etéreo e harmónico como os Cocteau Twins (que o próprio reconhece como influência) mas com canções sólidas como a arquitetura que dá nome ao disco, a excelência do trabalho foi-lhe devidamente reconhecida com a nomeação para o prémio Mercury. Depois de passar 2015 numa digressão que tem confirmado que a magia não se perdeu num formato ao vivo, já ninguém tem dúvidas de que temos aqui um talento que importa seguir atentamente. – Daniel Barradas

6. Blur “The Magic Whip”
(Parlophone / Warner)
Doze anos depois de Think Tank, o último álbum de originais, dezasseis anos depois de 13 o último álbum com Graham Coxon, os Blur voltaram a ser quatro e voltaram a gravar juntos. E que bom que foi. Como constatou quem esteve no concerto que deram no festival Super Bock Super Rock, em Lisboa, em que misturaram os êxitos de sempre com as canções novas – quem não soubesse não daria pela diferença. E Damon Albarn continua um animal de palco. Gravado em Hong Kong em apenas uma semana (a história já está contada no documentário Blur: New World Towers, acabadinho de lançar), The Magic Whip é tematicamente um disco sobre estar numa cidade estranha e sobre a inadaptação – um pouco como eram os primeiros discos dos Blur, mas agora já sem as ilusões dos 20 e poucos anos. – Maria João Caetano

7. Beach House “Thank Your Lucky Stars”
(Sub Pop / Popstock)
São dois meses, a distância que separa Thank Your Lucky Stars de Depression Cherry, o sexto e o quinto álbum, respectivamente, editados este ano pelos Beach House. Se em Depression Cherry tiveram um reencontro com a sonoridade nostálgica cunhada pelo seu álbum de 2008, Devotion, em Thank Your Lucky Stars, Alex Scally e Victoria Legrand optaram por uma direcção mais sombria e arrojada, uma produção mais suja e com temas líricos crus. Não invalida isto, no entanto, a fórmula que já se conhece como o som característico “Beach House”, onde as harmonias dedilhadas por Legrand, bem como a sua voz rouca, se conjugam com as guitarras distorcidas de Scally. Não é um álbum que acompanha o anterior, mas sim um outro novo horizonte, mais substancial e encorpado, que acrescenta, com bons olhos, um novo marco na carreira dos Beach House. – Francisco Gonçalves Silva

8. Pega Monstro, “Alfarroba” 
(Upset the Rhythm)
O álbum de estreia homónimo das Pega Monstro, de 2012, é um dos melhores discos de rock alguma vez feitos em Portugal. Mas o seu sucessor, Alfarroba? O seu sucessor é mesmo o melhor disco de rock alguma vez feito em Portugal (e arredores). Os descrentes que nos perdoem, mas não há aqui uma única sílaba de exagero. Alfarroba é indie-rock, é noise-pop, é dream-punk, é street-fado. É música universal e sintonizada com certo zeitgeist, que paradoxalmente também é retintamente portuguesa – estas canções só podiam ter saído da pena de alguém que vive em Lisboa nestes dias mas está ligado a todo o mundo através da internet. E o resultado desse choque referencial é um disco absolutamente vital. – Luis Filipe Rodrigues

9. Tame Impala, “Currents”
(Modular / Popstock)
Kevin Parker, o cérebro por trás do projeto Tame Impala, sonhou levar as suas melodias às pistas de dança. Chegou para lá as guitarras e escolheu sintetizadores para vestir as canções de Currents, afastando-se do rock psicadélico que lhes deu popularidade. E como não era o disco que se esperava dos Tame Impala, andou por aí muita gente rabugenta. Mas há canções brilhantes neste álbum – como Let It Happen ou Yes, I’m Changing -, cheias de pequenos detalhes sonoros que podem escapar à primeira rodagem. A voz de Kevin Parker fala-nos mais ao ouvido, conta histórias. O som é menos agressivo, mais flutuante e languido. É preciso aprender a gostar desta faceta mais pop, mas ainda psicadélica,  dos Tame Impala, mas que cumpre o objetivo de fazer o corpo andar por aí a pairar, de braços no ar. – Rita Rocha

10. Courtney Barnett “Sometimes I Sit and Think and Sometimes I Just Sit
(Marathon Artists / Popstock)
Depois de promissores EP lançados ao longo dos dois últimos anos, a estreia em álbum da australiana Courtney Barnett não só confirma em pleno as melhores expectativas como nos coloca perante um dos melhores discos que a cultura rock nos mostrou nos últimos tempos. As canções revelam uma alma inteligente, atenta e capaz de escrever pequenos retratos do mundano desinteressante do nosso tempo e comentários sobre pequenos nadas na forma de canções simples e diretas. O alinhamento de Sometimes I Sit and Think and Sometimes I Just Sit foge (sem a intenção de mostrar que está a fugir) aos sabores do momento. Cruza uma intemporalidade rock’n’roll com um gosto vintage por referências da cultura elétrica de finais do século XX. Ao contrário do que o título sugere, o rock aqui levanta-se da cadeira, vibra e pensa. – Nuno Galopim

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