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Os melhores filmes de 2015, por José Raposo

Texto: JOSÉ RAPOSO

O sentido de “Vicio Intrínseco” está num cruzamento fortuito entre um assombro alucinogénio e um manual de teoria crítica, numa sala de cinema. É o meu filme do ano, mesmo que não seja o melhor do Paul Thomas Anderson.

Não morri logo de amores pelo filme do ano. Bem podia dizer o contrário, na verdade. Saí da sala de cinema a pensar nas conspirações de Gordita Beach, num estado de confusão perante a experiência do filme. Mas esta é uma daquelas obras que se diverte imenso pelo labirintos da memória e, sem dar muito bem conta disso, acabei por dar comigo a pensar muitas vezes na América de Paul Thomas Anderson. Nem sei muito bem se podia ter sido de outro modo. À mínima movimentação nos mercados – e neste ano que agora termina houve muitas – comecei a suspeitar que tudo não passava afinal de maquinações da Golden Fang. Pensei mesmo ter descodificado o alcance do sorriso dos nossos ministros, julgando estar aí o sentido de Vicio Intrínseco, esse cruzamento fortuito entre um assombro alucinogénio e um manual de teoria crítica, numa sala de cinema. É o meu filme do ano, mesmo que não seja o melhor do Paul Thomas Anderson.

Foi acima de tudo um ano de confirmações: Michael Mann (um dos poucos a arriscar, com Ameaça na Rede, uma figuração do capital financeiro – e logo a partir do cinema de género!); Lisandro Alonso (um dos gestos mais livres e genuínos do sentido do cinema de autor, em Jauja); Tsai Ming-liang (violentíssimo confronto com as possibilidades de um real raras vezes à altura do Humano, em Cães Errantes); Christian Petzold (magnífico Phoenix, onde toda a ressonância conceptual ganha corpo numa das melhores atrizes de todo o cinema contemporâneo – Nina Hoss, nem mais); Alex Ross Perry (um argumentista inteligentíssimo e cheio de piada, coisa rara nos dias que correm – objeto fascinante este Queen of Earth, uma aproximação ao universo de Fassbinder com duas grandes interpretações de duas atrizes maiores, Elisabeth Moss e Katherine Waterston).

Grande surpresa – e descoberta – foi mesmo o Tangerine de Sean Baker, uma vigem por uma Los Angeles “trans-sexual-cinematográfica-contemporânea”. Rodado com um iPhone e centrado no wild side de Hollywood, é um dos filmes mais “2015”…de 2015.

E ainda houve tempo para O Rapto de Houellebecq, e as lamentáveis figuras de um escritor admirável.

1. “Vício Intrínseco”, de Paul Thomas Anderson
2. “Jauja”, de Lisandor Alonso
3. “Black Hat: Ameaça na Rede”, de Michael Mann
4. “Tangerine”, de Sean Baker
5. “Vai Seguir-te”, de David Robert Mitchell
6. “Cães Errantes” de Tsai Ming-liang
7. “As Nuvens de Sils Maria”, de Olivieir Assayas
8. “Queen of Earth”, de Alex Ross Perry
9. “Phoenix”, de Christian Petzold
10. “O Rapto de Michel Houellebecq”, de Guillaume Nicloux

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