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Os melhores discos de 2015, por André Lopes

Texto: ANDRÉ LOPES

Muito pouco típico de um mês que é raramente estimulante, os discos de Panda Bear e Björk monopolizavam atenções logo em Janeiro.

Logo desde o seu início 2015 fez-se sentir com um frenesim incomum. Muito pouco típico de um mês que é raramente estimulante, os discos de Panda Bear e Björk monopolizavam atenções logo em Janeiro. Dois registos que se debruçam sobre as vicissitudes e dramas da vida adulta abriram caminho para um ano que evidenciou a maturação de vários dos espíritos criativos que escolheram a música popular como forma de expressão. Fixado na saliência da saudade, Sufjan Stevens escreveu o disco mais sóbrio de uma das carreiras mais prolíferas no que diz respeito a algo outrora designado como música alternativa.

Março acabou por chegar, e com ele o álbum de Madonna que por via de fragmentos e fugas antecipadas, já se tinha deixado ouvir parcialmente. Sacrificando a surpresa mas relembrando um fulgor que não se deixava ouvir desde 2007, Rebel Heart tem tanto de declaração pública de intenções como de testemunho para a posteridade. No mesmo mês foi editado o álbum mais importante da carreira de Kendrick Lamar, bem como a prova absoluta de que o hip hop tem a sua principal vantagem quando não se deixa contornar por limitações e fronteiras estilísticas. Mais do que pelo seu ecleticismo, To Pimp a Butterfly torna-se impossível de ignorar pelo valor político que detém a partir do mesmo em que constitui em si mesmo um objeto sociológico, ao servir de comentário interventivo face ao racismo que subsiste nos dias de hoje – não esquecemos nem esqueceremos Michael Brown. Sobre a mutabilidade a que o hip hop se pode submeter em prole de resultados verdadeiramente inspiradores, importa recordar também AT.LONG.LAST.A$AP.

Pensar na música popular de 2015 permite ainda refletir sobre a trajetória de FKA Twigs após a popularidade do anterior LP1 (2014) com o qual se tornou um aglomerado de atenções. MELLI55X comprovou a vitalidade da sua forma de conceber canções e renovou as expectativas passíveis de ter face ao futuro da artista. Em terreno de experimentação fértil, os álbuns de Oneohtrix Point Never e de Arca são obrigatórios: ambos expõem uma eletrónica fresca onde dinâmicas cinéticas não são prioridade, salvaguardando-se antes um mostruário de impulsos e visceralidade rítmica.

Quanto ao caso português, 2015 consagrou as Pega Monstro com o mérito que fizeram por merecer com Alfarroba, álbum em que finalmente o estilo e a substância se fazem ouvir em igual medida. Luís Severo (outrora conhecido como O Cão da Morte) deu provas sobre o quão é de facto o cantautor do qual precisávamos mas não sabíamos.

E já que neste país também se dança, foram seis os lançamentos com os quais a Príncipe Discos nos fez mover. Podendo destacar-se Danger de Nídia Minaj, a realidade tem vindo a comprovar que é no seio desta editora lisboeta que se faz a melhor música de dança do país – aqui o kuduro abraça pulsões e maneirismos que se deixam influenciar tanto pelo gueto como pelo techno mais percussivo. É assim que se ganha.

Discos 2015:
1. Björk – Vulnicura
2. Sufjan Stevens – Carrie & Lowell
3. Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly
4. William Basinski – Cascade / The Deluge
5. Oneohtrix Point Never – Garden of Delete
6. Róisín Murphy – Hairless Toys
7. FKA Twigs – M3LL155X
8. A$AP Rocky – AT.LONG.LAST.A$AP
9. Pega Monstro – Alfarroba
10. Beach House – Thank Your Lucky Stars

Canções 2015:
Björk – Black Lake
David Bowie – Lazarus
Grimes – Realiti
M.I.A. – Borders
Demi Lovato – Cool for the Summer
Joanna Newsom – You Will Not Take My Heart Alive
Shamir – On the Regular
Lana del Rey – Honeymoon
Carly Rae Jepsen – All That
Fetty Wap – Trap Queen

Concertos 2015:
1. Kraftwerk no Coliseu dos Recreios
2. Patti Smith no Coliseu dos Recreios
3. Rufus Wainwright na Fundação Gulbenkian
4. Vashti Bunyan no Teatro Maria Matos
5. CocoRosie no Teatro Tivoli
6. Pega Monstro no Maxime Sur Mer
7. Grouper no Teatro Maria Matos
8. William Basinski no Musicbox
9. Panda Bear no Teatro Maria Matos
10. Éme no Museu do Chiado

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