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1985. Rock e funk numa aventura em paralelo

Texto: NUNO GALOPIM

Em 1985, num momento de pausa para os Duran Duran, John e Andy Taylor juntaram-se a Robert Palmer e ao ex-Chic Tony Thompson para gravar o álbum de estreia de um projeto a que chamaram The Power Station.

Após três álbuns de originais, uma intensa agenda de concertos e um estatuto de visibilidade global conquistado, os Duran Duran chegaram a meados de 1984 com vontade de tirar uns tempos de férias. Depois de terminada a digressão mundial tinham ainda pela frente a edição em single de uma versão remisturada por Nile Rodgers de The Reflex (que se transformaria num dos seus maiores êxitos), o lançamento do álbum ao vivo Arena e a gravação do single (e do teledisco) The Wild Boys, que surgiria como inédito (de estúdio) no registo live… Depois dividiram-se em dois corpos distintos. Simon Le Bon, Nick Rhodes e Roger Taylor juntaram-se em Paris para aprofundar a faceta mais sumptuosa do som dos Duran Duran num projeto a que chamariam Arcadia. E John e Andy Taylor encontraram terreno livre para expressar o desejo de explorar duas premissas fulcrais da alma dos Duran Duran: a sua face mais rock (nem sempre muito evidente nos discos da banda) e um motor rítmico mais próximo de uma identidade herdada do funk. Juntaram-se a Roger Palmer (que tinham conhecido em 1983) e ao baterista Tony Thompson.

Sob produção assegurada por Bernard Edwards (Chic), estes quatro músicos registaram um conjunto de oito temas (entre os quais uma versão dos T-Rex e uma dos Isley Brothers) nas quais apresentaram um rock anguloso e polido (que teria consequências diretas no som de Notorious, o álbum de reencontro dos Duran Duran editado em 1986). The Power Station (nome do estúdio nova-iorquino onde gravaram) foi a designação que adotaram para o grupo e, depois, o título para o seu primeiro álbum (haveria um segundo, claramente menor, onze anos depois).

O álbum é um claro exemplo de um sentido burguês que habita muitas vezes entre quem faz vibrar os terrenos do sucesso. Foi coisa mais cara do que musicalmente consequente, apesar da boa repercussão que chegou a ter nos EUA, claramente expressão da popularidade global que os Duran Duran então conheciam.

Do alinhamento surgiu, além de uma versão aceitável de Get It On (Bang a Gong) um belo single pop ritmicamente elaborado a que chamaram Some Like It Hot. O resto do disco é acima de tudo um devaneio impecavelmente produzido que cruzou elementos de funk e traços de um rock mais pesado, algo longe do sentido pop e das cores que habitavam a música dos Duran Duran e que contou, em alguns momentos, com a colaboração do batrerista Roger Taylor, que entretanto ficaria mais envolvido com o outro projeto nascido nas mesmas férias: os Arcadia.

Hoje, quase 30 anos depois, este é um episódio paralelo de interesse relativo, datado e bem menos interessante que o mais elaborado So Red The Rose, dos Arcadia. Mesmo assim os Power Station tiveram vida mais longa e uma discografia mais extensa do que os Arcadia. Em primeiro lugar porque, apesar do afastamento de Robert Palmer após a etapa promocional, decidiram fazer uma digressão no verão de 1985 na qual contaram com Michael des Barres como vocalista. Dez anos depois os quatro elementos que haviam criado o álbum de 1985 juntaram-se para trabalhar em novas canções. John Taylor, num momento difícil da sua vida pessoa, afastou-se antes mesmo de iniciadas as gravações (apesar de ter participado na composição), tomando o produtor Bernard Edwards o lugar de baixista nas sessões de estúdio. A sua morte, pouco depois, impediu-o de fazer a digressão que seguiu ao lançamento do disco. Com os Power Station reduzidos a trio – Robert Palmer, Tony Thompson e Andy Taylor – partiram mesmo assim para a estrada, apresentando um alinhamento feito apenas de temas do vocalista, canções dos Chic e, claro, material dos dois álbuns dos Power Station.

Discografia dos Power Station:

Singles:
Some Like it Hot (1985)
Get it On (Bang a Gong) (1985)
Communication (1985)
She Can Rock It (1996)

Albums:
The Power Station (1985)
Living in Fear (1996)
Best of (2003)

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