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2015. O que quero ver, quando quero

Texto: NUNO CARDOSO

Arrebatam nomeações nos prémios de TV, recebem o aplauso da crítica e cada vez mais assinantes. 2015 confirmou o crescente poder das plataformas de streaming no panorama televisivo.

1997. No mesmo ano em que Titanic chegava às salas de cinema e o primeiro livro da saga Harry Potter às livrarias, em que o mundo chorava a morte da princesa Diana e as Spice Girls estavam no topo do universo pop, em que nascia a clonada ovelha Dolly e se assinava o Protocolo de Quioto, Marc Randolph e Reed Hastings fundavam o Netflix. Estavam longe de imaginar que a plataforma de streaming iria não só mudar a forma de consumir TV como estaria, quase duas décadas depois, na ordem no dia no que toca à ficção televisiva.

A caixinha mágica deixou de apenas o ser. Hoje em dia, é impensável imaginá-la como instrumento de consumo isolado. Ao lado de fenómenos comportamentais como o do second screen (o consumo televisivo acompanhado da interação, em tempo real, com o mesmo através de smartphones ou tablets) está a explosão do streaming, confirmada no ano que agora termina e aplaudida pelo público e pela crítica. Longe vão os tempos em que o público ficava condicionado pelos conteúdos e os horários que os responsáveis dos canais em sinal aberto e por cabo desenham para as respetivas estações. Televisão não é mais sinónimo de caixinha mágica. Televisão é ver o que se quer, quando se quer, no ritmo e na plataforma desejados.

O Netflix (que chegou em outubro a Portugal e que conta com 70 milhões de subscritores no mundo) e a Amazon (45 milhões de assinantes), duas das mais populares plataformas de streaming e criadoras de séries originais, mostraram este ano ser uma dor de cabeça para os canais de TV ditos tradicionais. Juntas, somaram umas impressionantes 46 nomeações para os Emmy, com formatos aclamados como House of Cards (esta, de resto, a primeira série de uma plataforma streaming a ser nomeada para as principais categorias), Orange Is the New Black e Unbreakable Kimmy Schmidt no caso do Netflix e Transparent no do segundo.

O Netflix – o maior fenómeno televisivo dos últimos dois anos e que ainda não consegue ser dimensionado no contexto português, uma vez que a plataforma não divulga o número de assinantes e audiências – está também na liderança na corrida aos Globos de Ouro 2016, que decorrem em janeiro. A plataforma que estreou no mercado português séries como Sense8, Jessica Jones ou Narcos tem oito nomeações. Já a Amazon, com Transparent a ser um dos formatos com maior número de indicações nesta edição, totaliza cinco indicações.

A HBO, canal por cabo tido com produtor de algumas das séries de maior qualidade do século XXI (Os Sopranos, Sete Palmos de Terra ou Anjos na América, só para enumerar três casos), soma sete nomeações para os Globos, mostrando o poder da força do streaming no panorama televisivo atual.

Um aplauso da crítica que pode ser encarado de várias formas. Há quem acredite que a qualidade de séries como House of Cards, Orange Is the New Black ou Transparent se deva, também, ao facto de a sua profundidade e ritmo narrativos não estarem condicionados pela feroz guerra de audiências dos canais de TV, nem de acordo com os seus (por vezes demasiados) intervalos comerciais. E, claro, o poder de decisão de quem está em casa de dosear o consumo como quer – aqui, a grande vantagem do binge-watching, de poder ver uma temporada inteira sem interrupções ou sem esperar uma semana por um novo episódio.

Com a crescente popularidade e uso da TV on demand, de resto, um estudo revelado agora pela eMarketer estima que em 2018 um em cada cinco lares já não tenha o serviço de TV por subscrição, ou seja, os canais por cabo. Numa altura em que as pessoas se queixam de ter cada vez menos tempo livre, e num ano em que foram transmitidas 409 séries de TV – um número recorde, aliás –, está à vista de todos a principal arma dos serviços de streaming: o espectador cria a sua própria programação televisiva. E aqui não há diretor-geral ou diretor de programas de uma estação que mande.

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