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A arte de bem remisturar em toda a orquestra

Texto: NUNO GALOPIM

Através da editora Nonclassical surge uma proposta de diálogo da música “clássica” com terrenos das novas eletrónicas, em remisturas por nomes como os de Thom Yorke, Murcof, Hot Chip ou Tim Exile.

Os caminhos atuais de cruzamento das formas e linguagens nascidas na música popular com os universos da música orquestral, de câmara ou instrumental – porque chamar “clássica” a alguma desta música que se faz hoje em dia é, por vezes, no mínimo bizarro – têm ocorrido mais vezes junto dos espaços da música electrónica do que dos domínios do rock que, em tempos, chegou mesmo a conhecer importantes e expressivas excursões sinfónicas. Se através de episódios da série Re-Composed da Deutsche Grammophon já assistimos a interessantes diálogos de nomes como Moritz von Oslwald ou Herbert com legados de outros tempos ou escutámos os Art of Noise a refletir sobre a obra e figura de Debussy, também em obras de compositores como Todd Levin ou Osvaldo Golijov já encontrámos marcas de assimilação de algumas ideias e correntes recentes. Decidida a não deixar os corredores de troca de ideias entre as electrónicas e as orquestras, pequenos ensembles ou solistas por conta dessa importante série de aventuras lançada há já alguns anos pela mais célebre etiqueta clássica alemã, a Nonclassical é outra força editorial a ter em conta.

A editora foi fundada em 2003 por Gabriel Prokofiev (neto do compositor Sergei Prokofiev), que em tempos militou em bandas de funk, e conheceu desde logo associada à ideia de editar discos a vontade em criar club nights nas quais os ingredientes destes dois universos se podem cruzar. Os DJs das noites Nonclassical cruzam peças de compositores de música contemporânea, de Stockhausen a Varèse, com criações de música de dança electrónica, em clubes ou bares onde habitualmente se apresentam ainda live acts. A experiência de ensaio de caminhos de diálogo passa depois, no plano discográfico, pelo desafio lançado a músicos e bandas atuais para que remisturem as obras que a editora está entretanto a lançar.

Desde 2004 ali surgiram, entre outras, gravações de quartetos de cordas de Gabriel Prokofiev pelo Elysium Quartet, Troubairitz de Tansy Davies, Mercury Acoustic do Mercury Quartet ou o Concert for Turntables & Orchestra, de Gabriel Prokofiev, pela Heritage Orchestra e DJ Yoda.
Algumas das obras cujas gravações fazem o catálogo da editora surgem, remisturadas por nomes como os de Thom Yorke, Murcof, Hot Chip, Tim Exile ou o próprio Gabriel Prokofiev, na antologia The Art of Remix que junta versões lançadas nestes últimos dez anos entre vários EP e que poderá agora representar o cartão de visita para eventualmente levar as ideias e ações desta pequena editora a um mais vasto patamar de admiradores.

 

“The Art of Remix”, que junta o trabalho de vários DJ, ensembles e compositores, tem edição em CD pela Nonclassical. Está também disponível via Bandcamp (ver acima) e em plataformas de streaming.

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