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Dez duetos de David Bowie

Texto e escolhas: NUNO GALOPIM

Apesar de ter sido uma das figuras em que a noção de individualidade mais se vincou e materializou, David Bowie nunca fechou a porta a parcerias. E aqui vamos recordar dez duetos seus.

“Little Drummer Boy/Peace on Earth”, com Bing Crosby (1978)
O dueto foi gravado nos Elstree Studios (Londres) a 11 de Setembro de 1977, dois dias depois da colaboração com Bolan na Granada TV. O dueto fez parte do programa Bing Crosby’s Merry Ole Christmas, no qual Bing Crosby recebia convidados num estúdio decorado como se de sua casa se tratasse. Bing abre a porta, cumprimenta Bowie, que depois o convida para cantarem as duas canções de Natal juntas numa só, descrevendo-as como as favoritas do seu filho, Zowie. Durante o programa Bowie interpretou ainda uma versão, orquestrada, de Heroes. Foi um dos momentos mais bizarros da vida televisiva de Bowie nos anos 70, mas que o músico enfrentou com um sentido de charme que anunciava uma imagem que adoptaria no futuro.

“Under Pressure”, com os Queen (1981)
Havia um encontro marcado em estúdio para que David Bowie colaborasse numa canção do novo disco dos Queen – que teria em breve o título Hot Space – que estava a ser gravado nos estúdios da própria banda em Montreux (Suíça). A sessão não agradou a Bowie e a sua voz acabou fora da mistura final dessa canção. Contudo, de uma jam em que então mergulharam em conjunto e tendo com ponto de partida numa canção que estava ainda num estádio embrionário, acabou por nascer este dueto que se afirmou como um dos maiores sucessos de ambos. E que acabaria no alinhamento de Hot Space.

“Tonight”, com Tina Turner (1984)
A canção tinha originalmente sido originalmente composta por David Bowie e Iggy Pop para o álbum Lust for Life, deste último. Em 1984 Bowie regravou-a, numa nova versão que lhe retirou o texto de abertura que aludia ao consumo de drogas, moldando-a a um novo arranjo com temperos reggae e chamando a estúdio Tina Turner para aqui fazer nascer um dueto. A canção, que deu título ao álbum que Bowie editou em 1984 seria o segundo single dele extraído. Tonight teria nova edição em single um ano depois, numa versão ao vivo, novamente com Bowie e Tina, num concerto da cantora.

“Dancing in the Street”, com Mick Jagger (1985)
A ideia inicial era a de fazerem um dueto no Live Aid. Bowie em Londres. Jagger em Filadélfia. Mas a ligação por satélite obrigava a um segundo de delay. E para não obrigar nenhum deles a fazer um playback, optaram por um plano B. Bowie estava então a gravar em Abbey Road as canções para a banda sonora de Absolute Beginners e, numa tarde, Mick Jagger voou e ali passou para que gravassem uma versão de Dancing in The Street, original de 1964 de Martha and The Vandellas. Na mesma noite, com David Mallett, foram para a rua e, nas Docklands, numa série de takes, nascia o teledisco. Em meio dia um single e um teledisco nasceram assim. As imagens foram exibidas no Live Aid. Semanas depois era o single que estava na rua.

“This Is not America” (1985)
Ao longo dos anos 80 David Bowie gravou uma série de canções para cinema. E uma delas surgiu numa parceria com Pat Metheny, contando a música da canção ainda com a colaboração na composição de Lyle Mays, que em estúdio gravou as teclas e que, com o guitarrista, assinava a restante banda sonora do filme. A letra é de Bowie. This Is not America surge assim em The Falcon and the Snowman, uma história de espionagem realizada por John Schlesinger. A canção representa uma entre as várias ocasiões nas quais a música de Bowie dialogou com climas jazzy antes de Blackstar.

“Hallo Spaceboy”, com os Pet Shop Boys (1996)
Era na origem uma das canções do álbum 1.Outside, disco que reativava uma verve experimental e criativa como Bowie não vivia desde o final dos anos 70. Hallo Spaceboy voltava a levar-nos ao espaço, e devolvia à vida a mais antiga das suas personagens centrais: o Major Tom. Na hora de a editar como terceiro single extraído desse álbum editado em 1995, os Pet Shop Boys juntaram-se a David Bowie para a reinventar sob um mais evidente clima pop e em claro diálogo entre as duas forças maiores que ali se juntavam. O resultado foi uma canção valorizada em todos os sentidos. E que valeu a David Bowie o seu single de maior sucesso entre Jump They Say (1993) e Where Are We Now? (2013).

“Without You I’m Nothing”, com os Placebo (1999)
Nos anos 90 e após a viragem do milénio foram frequentes as ocasiões nas quais David Bowie apadrinhou alguns talentos emergentes. E os Placebo foram um dos exemplos, desafiando-o a com eles regravarem uma versão da canção que dava título ao segundo álbum de estúdio da banda, lançado em 1998. A nova leitura da canção, na qual David Bowie partilha a prestação vocal com Brian Molko, foi editada em single em agosto de 1999.

“Heroes (Aphex Twin Remix)”, com Philip Glass (2003)
Tal como a parceria com Pat Metheny nos anos 80, este não é um dueto naquele sentido literal que vê duas figuras a cantar a bordo de uma mesma canção. Aqui a segunda voz é a que cria a visão instrumental, que na verdade não é mais senão um excerto de um dos andamentos da Sinfonia Nº 4 de Philip Glass, toda ela nascida diretamente sob ideias sugeridas entre as canções do álbum Heroes de David Bowie. Em 2003 Aphex Twin (que trabalhara já com Philip Glass no EP Donkey Rhubarb em 1995, pegou na sinfonia de Glass, juntou a voz de Bowie e ali nasceu uma visão nova deste clássico. Na verdade, estamos perante um encontro a três vozes criativas.

“Wake Up”, com os Arcade Fire (2005)
Após a urgência clínica a que foi submetido no final da Reality Tour e que o obrigou a cancelar as restantes datas (uma delas no Porto), David Bowie saiu do mapa por uns tempo e dele quase ninguém ouviu falar. Aos poucos foi dando notícias, mais do que estava a escutar do que de nova música que eventualmente estivesse a fazer. Os Arcade Fire foram um nome que apadrinhou logo quando deles se começa a ouvir falar. E em 2005 os músicos canadianos chamam-no ao palco do Fashion Rocks para aquela que seria a sua primeira ida a palco em mais de dois anos e cuja gravação representaria um dos seus raros registos editados no interregno entre Reality e The Next Day. O Live EP dos Arcade Fire e David Bowie foi então editado exclusivamente pelo iTunes. Inclui versões de Life on Mars? e Five Years de Bowie e uma de Wake Up, dos Arcade Fire.

“Arnold Layne”, com David Gilmour (2006)
Em 2006, por ocasião de um concerto no Royal Albert Hall, David Gilmour convidou David Bowie para com ele partilhar duas canções. Uma delas era Comfortably Numb, tema do álbum The Wall dos Pink Floyd. A outra era uma peça muito cara a ambos. E emotiva. Tratava-se de Arnold Layne, a canção que em 1967 havia representado o momento de estreia em disco dos Pink Floyd, banda que Bowie tinha nessa etapa entre as que mais admirava. A versão gravada ao vivo no Royal Albert Hall, e que contava com Richard Wright nas teclas, chegou a single, atingindo o número 19 no Reino Unido, a melhor classificação que Bowie tinha na tabela de singles desde Thursday’s Child, em 1999.

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