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A arte de reinventar a música dos Kraftwerk

Texto: NUNO GALOPIM

Matthew Bourne e Franck Vigroux celebraram os 40 anos da edição de “Radio Activity” criando um álbum que revisita, com uma personalidade mais assombrada e contemporânea, todo esse disco de 1975.

De abordagens para quarteto de cortas pelo Balanescu Quartet à visão igualmente “classicista” de uma versão de Radio-Activity pelos Divine Comedy, sem esquecer o fulgor festivo da festa latina das versões de Señor Coconut ou as visões assombradas chegadas da Europa de Leste no tributo Trans Slovenia Express, de 1994, a música dos Krafwerk não só estimulou a criatividade em várias frentes como gerou manifestações de assimilação e diálogo com a música dos outros. De facto há em várias das suas composições um valor de standard que as faz serem peças de absoluta referência para a história da música electrónica, sendo por isso natural que entre os seus herdeiros e admiradores surja quem as deseje recriar ou, pelo menos, citar.

Porém, e apesar da variedade de abordagens já promovidas em diversos caminhos possíveis, a ideia de reinventar todo um disco seu de fio a pavio estava ainda à espera de quem se aventurasse em semelhante terreno. Foi o que aconteceu com a dupla definida pelo teclista Mathew Bourne e o compositor Frank Vigroux, que trabalharam em conjunto com uma instalação de Antoine Schmitt para assinalar a passagem dos 40 anos da edição do álbum Radio-Activity, que o quarteto de Dusseldorf lançou em 1975 como sucessor de Autobahn.

Agora a música chega a disco revelando uma abordagem mais negra e assombrada, por vezes de dimensão industrial (mas sem a carga densa de acontecimentos impositivos que habitualmente associamos ao termo quando fala de uma estética musical). A abordagem revela um cunho interpretativo que é capaz de transportar as canções para um patamar mais tenso (libertando-as mesmo dos espartilhos de uma eventual datação mais evidente) e sabe ao mesmo tempo explorar as cenografias mais invadidas pelos silêncios que libertam sobre Transistor ou Ohm Sweet Ohm. Perde apenas o belo hino pop perdido dos Kraftwerk que é Antenna, que uma vez mais não conhece aqui argumentos para se impor face a outros temas que hoje fazem o cânone do “best of” do grupo alemão.

Mathew Bourne e Franck Vigroux
“Radioland: Radio Activity Revisited”
LP, CD e DD, Leaf
4 / 5

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